Aldo Arantes: Debate ou fake news?


O país está diante de uma inusitada e inaceitável situação. Caminhamos para as eleições sem que o povo brasileiro se beneficie do debate entre os dois candidatos que chegaram ao segundo turno.

O candidato Bolsonaro, alegando problemas de saúde, não se dispõe a ir ao debate. Agora sua equipe médica deixou a decisão por sua conta. Ou seja, após esta avaliação ele não poderá se escudar atrás de um atestado médico. Todavia já declarou que a razão real de não participar de debates é sua estratégia de campanha. Estratégia baseada na mentira e no não enfrentamento do seu oponente.

Se negando a participar dos debates, espalha notícias falsas na tentativa de ganhar a eleição na base da farsa. Fez isto intensamente no final do primeiro turno na tentativa liquidar a fatura. Um diretor do Datafolha declarou que o salto de Bolsonaro nas pesquisas, no primeiro turno, indica fraude. Não conseguindo seu objetivo agora aprofunda no caminho das mentiras.

Todos acompanhamos a enxurrada de fake news que tomou conta desta eleição. O caso mais vergonhoso se refere ao Kit Gay, já detectado como falso pelo Tribunal Superior Eleitoral. Manobra sórdida para convencer religiosos.

Steve Bannon jogou papel importante na campanha de Donald Trump, divulgando fake news e criando uma guerra cultural na base da mentira para assegurar a vitória de seu candidato. O filho do candidato Bolsonaro informou que procurou Bannon para assessorar a campanha de seu pai. O resultado está aí: uma campanha de mentira, ódio e intimidação.

A notícia mais recente foi divulgada pela Folha de São Paulo ao denunciar que “empresários bancam a campanha contra o PT pelo WhatsApp”, comprando pacotes disparados em massa contra o candidato do PT. A gravidade da denúncia decorre do caráter inconstitucional da utilização de recursos empresariais para financiar campanhas eleitorais. Tal financiamento, feito pelo ilegal caixa dois, teve por objetivo patrocinar milhões de fake news, impulsionados por robôs. Assim inundam as redes sociais de notícias falsas estimulando o ódio e a violência, adulterando o clima democrático que deveria presidir um pleito democrático.

Diante de tal notícia a coligação O Povo Feliz de Novo, do candidato a presidente Fernando Haddad, protocolou no dia 18, no Tribunal Superior Eleitoral, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL), pelo crime de abuso de poder econômico, pela disseminação em massa de notícias falsas pelo WhtsApp.

A ação se volta não só contra Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, como contra o empresário Luciano Hang, dono da Havan, e as empresas Quick Mobile Desenvolvimento e Serviços Ltda., Yacows Desenvolvimento de Software Ltda., Croc Services Soluções de Informática Ltda., Smsmarket Soluções Inteligentes Ltda., e contra o próprio Whatsapp Inc, que pertence ao Facebbok.

A sociedade brasileira aguarda medidas enérgicas por parte do Tribunal Superior Eleitoral e do Ministério Público no sentido de resguardar a transparência das eleições. O País não pode aceitar passivo que a eleição ocorra neste clima e que o resultado eleitoral seja fruto de uma fraude.

Uma outra grave questão está colocada diante da sociedade: a falta de debate entre os candidatos. Não podemos caminhar para as eleições sem que os candidatos se apresentem ao povo para um debate onde possam confrontar os dois caminhos que estão colocados para a opção dos brasileiros. E que a opção se faça calcada nos fatos e não em mentiras, em fakes.

Não é aceitável que o candidato Bolsonaro não participe dos debates. Agora já não existe mais a desculpa da saúde. O Datafolha divulgou pesquisa em que 73% do povo brasileiro considera que ele deve participar dos debates. A negativa é a confirmação de sua atitude antidemocrática.

É estranho que os meios de comunicação não hajam no sentido de forçar o debate. Eles deveriam existir para bem informar a sociedade, sobretudo numa hora tão decisiva como esta.

Cabe aos diversos segmentos da sociedade desenvolver uma ação coordenada exigindo que o debate seja feito. Não podemos ficar passivos diante desta grave situação.

Sem dúvida a evolução do quadro eleitoral do país está relacionada com os interesses do neoliberalismo. O poder econômico se apoia no candidato que defende suas teses para que ele adote medidas radicais contra os direitos sociais, o patrimônio público e a democracia. O objetivo destes segmentos é impor sua política não se importando a que preço.

O neoliberalismo é incompatível com a democracia. Por isto não tem nenhum pudor em apoiar um candidato que afirma que atropelará a democracia. A história já comprovou que Hitler contava com sólido apoio do empresariado alemão.

A ofensiva dos fake news, nestes últimos dias, visa tentar transmitir uma falsa ideia de que o resultado das eleições já está dado. Querem quebrar nossa disposição de luta.

Continuaremos lutando com firmeza até o resultado final. E a luta continuará após as eleições, independentemente do resultado.

A consolidação de um grupo de extrema direita, de cunho fascista, coloca a democracia brasileira em cheque e exige uma firme resposta dos democratas.

*Aldo Arantes é coordenador nacional da ADJC (Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania, membro da Executiva Nacional da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) e membro do Comitê Central do PCdoB.

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