Manuela d’Ávila recebe honraria: “Exemplo de participação política”


A ex-deputada estadual e federal Manuela d’Ávila (PCdoB) voltou à Assembleia Legislativa, onde exerceu mandato até o ano passado, desta vez como homenageada com o prêmio Mulher Cidadã, concedido nesta quarta-feira (13). A honraria foi entregue também a outras seis mulheres de diferentes áreas, como parte da programação do Legislativo gaúcho em relação ao Dia da Mulher, comemorado no último dia 8.

Foto: Vanessa Vargas/ PT Sul

Manuela d’Ávila recebe troféu Mulher Cidadã: Manuela d’Ávila recebe troféu Mulher Cidadã: “Exemplo de participação política”

Ela recebeu o troféu na categoria “Promoção da Participação Política da Mulher” e foi indicada pela bancada do PT na Assembleia. Ao anunciar o nome de Manuela, a cerimonialista apontou que ela “traz como marca a luta feminista”, citando sua trajetória política. Nas últimas eleições, Manuela não disputou a reeleição como deputada porque optou por concorrer ao cargo de vice-presidente na chapa composta pelo seu partido e pelo PT, ao lado de Fernando Haddad.

As homenagens foram prestadas após sessão solene que também teve como tema as mulheres e foi presidida por Zilá Breitenbach (PSDB), vice-presidente da Assembleia. As nove deputadas estaduais se pronunciaram na tribuna, assim como alguns deputados. Em suas falas, elas destacaram a luta das mulheres por igualdade e mencionarem a representatividade política feminina – mesmo que atualmente se tenha o maior número de mulheres na história do Legislativo gaúcho, elas ainda correspondem a menos de 20% do Parlamento.

A deputada Sofia Cavedon, única mulher na bancada do PT, representou o partido ao discursar sobre a trajetória de Manuela, justificando a escolha da ex-deputada para receber o prêmio. “Desde a juventude [Manuela] já mostrou seu perfil intenso de comprar muitas brigas, de aceitar desafios e não fugir deles”, colocou Sofia, lembrando da trajetória da colega de partido na militância estudantil.

Devido a sua trajetória no movimento secundarista e universitário, Manuela se tornou conhecida da população gaúcha muito jovem, sendo eleita vereadora de Porto Alegre aos 22 anos, a mais jovem da história. Em 2010, foi a deputada federal mais votada no Rio Grande do Sul, e por duas vezes concorreu à Prefeitura de Porto Alegre, “encorajando muitas mulheres a pensarem no destino da nossa cidade”, segundo Sofia.

Em 2014, optou por votar ao Estado e se elegeu deputada estadual, assumindo a cadeira em 2015, ano em que nasceu sua primeira filha, Laura. “Em 2015, tem início uma nova revolução na sua vida, a ‘revolução Laura’. E nós sabemos o quanto Manuela sofreu preconceito, mentiras e discriminação por assumir a luta das mulheres e das mães”, lembrou Sofia, fazendo referência ao nome do livro agora lançado por Manu sobre a maternidade.

Desde o nascimento de Laura, Manuela passou a levar a pequena em sessões legislativas e atividades parlamentares, levantando a bandeira da participação das mães em espaços públicos e políticos. A filha também esteve presente em alguns momentos da campanha para as eleições presidenciais de 2018.

“Ela estaria aqui com toda a certeza reeleita se não tivesse aceitado o desafio de se candidatar ao lado do professor Fernando Haddad em um momento muito difícil da política desse país, no qual foi atingida por muito ódio, muita mentira, discriminação, situações de violência, intolerância, machistas. E o objetivo não era atingir só a Manuela, mas sim as mulheres na política, a esquerda, os partidos políticos”, disse Sofia.

Ao longo de sua trajetória política, Manuela tem sido alvo de difamação e mentiras nas redes sociais, o que já se via quando ela disputou eleições municipais, mas se agravou na disputa ao governo nacional. Juntamente com os ex-colegas de Parlamento Jean Wyllys (PSOL, hoje fora do país) e Maria do Rosário (PT), ela é um dos alvos preferidos do discurso de ódio da extrema-direita. Até hoje, ainda é atacada em comentários de postagens diariamente no Twitter, Instagram e Facebook, e recentemente criou o Instituto “E se fosse você?”, focado no debate sobre fake news e redes de ódio.

Esses desafios, porém, não a impediram de seguir lutando, conforme apontou Sofia, por uma sociedade igualitária. “Se tiramos algo desse período é que nós somos maiores que isso, que o Brasil reivindica democracia, e o teu papel não terminou, ele foi extremamente relevante. E tu com a tua história mostrou para muitas mulheres que o lugar de mulher é onde ela quiser”, afirmou Sofia. A parlamentar petista foi também quem entregou o troféu para Manuela.

