Eron Bezerra: A violência tende a ser a marca do governo Bolsonaro


E essa violência não será apenas contra seus adversários, como eles, aliás, fazem questão de enfatizar. Ela será principalmente contra o povo, em particular contra seus direitos, como acaba de ser demonstrado com a redução do já minguado salário mínimo pelo 3º ano consecutivo.

Sem qualquer pudor o deputado do DEM que assumiu a casa civil exonerou toda a sua equipe de assessores para, segundo ele, despetizar (!) o ministério. Foi lembrado por todo mundo que são eles (Temer-Bolsonaro) que já governam por quase 03 anos logo, se ainda tem algum petista por lá, deve ser do estilo Joaquim Levy (ex-ministro da fazenda de Dilma, recém empossado no BNDES de Bolsonaro).

A ministra da cidadania, esquecendo que não está num atividade circense, organiza seus assessores para bradar, em coro mambembe, que menino veste azul e menina veste rosa. Marotos, explodem em gargalhadas, certamente rindo da redução do salário mínimo que seu chefe acaba de decretar contra os trabalhadores.

E para demonstrar, inconteste, que seus assessores nada mais fazem do que repetir a linha geral imposta por ele, o chefe, Bolsonaro sapeca que vai acabar com o socialismo e o politicamente correto.

Basta! Até mesmo porque está claro que eles não podem ser tão ignorantes. Trata-se de uma tática diversionista, que visa levar o debate para as questões secundárias enquanto seus assessores econômicos dilapidam o país e os trabalhadores.

Tratemos apenas de um exemplo dessa virulência contra o povo: o salário mínimo.

Havia no país uma política de valorização real do salario mínimo, aprovada quando a esquerda governou o país, o que fez com que ele evoluísse de algo como 70 dólares, no governo FHC, para algo como 300 dólares ao final do governo Dilma Rousseff.

Infelizmente, desde que esse grupo assumiu o governo, o salário mínimo tem ficado abaixo do valor estimado na lei orçamentária, ou seja, vem sendo sistematicamente reduzido. No período de 2017 a 2019 a supressão foi de 8,80; 11,00 e os atuais 8,00 reais.

O valor total suprimido dos mais pobres, dos 48 milhões de brasileiros e brasileiras que tem suas rendas vinculadas ao salário mínimo, é da ordem de 35 bilhões de reais nos últimos 3 anos, sendo que algo como 5 bilhões será apenas relativo a 2019. Esse foi o presente de ano novo de Bolsonaro ao trabalhador mais pobre. Reduzir seu salário dos já modestíssimos 1.006 reais, como for a aprovado pelo congresso, para 998 reais.

É uma dupla crueldade contra o trabalhador pois penaliza os mais pobres para assegurar privilégios aos especuladores financeiros, os quais terão assegurado, em 2019, mais de 1,5 trilhão de reais para pagamentos de juros e a rolagem do serviço da dívida.

Sempre restará alguém para argumentar que sua pauta era conhecida e que ninguém poderia alegar desconhecimento de suas pretensões. É verdade. Eu mesmo tratei desse assunto em outra coluna. Mas é igualmente sabido que boa parte de seus eleitores imaginavam que isso não passava de retórica para ganhar as eleições.

A parcela que tinha plena consciência de que ele era um projeto gerido a partir do departamento de estado americano nessa cruzada contra tudo que soa a progresso, era restrita ao seu núcleo duro (mercado, elite das forças armadas e uma parcela do judiciário e do ministério público).

* Professor da UFAM, Doutor em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, Coordenador Nacional da Questão Amazônica e Indígena do Comitê Central do PCdoB.

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