Wadson Ribeiro: Com Bolsonaro, nossa economia vai de mal a pior

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Os cinco meses de governo do presidente Jair Bolsonaro são marcados por factoides que abstraem os verdadeiros problemas vivenciados pela população. Sua agenda moral e armamentista funciona como um amálgama para manter sua base eleitoral unida e mitigar os fracassos econômicos. Na impossibilidade de apresentar resultados concretos para tirar o Brasil da crise, Bolsonaro vive ainda do discurso eleitoral.

O que importa ao presidente não são os 13 milhões de desempregados ou os quase 50 milhões de brasileiros que se encontram subempregados ou trabalhando informalmente. Para ele, também é irrelevante o fato de pela 14ª vez no ano a projeção de crescimento do PIB ser rebaixada e agora ficar na casa de 1%, num cenário de depressão de nossa economia em que a indústria nacional está derretendo.

Para Bolsonaro, o importante é governar para sua base ideológica. Assim, o anúncio de que um evangélico poderá virar ministro do STF, o decreto que flexibiliza o porte de armas e as maluquices de Olavo de Carvalho têm mais importância do que a economia, que, aliás, ele disse desconhecer do tema.

A agenda da reforma da Previdência, que para ele é como se fosse um “elixir” para todos os males da economia, está patinando no Congresso. Mesmo que aprovada, não resolverá nossos problemas imediatos. Atenderá mais aos bancos do que aos interesses nacionais. O ministro Paulo Guedes, que conhece e gosta de economia, coordena um esforço para privatizar setores estratégicos da economia nacional. Basta dizer que o Brasil, acreditem, tem uma secretaria no Ministério da Fazenda, cujo objetivo é privatizar e desinvestir, num movimento que vai na contramão do desenvolvimento nacional e do crescimento de nossa indústria, um verdadeiro crime contra nosso país. Em pouco tempo, a prevalecer essas políticas econômicas, retrocederemos ao período pré-Vargas, uma espécie de República agrária, sem industrialização.

A obsessão do governo em implementar a agenda da ortodoxia financeira e da austeridade fiscal, que chegaram ao poder com Temer, agravam a situação de fragilidade do país. Nenhum país do mundo sai de uma crise como a nossa arrochando os mais pobres, tirando seus direitos, diminuindo a oferta de crédito e a geração de empregos. O que o Brasil precisa é de mais Estado para induzir o crescimento econômico, reanimar nossa indústria e criar um ambiente mais estável politicamente para atrair mais investimentos. Hoje se investe menos no Brasil não porque não aprovamos a reforma da Previdência, mas sim porque o país não transmite confiança e estabilidade política.

Somente entre os investidores, Bolsonaro caiu de 86% que em janeiro achavam seu governo bom ou ótimo para apenas 14% em maio, segundo pesquisa do IBGE. Entre a população no geral, é a primeira vez que Bolsonaro apresenta um percentual maior de desaprovação do que de aprovação. O governo parece velho com apenas cinco meses de vida. O contorcionismo de Bolsonaro para se esquivar dos desafios no campo da economia podem até em um primeiro momento poupar sua imagem, mas com o decorrer do tempo é o presidente e não o ministro da Economia que responderá pelos desatinos do país. Não existe presidente e governo bem avaliados com a economia em frangalhos, e as medidas adotadas até aqui, ou a falta de medidas, aprofundarão a crise brasileira.

Bolsonaro não gosta e não entende nada de economia, mas como disse James Carville, então marqueteiro de Bill Clinton em 1992, quando esse ganhou do favorito George Bush: “é a economia, estúpido”. É exatamente esse o problema do Brasil e pelo jeito Bolsonaro faz questão de não querer saber.

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