Atos relembram atrocidades da ditadura e homenageiam vítimas


Na próxima segunda-feira, 1º de abril, o golpe de 1964, que instalou por mais de duas décadas uma ditadura civil-militar no Brasil completa 55 anos. Para marcar a data, entidades da sociedade civil organizam, em várias cidades do país, uma série de eventos que relembram as atrocidades cometidas naquele período.

Organizações da sociedade civil esperam adesão ainda maior da população aos atos após polêmica criada pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL), que oriento os unidades militares a celebrar o golpe que derrubou João Goulart em 1964, apesar de as próprias Forças Armadas sugerirem comedimento. Durante a semana, passada a hashtag #DitaduraNuncaMais figurou entre as mais comentadas do Twitter, com mensagens em reação às declarações do presidente.

Caminhada do Silêncio

As atrocidades cometidas pelo Estado contra seus próprios cidadãos não se restringem a governo ditatoriais. Contra a truculência, a crueldade e ilegalidades cometidas contra civis, ontem e hoje, a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, em parceria com o grupo Tortura Nunca Mais de Salvador, realizam a 1ª Caminhada do Silêncio.

Com velas, flores e fotos das vítimas da violência estatal, os manifestantes se concentram a partir das 16h, na Praça da Paz, no Parque do Ibirapuera, neste domingo (31), em São Paulo. Após programação cultural, os manifestantes saem em caminhada silenciosa em direção ao Monumento pelos Mortos e Desaparecidos Políticos, que fica ao lado do parque. Participantes ficarão em vigília até a 0h do dia 1º.

“Nosso foco sempre foi demonstrar que a violência e a impunidade do passado reforçam a confiança dos agentes de Estado nos dias de hoje que podem permanecer com esse tipo de atitude contra populações vulneráveis. Não pode adotar uma atitude terrorista, de prender ilegalmente, sumir com as pessoas, não entregar os corpos”, diz a presidenta da comissão, Eugênia Gonzaga, se referindo às violações cometidas nos tempos da ditadura, mas também àquelas que continuam a serem perpetradas contra populações vulneráveis nos dias de hoje, como indígenas e jovens negros nas periferias.

Ela diz que o Brasil necessita avançar em políticas da chamada Justiça de Transição, adotada por inúmeros países que passaram por regimes de exceção, que compreende o reconhecimento dos crimes cometidos, a reconstituição de documentos históricos destruídos e a identificação de corpos de presos políticos, dentre outras ações. “A avaliação é que o país que não cumpre com essas medidas não chega a um amadurecimento democrático e não consegue eliminar essas mazelas relativas à violência”, diz a procuradora.

Ao longo da semana, outras atividades também serão realizadas em diversas capitais. Caminhadas, debates, vigílias e audiências públicas farão parte da programação cuja marca é o repúdio aos que representou a ditadura militar que infelicitou o Brasil ao longo de 21 anos.

Veja abaixo parte das atividades programadas:

Domingo, 31 de março

Salvador – BA
9h Dique do Tororó
Ato contra a celebração do golpe de 1964

Brasília – DF
9h Eixão Norte 108
Ditadura Nunca Mais: elas vítimas da violência do estado

Belo Horizonte – MG
12h Praça da Liberdade
Ato 1964 Nunca Mais

Belém – PA
16h Casa das 11 Janelas
Ato Ditadura Nunca Mais

Curitiba – PR
14h Praça da Mulher Nua
Ato Ditadura Nunca Mais

Porto Alegre – RS
Em memória das pessoas que desafiaram a ditadura
10h – Av.Beira-Rio com Av. Ipiranga
Colocação de Flores no Monumento aos Desaparecidos Políticos
11:30 – Esquina Rua José Bonifácio com Rua Osvaldo Aranha
Caminhada pelos Direitos Humanos
16h – Parque Redenção
Apresentação da peça A Tempestade, de Augusto Boal, pelo grupo Óinóis Aqui Traveiz

São Paulo – SP
Caminhada pelo Silêncio pelas vítimas da violência do estado
16;30 – acolhomento com show no Parque do Ibirapuera – Portal 7 (Praça da Paz)
18:30 – Início da caminhada
19:30 – Encerramento da Caminhada no Monumento pelo Mortos e Desaparecidos

Segunda-feira 1o de abril

Salvador – BA
14h – Praça da Piedade
Marcha do Silêncio

Fortaleza – CE
16h Secretaria de Cultura
Rua Pereira Filgueras, 4
Marcha do Silêncio

Vitória – ES
18h Praça Costa Pereira
Ato Ditadura Nunca Mais

São Luis – MA
17h Auditório da Faculdade de Arquitetura da Universidade Estadual
Diálogos Insurgentes: 55 anos do Golpe de 1964

Dourados – MS
19:30 Auditório 1 Fadir-UFGD
Ditadura Militar: 55 anos do golpe no Brasil

Belém – PA
14h – Auditório ICJ da Universidade Federal do Pará
Audiência Publica: 1964 nada a comemorar

Recife – PE
55 anos de impunidade do golpe
9h – Praça Padre Henrique
Caminhada
18:30 – Auditório Unicap
Ato político-cultural

Rio de Janeiro – RJ
16h – Rua da Relação com Rua dos Inválidos
Descomemorar os 55 anos do golpe
17:30 Capela Ecumênica da UERJ
Entre da Medalha Chico Mendes de Resistência

Porto Alegre – RS
12h – Esquina Democrática
Apresentação “Onde? Ação No 2, pelo grupo Óinóis Aqui Traveiz

Terça-feira, 2 de abril

Fortaleza – CE
14h – Auditório Luiz Gonzaga (UFC)
Disputas de Memórias
Lançamento do livro Pavilhão Sete: presos políticos da ditadura cicil-militar, de Airton Farias

Brasília – DF
9h – Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados
Audiência sobre a situação dos anistiados políticas no Brasil

Da redação, com informações da RBA e do coletivo Aparecidos Políticos

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