Ao diminuir salário mínimo, Bolsonaro mostra para quem irá governar


Apesar de chocante e absolutamente desprezível, a decisão do presidente Jair Bolsonaro de adotar como primeira medida de seu governo a diminuição do salário mínimo não chega a surpreender. Desde o início da campanha eleitoral, ao abraçar o ultraliberalismo econômico, ele dexiou claro que seu governo seria para beneficiar os mais ricos, arrochar os trabalhadores e acabar com qualquer vestígio de justiça social.

Reprodução

Salário mínimo mais baixo vai afetar negativamente o bolso de quase 48 milhões de trabalhadoresSalário mínimo mais baixo vai afetar negativamente o bolso de quase 48 milhões de trabalhadores

 

A primeira medida concreta assinada pelo presidente Jair Bolsonaro foi arrancar dos aposentados e dos trabalhadores mais pobres uma parte do salário a que eles teriam direito em 2019. O orçamento aprovado pelo Congresso Nacional previa um salário mínimo de R$ 1.006,00, mas um decreto assinado por Bolsonaro e publicado nesta terça-feira (1º) em edição extra do Diário Oficial da União fixou o salário mínimo em R$ 998,00 neste ano, R$ 8 a menos do que o previsto.

De acordo com informações do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese), o salário mínimo serve de referência para o rendimento de cerca de 48 milhões de trabalhadores no Brasil.

Segundo a Constituição de 1988 o salário mínimo também serve como piso de referência dos benefícios da Seguridade Social – que incluem Previdência, assistência social e o seguro-desemprego.

Segundo cálculos do Dieese, porém, o salário mínimo “necessário” para despesas de uma família de quatro pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, seria de R$ 3.959,98 ao mês em novembro deste ano.

O reajuste do salário mínimo obedece a uma fórmula que leva em consideração o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes e a variação da inflação, medida pelo INPC, do ano anterior. O ano de 2019 é o último de validade da atual fórmula de correção do mínimo, que começou a valer em 2012. A equipe de Bolsonaro ainda não explicou qual será sua proposta para o salário mínimo de 2020 em diante.

Repercussão negativa


Em artigo publicado no Jornal do Brasil, a jornalista Tereza Cruvinel lembra que todos os presidentes do Brasil Democrático, ao tomarem posse – começando por Tancredo Neves, cujo de discurso foi lido por José Sarney, pois fora operado na véspera – fizeram referências à pobreza, à desigualdade e à busca de justiça social. “Estas expressões não apareceram nas duas falas de Jair Bolsonaro ao ser empossado ontem”. A redução do salário mínimo explica bem a razão disso.

O ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que disputou o segundo turno com Bolsonaro nas eleições presidencias, também comentou, em tom de galhofa, a bizarra decisão do presidente. “Povo começou a se libertar do socialismo: salário mínimo previsto de R$ 1006,00 foi fixado em R$ 998,00. Sem coitadismo. Selva!”, escreveu Haddad em sua conta no Twitter.

A ironia de Haddad, ao falar em “coitadismo”, faz referência a declarações de Bolsonaro durante a campanha eleitoral e mesmo antes de ser candidato a presidente sobre acabar com o que ele mesmo chama de coitadismo das minorias, ao dependerem de políticas inclusivas do governo federal.

A ex-deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) também criticou o decreto presidencial. Em sua conta no Twitter, Manuela registrou que “a diferença de R$ 106,6 por ano faz muita diferença para quem ganha o mínimo”:

Manuela

@ManuelaDavila

O reajuste do salário mínimo é decretado nos últimos dias de dezembro, mas Temer decidiu delegar o assunto ao seu sucessor. Resultado: aumento abaixo do previsto. A diferença de R$ 106,6 por ano faz muita diferença p quem ganha o mínimo .

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O PT decidiu apresentar um decreto legislativo para garantir os R$ 8 a mais no mínimo. O decreto tem grandes chances de ser aprovado e, caso isso aconteça, será uma primeira e constrangedora derrota política do presidente recém-empossado.

Da redação, Cláudio Gonzalez, com agências

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