Aluisio Arruda: A América latina pode nos ensinar


Logo após sua posse Bolsonaro ao visitar a Argentina, em mais uma demonstração de desconhecimento do que faz e fala, rasgou elogios ao presidente Macri, à sua política, dizendo ser também a sua, e se julgando grande cabo eleitoral manifestou todo apoio ao parceiro para as eleições que se aproximava.
Se Bolsonaro tivesse o mínimo de sensatez teria antes analisado a situação da Argentina e não passaria a vergonha e o desgaste da derrota do seu querido aliado Macri no 1º turno das eleições.
Vamos aos fatos: Durante o governo Macri a inflação na Argentina passou de 25% para 58%; a taxa de juros de 28%, ultrapassa 60%; a desvalorização do peso de 15 por dólar está em 48; a dívida externa de 161 para 279 bilhões de dólares; o poder de compra dos Argentinos de 580 caiu para 279; o desemprego aumentou 50% e o risco do pais para investimentos aumentou de 487 para 900.
Apenas esses dados, sem contar outros, já seriam suficientes para se perceber o desastre do governo Macri e a grande dificuldade que teria para se reeleger, conforme apontavam todas as pesquisas. Mas Bolsonaro, talvez se baseando em sua própria eleição e sua experiência de sete mandatos como deputado federal sem ter apresentado nenhum projeto de relevância, deve ter achado que seu colega conseguiria a mesma façanha que ele. Acontece que o povo Argentino não é tão tolo.
Mas o fracasso político não atinge apenas Macri. No Chile está sendo bem pior. O
presidente Piñera, ainda não caiu porque o exército e a polícia estão a praticar uma violenta repressão só comparável ao período da ditadura Pinochet. No Equador a situação é muito semelhante.
Nas eleições recentes ocorridas na Bolívia, no Uruguai e na Colômbia, os candidatos que defenderam a mesma política de Macri, Piñera, Ivan Duque, e aqui no Brasil de Bolsonaro, chamada de neoliberal, foram derrotados.
Praticamente no único país da América Latina onde as convulsões sociais ainda não ocorrem, por enquanto, é no Brasil, apesar de três anos de mesma política do governo Temer e quase um ano de Bolsonaro. Já são quatro anos que o crescimento do Brasil não chega a 1%, o desemprego só aumenta, atingindo quase 13 milhões, cerca de 30 milhões vivendo de bicos, e outras desgraças que se abateram contra a maioria da população como o corte de verbas sociais por 20 anos, a Reforma Trabalhista, da Previdência, as privatizações, entrega do nosso
pré-sal e importantes empresas estratégicas.
Essa política neoliberal não arrasou apenas países da América Latina, mas em todos onde foi implementada como na Grécia, Espanha, México, Ucrânia e outros.
A política neoliberal atende apenas interesses do grande capital, bancos, rentistas e multinacionais. É também uma estratégia das grandes nações para inviabilizar o crescimento dos demais países, para que estes se tornem meros fornecedores de matéria prima e mão de obra barata e não tenham perspectivas de se tornar nação forte, independente, para que não tenham possibilidade de concorrer com os países ricos.
O Brasil se conseguir se livrar dessa política suicida e maléfica, aplicada ontem por Temer e hoje por Bolsonaro, pode ainda ter possibilidade de ser grande nação, porque tem grandes extensões de terras férteis, ricas reservas minerais, água em abundância, clima favorável e um povo criativo e laborioso. No entanto teria que se preocupar mais com a política, pois é ela que define tudo em nossas vidas. Teria que ter mais responsabilidade com a política, porque os que erram não prejudicam apenas a si, mas toda sua família, o povo em geral e o país. Teria que analisar melhor o que é fake ou a verdade, conhecer melhor o passado e as propostas dos políticos, pois são eles que definem nosso futuro e da nação.

Aluisio Arruda- Jornalista, Arquiteto e Urbanista.

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