Joan Edesson: Levar o barco devagar e manter a unidade


Faltando pouco mais de duas semanas para a eleição presidencial, tudo indica que nos encaminhamos para um segundo turno entre a chapa Haddad/Manuela e a chapa da direita raivosa. A eleição, acirrada, não se decidirá no primeiro turno, e promete um acirramento ainda maior pela frente.

Em horas assim, os ânimos esquentam e, mais do que nunca, precisamos de calma, de muita calma. É a hora em que precisamos intensificar a campanha, disputando voto a voto até o último momento, mas ao mesmo tempo tendo o cuidado de preservar a unidade.

Porque não basta ganhar a batalha do primeiro turno. É necessário que o façamos preservando os aliados que poderão nos ajudar a vencer também o segundo turno. E, mais importante ainda, preservar uma unidade que nos torne fortes o suficiente para enfrentar o que virá pela frente após as eleições.

Porque, não nos enganemos, essa não é uma eleição qualquer. Mesmo que Haddad/Manu passem no primeiro turno e ganhem no segundo, e estou convencido de que isso é possível, a batalha que se desenrolará após isso será, provavelmente, muito mais difícil. Isso vale também para a candidatura de Ciro, caso seja ele a ir para o segundo turno, hipótese hoje bem pouco provável. Mas se for, e se ganhar, o obscurantismo que se alastrou pelo país nos últimos anos tampouco lhe dará trégua. É uma ilusão achar que vai acenar uma bandeirinha branca e resolver num passe de mágica a polarização direita/esquerda, como dizem ele próprio e alguns dos seus apoiadores.

A polarização que se instalou no Brasil não coloca o PT/PCdoB de um lado e essa direita raivosa do outro. Ela é muito mais profunda do que isso. Não há exagero em afirmar que a polarização se dá hoje entre a civilização e a barbárie. Essas eleições podem significar um marco, um divisor de águas. Ela pode representar uma cunha no avanço do pensamento mais atrasado e autoritário que persegue a nossa nação. Mas não devemos nos iludir e achar que tudo se encerrará por aí.

Os próximos anos não serão fáceis, e exigirão de nós firmeza, ousadia e muita, muita sabedoria para atrair cada vez mais aliados para o campo da democracia e tentarmos isolar aqueles que hoje apostam nas saídas autoritárias e que brandem o ódio como arma política.

Só conseguiremos enfrentar o mar turbulento e revolto que nos espera no futuro se soubermos, hoje, construir a vitória popular com unidade. Este parece ser o grande desafio: levar Haddad/Manu para o segundo turno, preservar a unidade no campo de centro-esquerda, derrotar o capiroto no segundo turno e construir uma ampla aliança política que assegure a governabilidade. Necessário ainda, desde já, mobilizar o movimento social para que ele seja o esteio das grandes lutas que virão.

Até as eleições, como já disse, disputar voto a voto e preservar a unidade. Com arrojo, com ousadia, com garra, mas com calma e com tranquilidade.

Nesses dias tão difíceis, estão valendo para nós os versos do grande Paulinho da Viola: façamos como um velho marinheiro, que durante o nevoeiro leva o barco devagar.

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