Guerra comercial contra China é também tiro no próprio pé dos EUA


Em encontro com o vice-presidente nacional do PCdoB, Walter Sorrentino, na sede da embaixada chinesa em Brasília, na última quarta-feira (22), o embaixador Li Jinzhang comentou que a guerra comercial contra a China é também tiro no próprio pé dos Estados Unidos. Para ele, o país norte-americano começou a “atirar” contra as principais economias do planeta e neste caso, o Brasil poderá jogar um papel todo especial.

 

 

O dirigente brasileiro aproveitou o encontro para se apresentar como o novo secretário de Políticas e de Relações Internacionais do PCdoB. Participaram ainda da reunião, o ministro conselheiro Song Yang e a comitiva brasileira composta por Ana Maria Prestes, da Comissão de Políticas e Relações Internacionais do PCdoB e pelo assessor da presidência da sigla, o jornalista Pedro de Oliveira.

Walter Sorrentino agradeceu a oportunidade de poder realizar o encontro entre o PCdoB e a representação diplomática chinesa no Brasil, elogiando o grande esforço que este país asiático vem fazendo de promover e valorizar os Partidos Políticos da América Latina e do Caribe e suas relações com o Partido Comunista da China, como foi o Encontro CELAC-China recentemente organizado na China – na cidade de Shenzhen, nos dias 27 e 28 de maio último, evento no qual o vice-presidente Walter esteve presente representando o PCdoB.

São movimentos, segundo Walter, que apontam para o fortalecimento do multilateralismo, a cooperação entre os povos e a construção de um ambiente internacional de paz e de desenvolvimento compartilhado entre os países dos dois continentes

Ao receber a delegação do PCdoB, o embaixador Li Jinzhang conclamou à intensificação das relações de cooperação e amizade entre os dois países, colocando-se à disposição para dar continuidade às atuais relações entre o Brasil e a China, que são – na sua opinião – estratégicas nesta nova era que vive o mundo.

Ao mesmo tempo, o representante do povo e do Estado chinês no Brasil deixou claro que não faz parte da política externa da República Popular da China interferir nos assuntos internos de outros países, mas – ao contrário – é do interesse de seu país desenvolver políticas de cooperação e de intercâmbios mutuamente vantajosos para ambas partes. Ele aproveitou, também, para agradecer as palavras pronunciadas pela deputada federal Jô Moraes na Sessão Solene da Câmara dos Deputados em Homenagem à Imigração chinesa no Brasil, ocorrida na semana passada.

Naquela Sessão Solene, representando a liderança do PCdoB, a deputada afirmou: “A vinda dos chineses para o nosso País aconteceu há muito tempo, há mais de 200 anos. Eles chegaram aqui, em 1812, pela porta que foi aberta pelo nosso Dom João. Isso é uma demonstração de que os nossos dois povos têm muito mais a trocar, a dividir, a compartilhar do que simples relações comerciais, hoje tão intensificadas. Falo de valores humanos. Eles trouxeram para cá o chá e conseguiram introduzir em nossa economia, em nossa prática e em nossa agricultura valores de intensificação da tecnologia, que nos ajudou a chegar ao patamar que estamos hoje”.

O Embaixador Li Jinzhang, em seguida, destacou a importância do processo eleitoral em curso neste momento no Brasil, afirmando que o resultado eleitoral para a presidência da República terá grande impacto na política de relações internacionais da China, dizendo que a cooperação entre a China e o Brasil deverá continuar se fortalecendo, na medida em que as relações entre os dois países têm caráter estratégico e, portanto, se trata de relações com projeção de largo prazo.

O vice presidente do PCdoB procurou traçar um quadro da correlação de forças políticas que estão presentes na atual conjuntura política nacional, e as perspectivas diante da grande instabilidade institucional que tomou conta do Brasil a partir do golpe perpetrado em 2016 contra a presidenta Dilma Rousseff, eleita em 2014 com mais de 54 milhões de votos. O golpe se completou com a condenação e a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que por sinal é o candidato que se coloca em primeiro lugar em todas as pesquisas de opinião pública feitas até agora.

