Entidades e lideranças reagem contra censura nas universidades do país


Os meios acadêmicos e políticos do país reagiram com indignação a posição do ministro da Educação (MEC), Abraham Weintraub, de cortar recursos de universidades que não apresentarem desempenho acadêmico e que promoverem “balbúrdia” em seus câmpus.

Por Iram Alfaia

 

 Ministro da Educação, Abraham Weintraub, é visto como autoritário  Ministro da Educação, Abraham Weintraub, é visto como autoritário

Ele disse ao Estado de S.Paulo que três universidades já foram enquadradas no critério: a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal Fluminense (UFF) e a Universidade Federal da Bahia (UFBA).

“Universidades que, em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiverem fazendo balbúrdia, terão verbas reduzidas”, disse o ministro ao jornal paulista. Segundo ele, universidades têm permitido que aconteçam em suas instalações eventos políticos, manifestações partidárias ou festas inadequadas ao ambiente universitário.

“A universidade deve estar com sobra de dinheiro para fazer bagunça e evento ridículo”, disse.

“Soubemos pela imprensa. É preciso entender que critérios são esses, já que as três universidades têm cursos de ponta e são bem avaliadas em todos os rankings internacionais”, disse ao Globo o presidente da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior no Brasil (Andifes), Reinaldo Centoducatte.

Na rede social, a União Nacional dos Estudantes (UNE) lamentou as declarações do ministro. “‏Balbúrdia é faltar comida no bandejão, ter corte nas bolsas de pesquisa, é tirar investimento de cursos de humanas e perseguir professores. Balbúrdia é desrespeitar a educação”, diz a entidade.

Para a UNE, enquanto o movimento luta por investimentos maiores nas universidades, o governo responde com mais cortes de recursos. “Precisamos defender as universidades brasileiras”, reagiu.

Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG) considerou que ‏Bolsonaro elegeu a educação e a ciência, portanto professores e pesquisadores, como inimigos do governo, pois todo projeto autoritário precisa impor amarras ao conhecimento e calar vozes divergentes.

Reação no meio político

A deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA), vice-presidente da Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, diz que o Ministério da Educação dá início a desestabilização das universidades brasileiras. “O poder destrutivo deste governo é enorme. Em menos de um ano destruíram o estado nacional”, disse.

Para ela, há uma clara perseguição às universidades públicas neste governo. “Cortam verbas para sucatear as instituições e abrir caminho para a privatização do ensino superior. Tudo isso faz parte do plano de desmonte e privatização da educação pública no país que Bolsonaro já colocou em prática”, afirmou.

Ex-presidente da UNE, o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) afirmou que a perseguição política e ideológica começa a sair do campo retórico para o prático. “Ou formaremos uma ampla frente em defesa da democracia ou o país pode descambar para o autoritarismo. Trata-se de uma luta do Iluminismo contra as trevas”, argumentou no Twitter.

Segundo ele, Bolsonaro elegeu os professores como os principais inimigos de seu governo. “Esse irresponsável e seu ministro da Educação incentivam abertamente o constrangimento e o assédio moral contra os profissionais que constroem o futuro da Nação. É um ato criminoso”, reagiu.

O ex-candidato à presidência, Fernando Haddad (PT), afirmou no Twitter que ‏Bolsonaro trocou um ministro da Educação ridículo por outro ridículo e autoritário.

Para o líder do PT no Senado, Humberto Costa, o ato do ministro da educação vai contra a própria existência das instituições. “‏O empastelamento das nossas universidades se dá, também, pela asfixia delas”, considerou.

“E o ministro Weintraub, bem ao estilo Bolsonaro, ameaça corte de recursos de instituições que promoverem balbúrdia. Censura clara, típica das ditaduras. Não há outro nome. Balbúrdia é o que virou esse país”, disse o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo.

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