De Goebbels a Bolton: velhos e novos fascismos


A Alemanha de Hitler do século XX e o império hegemônico do “novo momento americano” do século XXI têm em comum a prática de mentir como arma de primeira linha nos seus objetivos de domínio global, em ambos os casos orientados por fanáticos inescrupulosos, praticantes da mentira pré-fabricada para a subsequente punição de ataques com armas.

por Francisco Arias Fernández
publicado originalmente no site do Iela

Foto: AKV-Images

Joseph Goebbels - Foto: AKV-Images Joseph Goebbels – Foto: AKV-Images

Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha de Adolfo Hitler, é considerado um dos maiores manipuladores da história por ser o encarregado de expandir, enaltecer e gerir a ideologia genocida nazi e a informação sobre os seus crimes.

Utilizou os meios de comunicação para proporcionar informação tendenciosa, o que facilitou o controlo e o domínio do regime fascista sobre a população das diferentes zonas em que se estabeleceu durante a Segunda Guerra Mundial. Além disso fomentou o medo e incitou a população contra determinadas entidades coletivas, usando indistintamente a radio, os jornais e o cinema.

Entre os métodos prediletos de Goebbels sobressaem a individualização e agrupamento dos adversários, na ideia de que se trataria de um único inimigo e a criação de elementos inventados, mas verosímeis para provocar a confusão, centrando a atenção em aspetos alheios aos fatos reais (como quando uma batalha era perdida), o exagero de situações para transformá-las em ameaças, o silenciamento das notícias que pudessem favorecer opiniões contrárias ao estipulado. Havia também a pretensão de comunicar o que se supunha ser a opinião maioritária a fim de favorecer a adesão à informação transmitida e a adaptação das informações ao nível popular.

O precedente nazi é o mais parecido com o fascismo e o terrorismo mediático de hoje quanto a métodos, com a vantagem atual da velocidade e imediatismo da informação, diversidade de meios, capacidade de multiplicação, mobilização, interação, concertação e subordinação global aos ditames do império hegemónico, dono do monopólio dos media (rádio, imprensa, televisão e internet), repartidos por um punhado de empresas americanas com parceiros multimilionários nos países aliados.

Desde princípios da década atual, a informação e o entretenimento no planeta estão controlados por dez supergrupos mediáticos dos EUA, que nos últimos tempos tendem a concentrar-se ainda mais com as denominadas megafusões que dominam o mundo editorial, a música, o cinema, a produção e distribuição de conteúdos de televisão, teatro, internet e parques de diversões tipos Disney World.

De acordo com a classificação das 50 maiores empresas mediáticas do mundo, o consumo diário de entretenimento e informação é gerado pelas primeiras cinco e mais influentes empresas do mercado global: Comcast, The Walt Disney Company, News Corp Ltd. / 21st Century Fox, Direct tv-llc e Time Warner Inc.

Washington dirige os escalões da estrutura tecnológica, político-diplomática, económica, militar e do conjunto de serviços secretos que impulsionam os fios da rede global de operações encobertas, influências hostis e fabricação de mentiras, que mais tarde se tornam crimes consumados, factos e notícias que se destacam na imprensa mercantil dos nossos dias.

Coincidências dos manipuladores

Outra semelhança entre o antigo e o novo fascismo reside nas características das personagens que estabelecem a manipulação da informação e a repetição de mentiras ontem e hoje, embora a história os coloque em posições e países diferentes.

A Alemanha de Hitler do século XX e o império hegemónico do “novo momento americano” do século XXI têm em comum a prática de mentir como arma de primeira linha nos seus objetivos de domínio global, em ambos os casos orientados por fanáticos inescrupulosos, praticantes da mentira pré-fabricada para a subsequente punição de ataques com armas.

No caso dos EUA, para essa missão, Donald Trump precisava de alguém mais retrógrado do que ele e ao mesmo tempo adepto incondicional, assim como Goebbels em relação a Hitler. No caso de John Bolton, Conselheiro Nacional de Segurança, o sinal mais recente é que ele esteve sempre do seu lado quando repetidos conflitos internos e públicos se desencadearam com outros assessores.

Investigadores do perfil psicológico de Goebbels apontam para situações difíceis na sua infância e problemas físicos que o transformaram numa pessoa que interiorizou uma má imagem de si mesmo, às vezes chamada de “nojento” ou “pobre diabo”. Pura coincidência, Bolton nas suas memórias definiu-se como um excêntrico, um “alienígena” nos seus dias de estudante universitário, quando nas salas de aula de Yale todos, exceto ele, eram contra a Guerra do Vietname.

A imprensa americana também destacou a peculiaridade deste super assessor, definindo-o como o “mais hostil” embaixador dos EUA na ONU. Deve notar-se que este epíteto veio antes da nomeação da embaixadora Nikki Haley, protagonista de shows fascistas e anti-diplomáticos contra Venezuela, Nicarágua, Irão, República Popular Democrática da Coreia, Rússia, China, Cuba e muitos outros, nos quais se salientou a sua estreita amizade com os congressistas da máfia anti-latino-americana da Florida, seus chefes terroristas e mercenários.

O regresso do Condor?

Com a chegada de Bolton ao Conselho Nacional de Segurança, o comportamento desastroso do Presidente, a integração num gabinete de guerra e num Conselho de Segurança Nacional com praticantes de tortura, mentiras, racismo, chantagem e agressão, com um Partido Republicano acusado de colocar seus princípios à venda, a “grande imprensa” do país denunciou que os americanos nunca foram “governados por pessoas menos confiáveis em toda a história de nossa nação”, como reiterou o influente The New York Times que faz parte do arsenal imperial na sua guerra pelo domínio global.

Preocupados com a onda de intolerância, xenofobia e populismo que se espalha por diferentes cantos do planeta, desencadeada pela política do centro imperial e de seus governantes, alguns perguntam-se se na Europa Donald Trump, Jair Bolsonaro ou a direita radical europeia, conseguirão reeditar o fascismo, o racismo e a homofobia, que afetaram até não há muito o Velho Continente, baseados em denominadores comuns e no uso de meios de propaganda, que têm analogias com os postos em prática por Joseph Goebbels.

Bolsonaro recebe o americano John Bolton, a quem bateu continência

A onda mediática da extrema direita neofascista, denunciada nos EUA e em todos os continentes, ataca personalidades e partidos dos seus próprios países, governos socialistas, defende políticas anti-imigração e declara-se abertamente doentiamente anticomunista, promovendo inclusivamente novas alianças extremistas com governos autoritários de subserviência a Washington, como a recente cimeira conservadora das “Gusaneras”, organizada por Eduardo Bolsonaro, filho do presidente eleito brasileiro.

Desde a sua cama, qual trono do ditador que chega, o capitão Jair Bolsonaro, incentivado por terroristas de origem venezuelana, da Nicarágua e de Cuba, a partir de Miami, recordou-nos Augusto Pinochet, Alfredo Stroessner, Anastasio Somoza e muitos outros, com uma chamada para “unir esforços para combater o comunismo na região” e enfrentar “os objetivos do Fórum de São Paulo”. Recentemente, num erro histórico, disse que o Brasil não sabia o que era uma ditadura.

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