O vice presidente do PCdoB explicou que o Partido tem como seu objetivo estratégico – em primeiro lugar – contribuir para a vitória do campo democrático e popular, para retomar o Projeto de Desenvolvimento Nacional que estava em andamento nestes últimos 13 anos antes do golpe. Em seguida o Partido luta para reeleger o governo do Maranhão, sob a liderança de Flávio Dino, e eleger uma bancada de deputados e deputadas, além de manter seu espaço no Senado Federal, ultrapassando a Cláusula de barreira imposta pela atual legislação partidária.

Investimentos chineses no Maranhão

O diplomata chinês lembrou, durante o encontro, o papel destacado do Maranhão e do governador Flávio Dino (PCdoB) no incremento das relações entre os dois países. Grandes investimentos chineses estão em curso naquele estado da Federação relacionados à construção de uma empresa siderúrgica e à ampliação do Porto de Itaqui.

A gigante siderúrgica chinesa CBSteel e o governador maranhense, assinaram recentemente o documento de doação do terreno onde será construída a cidade inteligente da empresa, que deverá gerar nada menos que 10 mil postos de trabalho no Estado. Esta denominada cidade inteligente, será levantada no município de Bacabeira, com capacidade de produzir 8 milhões de toneladas de aço ao ano. As expectativas do Governo maranhense e dos investidores chineses é de que, com a instalação do empreendimento, uma cadeia de outros negócios industriais também se desenvolva na região.

Por outro lado, com obras iniciadas na última semana, o Porto São Luís ocupará uma área de 200 hectares, que agrega ao Complexo Portuário do Estado seis berços, ponte de acesso, acesso rodoferroviário e ferroviário e praticamente dobra a atual capacidade de movimentação de cargas do Porto de Itaqui.

Ao constatar estes avanços concretos, Sorrentino fez um agradecimento todo especial ao empenho da Embaixada chinesa na concretização deste grande projeto de infraestrutura patrocinado pelos investidores da China, que certamente trará benefícios tanto aos interesses dos brasileiros que moram no Maranhão e de seu governo, quanto aos interesses chineses que produzirão bens com valor agregado no Brasil. Assim, empresas chinesas terão condições de transportar mercadorias a partir do Estado do Maranhão para a China com uma logística bem mais econômica, fazendo o trajeto através do Canal do Panamá.

A guerra comercial desencadeada pelos EUA contra a China

O embaixador Li Jinzhang aproveitou esta temática para dizer que diante da Guerra comercial que – para o espanto mundial – os Estados Unidos começaram a “atirar” contra as principais economias do Planeta, o Brasil poderá jogar um papel todo especial. Como o embaixador escreveu em artigo publicado em jornal de grande circulação no Brasil, “os Estados Unidos “puxaram o gatilho” contra a China ao impor uma sobretaxa de 25% sobre produtos chineses no valor de US$ 34 bilhões, e deram início à maior batalha comercial na história econômica. Os EUA anunciaram uma lista de produtos chineses de US$ 200 bilhões sujeitos a sobretaxa de 10%. A China foi obrigada a contra-atacar ao anunciar a aplicação de medidas equivalentes sobre as importações norte-americanas”.

E concluiu o embaixador neste artigo que “a medida arbitrária de Washington viola as regras da OMC, desafia o multilateralismo e o livre comércio e prejudica a recuperação da economia mundial. Segundo a previsão da Standard & Poor’s, se todas as ameaças de sobretaxação de Washington forem implementadas, o crescimento econômico mundial cairá em 1 por cento. Na lista dos produtos chineses sobretaxados pelos EUA, cerca de US$ 20 bilhões são produtos fabricados por empresas estrangeiras na China, a maioria norte-americanas. Ou seja, a guerra comercial contra a China é também um tiro no próprio pé dos EUA, além de pôr em causa as cadeias mundiais de produção e de valores”.

Por fim, a delegação dos comunistas brasileiros se comprometeu juntamente com os diplomatas chineses a manter canais de comunicação permanentes e ágeis para desenvolver em novos patamares o nível de relações comerciais, políticas e culturais entre o Brasil e a China.

De Brasília, Pedro de Oliveira

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