Além de Manu, outras seis mulheres também receberam o troféu.

Leia um pouco sobre suas trajetórias:

Desembargadora Tânia Regina Silva Reckziegel: mestre em Direitos Sociais e Políticas Públicas pela Universidade de Santa Cruz do Sul, com dissertação intitulada “Lei Maria da Penha: política pública para erradicação da violência contra a mulher, construção da cidadania e afirmação dos direitos humanos no Brasil”, especialista em Gestão Pública pela UFRGS e doutoranda em Ciências Jurídicas pela Universidad del Museo Social Argentino. Atua na direção da Federação das Mulheres Gaúchas, é vice-presidente da comissão advogada da OAB-RS, conselheira do Conselho Estadual da Mulher do RS e desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho (TRT 4). É autora de diversos artigos sobre proteção e direito da mulher.

Tânia Maria de Paula Feijó: foi secretária-adjunta da Secretaria de Cultura, Esporte e Juventude do Município de Alvorada, gerente estadual da Postal Saúde dos Correios, assessora para Assuntos Estratégicos da Fundação Jorge Duprat Figueiredo, de Segurança e Medicina do Trabalho do Ministério do Trabalho, presidente da Cooperativa de Educadores do Estado do Rio Grande do Sul e diretora do Colégio Saint Germain, de Sapucaia do Sul, além de colaboradora e assessora de diversos órgãos e entidades da sociedade civil. É presidente estadual da Ação da Mulher Trabalhista, coordenadora do Seminário Estadual de Gênero no Cooperativismo. Ex-presidente da Cooperativa de Educadores do Estado e secretária-geral do Conselho dos Direitos da Mulher de Porto Alegre.

Maria Eulalie Assumpção Mello Fernandes: Fundou, em 6 de julho de 2003, o Banco de Alimentos Madre Tereza de Calcutá, que, mensalmente, distribui cerca de 17 toneladas de gêneros alimentícios às 1.238 famílias de baixa renda cadastradas, sem auxílio governamental. O trabalho é feito a partir de doações mensais em dinheiro vindas da comunidade e, principalmente, do recolhimento de alimentos, feito por jovens voluntários do Movimento de Emaús da Arquidiocese de Pelotas, na porta dos supermercados parceiros da cidade. No Movimento de Emaús, Maria Eulalie, junto com o marido, recém falecido, ajudou a formar, a partir de valores humanos e cristãos, milhares de jovens.

Marly Vendruscolo: Filha de Agricultores, mãe de seis filhos, nasceu em Frederico Westphalen, em 14 de dezembro de 1958. Eleita vereadora nas eleições de 2012, estimulou diversas mulheres a concorrem ao pleito. Atendendo pedido e convite da Administração Municipal de Frederico Westphalen, foi secretária municipal de Saúde, de 2013 a março de 2016, destacando-se em ações preventivas e de atendimento à saúde comunitária. Foi presidente do movimento partidário Mulher Progressista no diretório municipal do PP de Frederico Westphalen, durante quatro anos, de 2008 a 2012, e coordenadora regional de Saúde da 19ª CRS em 2010.

Gicele de Azevedo Melo: É idealizadora e palestrante das seis edições do curso “Mulheres Cuidadoras que se Cuidam”, projeto de inserção no mercado de trabalho de mulheres de baixa renda, mães de família, para atuarem como cuidadoras de idosos, acamados e deficientes. O projeto inicial foi a Associação Projeto Surfar, da qual é membro fundadora, dirigido a jovens carentes, com foco inicial na fabricação e conserto de pranchas de surf, posteriormente expandido para outras atividades.

Joanna Burigo: Fundadora da Casa da Mãe Joanna, projeto de educação e comunicação feminista sobre gênero. Coordenadora pedagógica e professora da Emancipa Mulher, escola de formação feminista e antirracista, que integra a Rede Emancipa de educação popular e completa dois anos de atividades em abril de 2019. Desde 2015, escreve regularmente para o site da Carta Capital, bem como para outros veículos da mídia nacional e internacional. Em 2017 e 2018, coorganizou dois livros, o “Tem saída? Ensaios Críticos sobre o Brasil”, e o “Novas Contistas da Literatura Brasileira”. Em 2018, recebeu o troféu Anitas Libertas, ONG catarinense de promoção do empoderamento de mulheres, foi indicada para o Prêmio Donna e foi capa de uma edição da revista sobre feminismo.

Fonte: Sul 21

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