Haroldo Lima: O novo chanceler é exótico, bizarro, primário e grosseiro


Está a léguas do Itamaraty.

Pessoal do Nocaute,

Em questões da política externa do seu futuro governo, o presidente eleito Jair Bolsonaro já acumula declarações e feitos desastrosos.

Criticou a China, maior parceira comercial do Brasil, e recebeu da mesma uma resposta ríspida.

Disse que o Mercosul não terá prioridade no seu governo, apesar da Argentina ser o país do bloco que mais compra produtos industrializados do Brasil.

Anunciou que em Israel vai mudar a embaixada do Brasil para Jerusalém, como fez Trump com a embaixada dos Estados Unidos contestando a ONU. Parece que dessa posição ele já recuou.

Prometeu tirar o Brasil do Acordo de Paris, assinado por 195 países pela defesa do meio ambiente, acordo que Trump tirou os Estados Unidos.

Bolsonaro segue as pegadas de Trump, por isso que foi chamado em um programa humorístico da TV holandesa de “O Trump dos Trópicos”.

No último dia 14 ele indicou para as Relações Exteriores Ernesto Araújo, um funcionário de terceiro escalão do Itamaraty. O mal-estar foi grande, mas teve problema maior.

Bolsonaro havia dito que sua política externa não teria viés ideológico, mas o Ernesto Araújo tem um viés ideológico acentuado, fecha com as ideias com o ultra direitista residente nos Estados Unidos Olavo de Carvalho, que foi quem indicou seu nome a Bolsonaro.

A direita brasileira é conservadora, reacionária, atrasada, mas diversos de seus líderes tem cultura, sobriedade e capacidade sofisticada de elaboração. As posições de Ernesto Araújo não são propriamente da direita, situam-se no campo das formulações exóticas, bizarras, primárias, além de grosseiras, a léguas de distância da tradição de equilíbrio e finura que notabiliza o Itamaraty.

A revista Exame relaciona alguns dos fantásticos pensamentos do Ernesto Araújo.

Diz ele: “Quero ajudar o Brasil e o Mundo a se libertar da ideogia globalista. Globalismo é a globalização econômica que passou a ser pilotada pelo marxismo cultural”.

Diz mais: “A mudança climática é um dogma científico influenciado por uma cultura marxista que quer atrapalhar o ocidente e favorecer a China”.

Opa! Aí está o eixo de seu pensamento. O ocidente para ele são os Estados Unidos, que precisariam ser defendidos contra o que ele chamou de “a China maoísta que quer dominar o mundo”. Sua política externa seria atrelada a essa defesa dos Estados Unidos.

Em outra passagem diz que a crítica às Fake News passou a ser um pretexto para censurar e calar as vozes que tentam trazer ao público a realidade que a grande mídia controlada pela esquerda desprezou.

Concluir que a grande mídia é controlada pela esquerda é uma alucinação, um delírio. A indicação do Ernesto Araújo para o Itamaraty tem despertado resistência inesperada, sobretudo dos diplomatas. Se essa indicação se concretizar será um vexame para o Brasil.

Publicado no site Nocaute

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