Elias Jabbour: O Brasil vencerá novamente?


Meus alunos sabem de cor e salteado o apreço que tenho pelas teorias dos ciclos, notadamente as “Ondas Largas da Conjuntura” de Nikolai Kondratiev. Na verdade, como as bruxas, os ciclos de Kondratiev, são motivo de desprezo ao primeiro olhar. Mas todos sabem que existem. Não existiria sentido falar em organismo econômico e social fora desta descoberta científica, tudo se renova. Logo, guarda regularidades. Leis e lógicas. No subjetivo, acreditar nos ciclos, mesmo nos “juglarianos”, já é suficiente para dar validade conceitual e teórica à dialética. Em linguagem popular, nada é eterno. Muito menos o Bolsonaro.

A resposta à pergunta feita de título está na história.Em todos os momentos decisivos de nossa história, coincidentes ao início da fase descendente de cada “Kondratiev” formaram-se maiorias heterogêneas que levaram o país a um passo adiante. Sendo mais sincero, a meio adiante. Entre meias revoluções declaramos nossa Independência em 1822, vieram a Abolição-República em 1888-1889 e a Revolução de 1930. O que poderia se repetir no início da década de 1980, converteu-se em um plano de “estabilização” (Cruzado), cujo fracasso previsto por um profeta desarmado tupiniquim (Ignacio Rangel) abriu o caminho à contrarrevolução em 1989 com a eleição de Collor e a eleição e reeleição de FHC. A cada giro do parafuso do ciclo longo, mais difícil ia tornando-se o caminho a seguir de nosso país no rumo da construção de um Capitalismo de Estado brasileiro, antessala ao socialismo em nossa terra.

A farsa neoliberal não resistiu muito. Novamente uma grande maioria heterogênea uniu-se em torno de Lula, o Brasil voltou a vencer em 2002, 2006, 2010 e 2014. Aos trancos e barrancos o caminho proposto pelo gênio de Ignacio Rangel voltava a fazer sentido. O país se reergueu, assumiu uma posição à altura de seu tamanho no mundo. Cresceu, desenvolveu. Sem pequenas contradições e problemas. Mas capaz de manter a direita antinacional e antipopular numa defensiva histórica. Mas não acumulamos força e convicções estratégicas suficientes para compreender que o inimigo principal (imperialismo) já estava pronto à tentativa de retomar seu “quintal” (América Latina), com o Brasil como peça-chave de um dominó caindo. Peça por peça. O que era luz fez-se sombra e talvez estejamos vivendo o pior momento de nossa história desde a vinda da família real ao país em 1808.

O Brasil vencerá novamente? Não será fácil. Não mesmo. Mas sinais de verdades historicamente comprovadas surgiram. A soberba do candidato do campo fascista sob forma de um ataque direto às instituições, à democracia e aos próprios valores nacionais de generosidade e tolerância fez tocar o sinal de alerta. Em três dias um novo campo político heterogêneo e de caráter democrático surgiu no Brasil. Ignacio Rangel volta aos meus pensamentos. Como próprio dizia, “(…) o Brasil é useiro e vezeiro em acertar por equívoco (…). Se estivermos certos no fundamental – ou seja, se acreditarmos no país – iremos corrigindo os erros currente calamo”.

Se estivermos certos no fundamental, não tenho dúvidas de que o Brasil vencerá no domingo. Mas sem antes de muita luta, de muitas lágrimas, de muita conversa, paciência e generosidade. O povo não quer o fascismo. Certamente faremos jus e história. A mesma história feita da união entre índios, negros e portugueses contra a invasão holandesa entre 1648/49. Onde se fez o cimento da nacionalidade. É com o espírito do genial economista marxista maranhense e a memória de Guararapes em mente que poderemos dizer com toda certeza: o BRASIL VENCERÁ NOVAMENTE. Só depende de nós!

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