Parlamentares cobram investigação mais profunda da morte de Marielle


Parlamentares da oposição na Câmara dos Deputados defendem uma investigação mais profunda sobre o suposto envolvimento de Bolsonaro no caso da morte da vereadora carioca Marielle Franco (PSOL). Para isso vão acionar o Supremo Tribunal Federal (STF).

 

  

O Jornal Nacional desta terça-feira (29) divulgou matéria na qual revela que o porteiro do condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro mora no Rio de Janeiro, contou à polícia que horas antes do crime, em 14 de março, outro suspeito, Elcio Queiroz, disse que iria para a casa do então deputado Jair Bolsonaro.

Queiroz, entrou e saiu do local em um carro com o policial militar reformado Ronnie Lessa, apontado pelo Ministério Público e pela Polícia Civil como o autor dos disparos que mataram Marielle e Anderson.

“Um dia depois de Bolsonaro chamar o STF (Supremo Tribunal Federal) de hiena pelo seu Twitter a investigação envolvendo seu nome e o caso da morte de Marielle poderá chegar nas mãos da instituição. O mundo dá voltas rápido”, afirmou a líder da Minoria na Câmara, Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

A deputada diz que alguns questionamentos precisam ser respondidos: Quem na casa de Bolsonaro autorizou que o suspeito do envolvimento no crime de Marielle entrasse no condomínio dele no dia da morte da vereadora? Quem está sendo superprotegido pela família de Bolsonaro como disse Queiroz? Quem mandou matar Marielle?

Numa live, Bolsonaro se isentou de responsabilidade pelo crime e fez duras críticas à imprensa e atacou a TV Globo. Ele ainda insinuou que as informações do processo, que está sob sigilo, teriam sido vazadas pelo governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC).

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) diz que o fato é que um dos envolvidos no assassinato de Marielle Franco esteve no condomínio do presidente o dia do homicídio e se registrou como visitante do presidente. “STF vai investigar o possível envolvimento do presidente no crime”, diz.

Segundo o deputado Márcio Jerry (PCdoB-MA), o presidente está visivelmente transtornado com a aproximação do caso Marielle à família dele. “Na live de hoje se excedeu mais uma vez em absoluta falta de compostura. Quando mais ele deprecia a Presidência da República mais se revela incapaz do cargo”, disse.

“O presidente não pode acionar a Polícia Federal a seu bel prazer, como se a corporação fosse braço de interesses pessoais. A ordem fica ainda mais esdrúxula sendo seu nome citado na investigação em curso. Luís XIV já se foi e ninguém quer vê-lo reencarnado no Brasil”, afirmou o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP), referindo-se a ordem do presidente para que o ministro da Justiça, Sérgio Moro, acione a Polícia Federal (PF) para ouvir o porteiro, uma ação ilegal que visa acuar a testemunha.

Sobre esse fato, a deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) questionou se o próprio Bolsonaro pode convocar a PF para tomar novo depoimento do porteiro. “Agora fiquei confusa das prerrogativas presidenciais e dos próprios órgãos e instâncias da Justiça”, ironizou.

“São gravíssimas as informações dadas pelo Jornal Nacional envolvendo o nome do presidente com o assassinato da Vereadora Marielle e seu motorista Anderson Gomes. Somos do lado da verdade. Acreditamos que o STF deva iniciar imediatamente as investigações sobre o envolvimento do presidente com milicianos acusados da morte de Marielle e Anderson”, disse a deputada Professora Marcivânia (PCdoB-AP).

O deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) diz que a bancada do PSOL já solicitou audiência com o presidente do STF, Dias Toffoli, para tratar da citação a Jair Bolsonaro no inquérito que investiga o assassinato de Marielle. “Queremos que o Supremo autorize a investigação sobre a menção ao presidente”, revelou.

A presidente nacional do PT, deputada GleisiHoffmann (PR), afirmou que na reunião com partidos de oposição houve cobrança de investigação sobre a casa de Bolsonaro.

“Quem autorizou a entrada do criminoso no condomínio? E preocupação com a segurança do porteiro. Por que ser ouvido pela PF que não investiga o caso? A quem interessa a federalização das investigações?”, indagou a deputada.

O líder do PDT na Câmara, André Figueiredo também criticou a postura de Bolsonaro. “Agora acham que vale tudo neste desgoverno, até acionar Ministro da Justiça para inibir alguém que pode ser testemunha de um crime ainda não elucidado”, protestou.

“Quem, na casa do presidente Jair Bolsonaro, autorizou a entrada de um dos acusados de matar Marielle e Anderson? A matéria do Jornal Nacional traz informações graves que precisam ser apuradas com rigor e responsabilidade”, defendeu o líder da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ).

Da redação

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