Editorial Vermelho: Bolsonaro escancara, se eleito, volta a ditadura


Se havia ainda alguma máscara sobre o que representa o candidato presidencial Jair Bolsonaro, ela acaba de cair. Seu vídeo exibido em telões na Avenida Paulista neste domingo (21), na cidade de São Paulo, é mais uma prova contundente do quanto a democracia corre efetivo risco.

De acordo com o candidato da extrema direita, o jornal Folha de S. Paulo, que denunciou o gigantesco esquema de recursos financeiros injetados em sua campanha por empresários via “caixa dois” para disparar avalanches de notícias falsas, as chamadas fake news, vai pagar caro pelo que fez. “A Folha de S.Paulo é a maior fake news do Brasil. Vocês não terão mais verba publicitária do governo”, afirmou Bolsonaro.

“Imprensa vendida, meus pêsames”. Sentenciou. Traduzindo: liberdade de imprensa, adeus!
Ao prometer, se eleito, fazer “uma limpeza nunca vista na história desse Brasil”, varrendo “do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil”, o candidato da extrema-direita reafirmou também suas recorrentes ameaças à liberdade de organização partidária, de manifestação de pensamento e de opção política. Brandindo suas ideias totalitárias, Bolsonaro ameaçou pôr sob seu tacão todos os que se opuserem aos ditames da sua eventual governabilidade fascista.

“Essa turma, se quiser ficar aqui, vai ter que se colocar sob a lei de todos nós. Ou (então) ou vão para fora ou vão para cadeia”.

Não há, em suas palavras, meio termo ou margens para se dizer que o país não estará, num hipotético governo bolsonarista, diante de um regime ditatorial. Ele anuncia, abertamente, que de nada valerão as garantias constitucionais sobre as liberdades de imprensa, de manifestação e de organização política.

O candidato fascista já havia dito, em outra ocasião, que seu governo acabaria com todos os ativismos do Brasil, quer dizer, criminalizaria os movimentos sociais.

Outro fato grave, nessa linha protofascista, é a fala do filho do candidato da extrema direita, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que ameaçou os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) caso eles decidam fazer algum tipo de questionamento à candidatura bolsonarista, chegando ao ponto de cogitar o fechamento da instituição. Tal o pai, tal o filho…

Não foi um fala fortuita, como ele tentou dizer ao justificar suas palavras. Há um encadeamento nesses pronunciamentos, formando uma equação que apresenta como denominador a destruição da Constituição, da qual o STF é o seu guardião.

Além da afronta à liberdade de imprensa, anunciado por Jair Bolsonaro na manifestação da Avenida Paulista, há na sua promessa de simplesmente atropelar o “Título II” da Carta Magna, o dos direitos e garantias fundamentais, no caso específico o seu “Capítulo V”, artigo 17, que assegura a liberdade partidária.

São duas questões-chaves da democracia ameaçadas pelo clã protofascista; as liberdades de imprensa e de organização política, o direito à manifestação de pensamento.

Diante dessa gravíssima ameaça, agora reiterada com todas as letras, na reta de chegada da votação final das eleições presidenciais, não há como haver desculpas sobre escolher entre a democracia e o arbítrio. Forjou-se o clima propício para esse tipo de degeneração ética e política, mas o momento é de invocar as responsabilidades cívicas de todos os democratas e patriotas para evitar que o país caia nas garras desses algozes das liberdades conquistadas nas duras jornadas que construíram o caminho do progresso civilizatório no Brasil.

Grandes empresários, rentistas, banqueiros, dobram seus “investimentos” na campanha de Bolsonaro. Estão seduzidos pela ideia de que um governo autoritário, disposto a usar a violência contra o povo, irá assegurar seus fabulosos ganhos.

Alguns setores da sociedade e mesmo personalidades que têm o dever de estar na linha de defesa da democracia minimizam essas ameaças, tratando os próceres do bolsonarismo como cães vira-latas que latem e não mordem. Grande erro!
Mas, como disse o poeta e músico, Arnaldo Antunes: mas, ainda há tempo.
Mais do que nunca a realidade exige um posicionamento firme, sem vacilo, sobre os destinos do país que emergirá das urnas do dia 28.
A encruzilhada nunca esteve tão nítida: democracia ou ditadura; soberania ou entreguismo; direitos ou escravidão.
A resposta a tão grave ameaça é trabalhar e votar pela vitória da chapa Haddad-Manuela; é agregar, reunir, por em movimento amplas forças em defesa da democracia!

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