Luciano Siqueira: Quando o poder não é absoluto


Com o primeiro turno na reta final, parece fracassar o apelo de Fernando Henrique Cardoso aos vários candidatos à presidência rotulados como de centro-direita para que se unam em torno de Alckmin e, dessa forma, evitem o confronto Haddad versus Bolsonaro, no segundo turno.

Esse pacto por enquanto deu em nada porque Marina Silva (Rede) e Henrique Meirelles (MDB) desistiram, conforme se noticia.

Não seria o agora previsível desenho de segundo turno que os todo-poderosos Sistema Financeiro e Complexo Midiático desejavam.

Queriam a eleição de um presidente camaleônico ou, sendo menos contundente, palatável, competente para seguir a agenda neoliberal regressiva do atual governo Temer, embora sem semelhante imagem.

Tentaram até quando foi possível a escolha de um outsider tipo Luciano Huck. Não conseguiram.

Buscaram um candidato de unidade e esbarraram no fracionamento de grupos e legendas, com o enfraquecimento do PSDB como subproduto.

Antes, no auge da Operação Lava Jato, patrocinaram com imensa avidez o desmantelamento do sistema político, mirando o PT como alvo.

Julgavam controlar esse processo, preservando o PSDB e o MDB como suas forças de reserva.

Mas a sanha do Judiciário e da Polícia Federal, em articulação com a grande mídia, terminou por produzir tiros no próprio pé, quando já não se conseguiu evitar que gente como Aécio Neves e Temer fossem alvo de delatores.

Em analogia reversa, jogaram fora o que consideravam “água suja” e junto foi a bacia.

Depois, quando o momento pré-eleitoral ganhou corpo, perderam um tempo enorme na tentativa de unidade em torno de um nome de confiança do Mercado, sem êxito.

Tempo suficiente para que o capitão Bolsonaro corresse por fora e explorasse o sentimento direitista de parcela da população, levando junto boa parte dos indignados com a situação presente, mas sem discernimento.

Por fim, apostaram em Alckmin, patrocinaram um arco de alianças amplo, tempo alargado de TV e o quase monopólio dos recursos financeiros, mas não deu certo. Pelo menos até o momento.

A se confirmar um segundo turno entre o capitão Bolsonaro e o ex-ministro Haddad, o Mercado e mídia monopolizada vêem-se entre jogar suas fichas inteiramente na aventura fascistoide ou buscar algum grau de entendimento com o candidato da aliança PT-PCdoB.

Ou o poder desse segmento hegemônico na elite dominante vem sendo politicamente mal exercido ou esse poder tem lá seus limites.

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