Eduardo Bonfim: A política é quem comanda


O mundo vive uma época de convulsões, de rupturas políticas em várias latitudes que vêm se acentuando rapidamente nesses últimos anos. A base desses cataclismos reside em uma crise financeira, econômica global, de grande magnitude, muito mais que mudanças culturais, comportamentais ou ideológicas que são alardeadas como o centro do que presenciamos.

Por Eduardo Bonfim*

 

 

Dito de outra maneira a crise financeira global, iniciada em 2008, é o centro das encruzilhadas de rumos com que se deparam as nações nas primeiras décadas do século XXI.

Nas condições atuais de uma espetacular concentração, centralização do capital financeiro, especialmente o especulador e parasitário que não investe na produção, a contínua queda do crescimento econômico para escalas ridículas, ou mesmo nulas, a debacle da economia dos Países tem sido brutal.

Em consequência, passamos a viver uma era de profundas incertezas nas sociedades e nos indivíduos. Essa é, na verdade, a mãe de todas as crises humanitárias na segunda década do novo milênio.

Nessas circunstâncias, quem primeiro é atingido é a produção, o crescimento econômico, o desenvolvimento das nações, em consequência a precarização do trabalho, o desemprego em massa, a subutilização da capacidade dos investimentos na formação da mão de obra etc.

Quando afirmam que um aplicativo qualquer proporciona a quem tem um carro poder ter uma oportunidade no mercado, usando-o como uma nova forma de táxi, mesmo que o proprietário possua formação técnica ou superior, é no mínimo uma brincadeira de mau gosto, ou um esbulho para com as necessidades de força de trabalho de uma sociedade sob o falso manto das novidades implementadas pelas novas tecnologias. É desemprego disfarçado!!

Mas as pessoas se acostumam a tudo, mesmo sofrendo, com as justificativas “teóricas” e midiáticas sobre os “novos tempos”, a “quarta revolução industrial”, mesmo verdadeira. A necessidade da sobrevivência a qualquer custo, na lei da selva, se impõe a fórceps.

Não há desenvolvimento científico, tecnológico, justificável sem a contrapartida humana. O que estamos vivendo é uma mentira deslavada imposta às sociedades. Não acreditem nessa farsa.

O que está em curso é a brutal desumanização do indivíduo, transformado unicamente em consumidor de tecnologias, desprovido de direitos elementares que cada vez mais lhes são subtraídos em plena luz do dia sob argumentos de redução dos gastos supérfluos. O que existe é a contínua concentração do capital especulativo, a redução dos custos em investimentos e em mão de obra.

A diretriz econômica é definida pela estratégia política hegemônica. E essa hegemonia política hoje é ditada pelo Mercado financeiro em escala global. Na sua esteira há os ideólogos que passam a “justificar”, ou até enaltecer, a realidade como um passo a frente na escala da sociedade. Com o apoio da grande mídia hegemônica associada às diretrizes desse próprio “Mercado”.

Para fomentar a desunião impõe-se uma agenda global diversionista, mesmo que auto justificável em vários aspectos, onde o conjunto da sociedade é pautada por disputas atomizadas, fragmentárias em escalas ad infinitum em suas subdivisões. As chamadas Agendas Identitárias.

Assim, as energias são gastas em lutas e ódios internos sistemáticos, enquanto prossegue a estratosférica acumulação do capital financeiro, a pauperização das sociedades raras vezes presenciada nesse nível de grandeza.

A dita fórmula da liberalização radical e inevitável da economia nada mais é, no geral, que a apropriação deliberada dos bens sociais e estatais comuns de uma nação, um povo, a serviço de megacorporações internacionais de setores estratégicos e das finanças especulativas globais.

Vivemos uma era da alienação material e mental das sociedades em escala jamais vista na História humana. Alienação das riquezas, cultural, espiritual, das identidades dos povos, alienação do trabalho, alienação do futuro, e a apologia do presente contínuo.

O que se pretende pela via do capital financeiro, do Mercado, é que o mundo da política cuide dessa tarefa impossível. Associar a imprescindível vida política que rege e orienta as sociedades, com os mecanismos alienantes impostos. Daí a crescente perda de substância e credibilidade da via política que vai sendo nivelada pelo mais tosco pragmatismo.

É por isso que afirmam, com razão, que a democracia e a globalização do rentismo predador são incompatíveis, já que a segunda tende a anular ou destruir a primeira. É só uma questão de tempo.

As soluções autoritárias começam a ser uma coisa “natural”. Mas nada disso é natural, é uma imposição brutal aos povos, às nações, às sociedades. As saídas totalitárias são as formas superiores de alienação humana, coletiva e individual.

Estamos presenciando uma crise econômica, financeira, civilizacional descomunal, catastrófica, promovida pela política da globalização do capital especulativo, das megacorporações mundiais.

As alternativas a esse cenário dramático só poderão acontecer pela via de novas orientações e um novo rumo da Política, porque é a política quem sempre está no comando das decisões na História das sociedades.

Em uma encruzilhada dessa magnitude é fundamental a necessidade de novas formulações e rumos que ajudem aos povos a construir alternativas que sejam favoráveis ao amplo desenvolvimento econômico, o progresso construtivo às nações, às sociedades e aos indivíduos.

 *Eduardo Bomfim é advogado e ex-deputado federal pelo PCdoB-AL

Fonte: Blog do autor

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