Como Flávio Dino apostou na Educação e venceu a “tempestade perfeita”


A participação do governador do Maranhão, Flávio Dino, marcou o encerramento do 10º Encontro Nacional de Educação do PCdoB, neste domingo (1º/9), em São Paulo. Recebido com grande entusiasmo por um público de cerca de 350 pessoas, Dino prestou contas da política educacional de sua gestão, que acaba de completar 56 meses – ou pouco mais de 1.700 dias. Nesse período, além de garantir o maior piso salarial do País para professores, o governador entregou 986 obras na Educação.

Por André Cintra

 

Governador do Maranhão foi saudado como Governador do Maranhão foi saudado como “presidente” ao participar do 10º Encontro Nacional de Educação do PCdoB, neste domingo (1º/9), em São Paulo

 

“Vamos chegar a mil neste ano, contando novas escolas e equipamentos como bibliotecas, laboratórios e quadras”, projetou Dino. Ao viabilizar a construção ou a reforma de centenas de colégios estaduais e municipais, o governo do PCdoB, sustentado por uma base de 16 partidos, tem inaugurado, em média, uma obra a cada dois dias. “Só neste mês de agosto, abrimos 19 escolas. Praticamente eliminamos as escolas de lata, taipa, palha e barro. Para os prefeitos, [esse novo modelo] virou um signo de qualidade da gestão.”

Após cinco décadas de hegemonia local da família Sarney, a infraestrutura precária dos colégios não foi a única “herança maldita” que Flávio Dino recebeu. A qualidade do ensino despencava. O Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) no Maranhão caiu de 3,1 para 2,8 no último ano da administração Roseana Sarney, que antecedeu o governo Dino. As frequentes greves de professores revelavam uma categoria cada vez mais desvalorizada e desmotivada. “Nos deparamos com uma tempestade perfeita, que nos exigia ‘disciplina revolucionária”, como dizem os comunistas – ou muita fé, como dizem os cristãos.”

Não havia tampouco colaboração entre o estado e os municípios. Mesmo os recursos federais foram escassos. Desde que chegou ao Poder Executivo maranhense, o governador enfrentou, primeiro, a recessão econômica do País, ainda sob a presidência de Dilma Rousseff (PT). Depois, a estagnação do PIB. Agora, para piorar, o boicote declarado do presidente “antiparaíbas” Jair Bolsonaro (PSL).

Educação e desenvolvimento

Aos professores, estudantes, pesquisadores e trabalhadores da educação que participavam do Encontro do PCdoB, Flávio Dino deixou claro que teve de fazer escolhas político-administrativas. “Chegamos a um ponto de exaurimento, e o estoque de mágica é finito”, diz. “Se eu tivesse investido, por exemplo, em asfalto, minha popularidade seria maior. Mas não houve receio de apostar diferente e fazer um governo popular, com perspectiva de desenvolvimento.”

O governo decidiu lançar projetos e iniciativas cuja verba não dependesse só do percentual do orçamento “carimbado” para a Educação. A fim de garantir que os professores maranhenses recebam o piso mais elevado do País, Dino destinou 100% dos recursos do Fundeb para a folha de pagamento. O caixa da infraestrutura escolar foi reforçado com um fundo estadual de investimento, no âmbito do Programa Escola Digna. Além de recursos do Tesouro, esse fundo é incrementado por operação de crédito do BNDES, parcerias com empresas privadas, entre outras fontes.

A inclusão é outra marca da gestão. Quando Dino assumiu o governo, o Maranhão não tinha nenhuma escola em tempo integral. Hoje, são 49. No ensino superior, o número de vagas em universidades públicas deve saltar de 3.540 em 2014 para 5.740 no começo de 2020. “A meta é dobrar até o fim do governo”, compromete-se Dino. O principal indutor da ampliação de oferta foi a criação da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul), instalada em Imperatriz, segundo maior município do estado, mas com campi também em Açailândia e Estreito.

Outros dois projetos enchem o governador de orgulho. O Cidadão do Mundo – uma espécie de versão maranhense do Ciência sem Fronteira –, financiou os estudos de 315 jovens pesquisadores brasileiros no Exterior. Já o Sim, Eu Posso, inspirado num programa cubano e executado junto a parceiros como o MST, tirou mais de 20 mil jovens, adultos e idosos do analfabetismo.


O governador Flávio Dino, ao lado dos presidentes da Ubes, Pedro Górki; da UNE, Iago Montalvão; e da ANPG, Flavinha Calé
“Agora, esses adultos podem ler a carta dos filhos que moram em outros estados. Podem ler os preceitos bíblicos na missa. Podem usar sozinhos o caixa eletrônico”, celebra Dino, que cita como mantra uma frase do líder chinês Xi Jiping: “Para governar bem, é preciso conectar o seu coração ao coração do povo.”

2022?

Os êxitos do governo e a aprovação popular a Flávio Dino alçam seu nome à condição de potencial candidato à Presidência da República em 2022. “Eu estou doido para disputar uma eleição de novo”, brincou o governador, admitindo a hipótese de disputar o Palácio do Planalto, depois de duas bem-sucedidas festões no Palácio dos Leões.

Pelo que se viu no Encontro de Educação, os comunistas abraçam a proposta. “O PCdoB planeja lançar uma candidatura à Presidência em 2022, e o Flávio Dino é um dos nomes que a direção já está discutindo”, afirmou o vice-presidente do Partido, Walter Sorrentino. Ao que o público reagiu com palavras-de-ordem: “Novo Brasil, novo destino / Meu presidente é Flávio Dino”; e “Um, dois, três / Quatro, cinco mil / Queremos Flávio Dino presidente do Brasil”.


Dino fez exposição para os cerca de 350 professores, estudantes, pesquisadores e trabalhadores da educação que participavam do Encontro do PCdoB
Há nove décadas, Washington Luís, o último presidente da República Velha, dizia que “governar é abrir estradas”. O atual chefe de Estado brasileiro parece crer que governar é “abrir” as florestas, com seu estímulo às queimadas e ao desmatamento na Amazônia. Se a candidatura de Flávio Dino se consolidar, o País terá a alternativa de eleger um gestor para quem governar, entre outras coisas, é abrir escolas. Um extraordinário avanço, já de saída.

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