Um chamado ao voto em Haddad e à responsabilidade com a democracia


Em meio à onda conservadora e até mesmo reacionária que avança no país, na esteira da candidatura de Bolsonaro à Presidência, há resistências dignas de serem citadas e reproduzidas. A mais recente é o artigo de Rubens Ricupero, intitulado “O dever dos neutros”, publicado nesta quinta-feira (11), na Folha de São Paulo.

 

 Rubens Ricupero é diplomata e colunista da Folha de São Paulo  Rubens Ricupero é diplomata e colunista da Folha de São Paulo

Como o próprio título sugere, o diplomata busca chamar atenção para aqueles que ainda não definiram em quem votar. E de acordo com dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o número é grande. Mais de 29,9 milhões de pessoas, ou 20,33% do eleitorado, não compareceram às urnas no primeiro turno. Além daqueles que votaram em branco ou nulo. A polarização aguda, o clima de intolerância e de ódio, estimulado principalmente pelo candidato da extrema direita, leva parcela significativa dos eleitores e das eleitoras a renunciarem o direito ao voto.

Ricupero leva também seus leitores a ouvir e pensar além da histeria que virou qualquer debate sobre política no Brasil. Seja nas universidades, onde um estudante no Paraná já foi espancado por ser identificado “de esquerda”, seja nos bares, cenário do assassinato de Moa do Katendê, eleitor de Fernando Haddad assassinado a facadas em Salvador. Ele chama atenção para o discurso e o programa de governo de ambos os candidatos e aponta diferenças significativas entre eles.

Na síntese que faz das diferenças que separam Haddad de Bolsonaro, e vice-versa, diz haver um hiato entre a defesa da tolerância e civilidade na vida política e aqueles que a detratam. Ao indicar voto em Fernando Haddad e Manuela D’Ávila, diz: “Coloco-me ao lado dos promotores dos direitos humanos, da prioridade de combater a desigualdade, suprimir a miséria; sou contra os críticos de tais posições.”

Refuta qualquer indício de neutralidade diante das opções que estão colocadas no segundo turno. Ao buscar abrir a cortina que leva o olhar além do emaranhado de chavões e agressões entre eleitores de lado a lado, retira a tênue camada que impede parte da população compreender o que está em jogo à ponto de não se interessarem em fazer uma escolha.

No entanto, cobra ajustes no programa apresentado por Haddad. Sugere contribuições que na sua leitura seriam necessárias para que a candidatura do petista possa abrigar e liderar uma frente democrática.

Diante da ofensiva política e cultural que pretende fortes retrocessos civilizatórios, é bom contar com essa manifestação serena e responsável de quem passa longe das fileiras da esquerda no país. Um chamado claro para a defesa da democracia e do marco legal que a reabriu no país: a Constituição de 1988, ameaçada abertamente pelo candidato do PSL.

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