Ministério de Minas e Energia: os tubarões cercam o Almirante


Matéria confusa publicada pelo jornal Folha de S.Paulo, do último dia 6 de dezembro, relata um enredo de terceira categoria numa peça de teatro mambembe com o fim último de justificar a queda do ministro de Minas e Energia, Almirante Bento Albuquerque.

A peça mal alinhada parte de algumas premissas pouco lógicas, a primeira das quais deveria ser um plus do Ministro, a de não aceitar indicações políticas para uma área estratégica do Governo Federal, que é o setor de geração de energia.

O que deveria agregar qualidade à gestão do Ministro é apresentado na matéria como defeito a justificar a demissão dele.

A privatização da Eletrobras desperta a cobiça furiosa dos tubarões do mercado e de seus representantes no governo e no Congresso.

As demais justificativas são tão mal elaboradas que é difícil acreditar que um jornal do nível da FOLHA possa ter redigido uma peça tão capenga. Mau humor de soi disant “garimpeiros” em terras indígenas derruba Ministro de pasta fundamental do Governo? Qual a legitimidade em relação aos interesses do País desses garimpeiros?

Na realidade o pano de fundo da matéria da FOLHA é outro. Trata-se da luta titânica em torno da privatização da ELETROBRAS. Esta privatização desperta a volúpia de mega interesses de acionistas já presentes como grandes minoritários e aspirantes a controladores, os mesmos que também controlam uma grande companhia de bebidas que é um dos maiores anunciantes da mídia brasileira. Acrescente-se a gula do mercado financeiro, ansioso pelos bons negócios das privatizações da Era Guedes, depois de terem se cevado na Era FHC com os mega negócios da VALE, da TELEMAR, da Brasil Telecom, da CEMAR, da EMBRAER. Em resumo, os tubarões do mercado com seus aliados no governo e no Congresso promovem o cerco ao Almirante.

Tais negócios deram origem a vários bilionários da FORBES, e esse clima sempre desperta muito interesse ao som dos ativos valiosos vendidos na bacia das almas sem prêmio de controle, como já está sendo vendida a BR, maior distribuidora de petróleo da América Latina, em lotes de ações a preço de bolsa e, como já disse, sem prêmio de controle.

Fala-se de uma privatização da ELETROBRAS que renderia cerca de 12 bilhões de Reais ao governo, valor chocante pelo irrisório, se comparado à privatização da CEMIG, que teve quatro de suas usinas com concessão vencida licitadas em 2018, as quatro com capacidade de geração de 2.932 MW. Pela outorga das concessões o Governo federal obteve R$12.130.000.000,00, quer dizer, mais do que pretende obter com a venda da ELETROBRAS, que gera 47.000 MW e tem 58.000 quilômetros de linhas de transmissão.

Além disso, não se trata apenas de valor monetário, a ELETROBRAS é empresa integradora de toda a energia do Brasil que, ao contrário do que acontece na esmagadora maioria os países, despacha energia do Norte para o Sul e vice-versa. A regra mundial é energia produzida na região que a consome.

No Brasil a energia produzida no Norte é consumida em São Paulo porque é um sistema integrado em todo o País, com exceção de Roraima. Vender o controle de uma empresa com essa função estratégica é chocante para quem tem visão de Estado. Mais ainda, a ELETROBRAS é a supridora de energia a preços contratados a longo prazo. Depois de vendido seu controle o novo dono vai querer vender energia no mercado livre a preços especulativos, no modelo ENRON, a energia pode quintuplicar de preço e quebrar o País, é da natureza do capital financeiro.

A matéria da FOLHA não revela e nem abre esse cenário que é a verdadeira chave da campanha contra o ministro Albuquerque e sua equipe. A ideia dos “derrubadores” do Ministério é emplacar o grupo que estava lá desde o Governo Temer com ramificações no Congresso, mas cujo DNA está nos privatistas do Ministério da Economia, cujo titular, na formação do Governo, pretendia encampar aí também o Ministério de Minas e Energia. Seria a 5ª pasta a formar esse Pentágono ministerial, mas que o Presidente teve a intuição de não entregar ao Superministro por razões óbvias de excesso de poder, e talvez por estar informado das “ambições de negócios” murmuradas no mercado.

Paulo Guedes queria Minas e Energia como a quinta pasta de seu superministério. Ao ver negada sua pretensão, fez de conta que não entendeu.

A derrubada de um Ministro técnico, militar de escol, seria como atender ao desejo do Superminitro Guedes de encampar também Minas e Energia, é disso que se trata.

A cobiça pelo cargo do correto ministro Bento Albuquerque reúne os conspiradores de sempre do mercado, a megalomania do ministro Guedes, ambos com forte apoio parlamentar dos remanescentes do governo anterior. Os aliados do ministro erram o alvo ao atribuir à oposição a matéria da Folha.

O sério jornalista Júlio Wisiack poderia ter apurado melhor sua matéria, mas ela apenas reproduziu acriticamente o que circula no mercado, no ministério de Guedes e em alguns gabinetes do Congresso.

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