Luciano Siqueira: ‘Presidente subestima a pandemia’


Diante da crise em que o Brasil enfrenta por causa da pandemia do coronavírus, o vice-prefeito do Recife, Luciano Siqueira (PCdoB), fez uma análise atual da conjuntura do País. Para ele, pode haver um desgaste político caso ocorra a prorrogação do pleito junto com os mandatos, como está acontecendo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Além disso, Luciano reafirma a liderança do prefeito Geraldo Julio (PSB) e não deixa de tecer críticas à postura do governo federal neste período. Segundo o comunista, o mais preocupante é o presidente estimular o descumprimento do isolamento social e subestimar a gravidade da pandemia em nome do funcionamento da economia.

Como o senhor avalia a crise da pandemia do coronavírus e a atuação do governo Bolsonaro?
A pandemia é uma situação excepcional no mundo inteiro sob todos os aspectos. Desde a inexperiência de lidar com esse vírus até a incerteza sobre as consequências na economia mundial e, naturalmente, sob a vida das pessoas como reconhece a Organização Mundial da Saúde (OMS). No caso do Brasil, no ponto de vista econômico e social, nós somos surpreendidos com muitas fragilidades na economia. O governo federal não conseguiu ocupar o posto de coordenador geral, o que tem gerado cobrança dos governadores como Flávio Dino (PCdoB-MA) e João Doria (PSDB-SP) e falado insistentemente que a coordenação nacional cabe ao governo federal que é impraticável e, às vezes, omisso. O mais preocupante é o presidente estimular o descumprimento do isolamento social e subestimar a gravidade da pandemia em nome do funcionamento da economia, insistindo que o melhor modo de reagir é o povo ir para rua, trabalhar e consumir.

Já existe uma discussão sobre futuro incerto das eleições de 2020. Como você vê a movimentação?
É obvio que as eleições já estão sendo impactadas pela pandemia. Eu me refiro não só pelo fato de que se ela se realizar na data prevista será inevitável a pandemia e suas consequências compareça ao debate eleitoral. Porém, desde já, existem obrigações importantíssimas. Faltam poucos dias para encerrar o prazo em que os cidadãos que desejem se candidatar nas eleições e se filiarem a um partido ou que queiram mudar de legenda partidária. Natural que, nessa fase, as pessoas estivessem se encontrando, as direções partidárias estariam realizando encontros e reuniões e esse ambiente atrapalhou muito. Articulações das pessoas, consultas, tomada de providências para realização futura da campanha estão muito prejudicadas nesse período. Se as eleições se firmam nesse fato ou não, eu sinceramente não tenho opinião formada. Porém, tenho impressão que vai depender do que acontecerá nos próximos 10, 12 dias que se espera a convergência de dois fatores importantes para saúde da população. A pandemia mexeu no esporte, nas atividades econômicas, congressos científicos. Então, pode ser que isso aconteça. Quando a descendência do vírus diminuir haverá muita proviência a tomar seja administrativa, econômica ou cientifica e esses fatores todos poderão ou não justificar o futuro das eleições.

Você acha que a eleição devia ser prorrogada com os mandatos?
Não necessariamente. Não podem acontecer em outubro, mas podem acontecer em dezembro, não sei. É difícil dizer. Agora, do ponto de visto político, existe o risco de governantes se desgastarem, como está acontecendo com o presidente Bolsonaro. No entanto, muitos governadores como Paulo Câmara (PSB), e muitos prefeitos tem se fortalecido como líderes, mas não apenas por questão administrativa, mas política, como o prefeito Geraldo Júlio. Desde fevereiro quando o prefeito criou o comitê de crise, que estamos trabalhando sob o comando de Geraldo e do secretário de Saúde, Jailson Correia. A prefeitura tem tomado passos em sintonia com a questão técnica, cientifica e de senso comum. O prefeito mobilizou universidades, igrejas, a mídia, as diversas instituições e segmentos empresariais. Tem sido uma mobilização exemplar no qual temos assistido um esforço mútuo que despertou na população. Isso nos dá tranquilidade e segurança.

Como avalia o posicionamento do PCdoB e quais os próximos passos do partido no cenário atual?
Como a nossa presidente nacional e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, tem dito, o partido não tem ficado apenas na crítica sobre a conduta equivocada do presidente, mas temos pautado a nossa ação neste momento em dois setores: a primeira é solidariedade ao povo no sentido amplo que vai desde o empenho em ajudar a esclarecer sobre o melhor comportamento a adotar diante da pandemia, mas também através dos nosso parlamentares, dos nossos governantes aliados a nosso partido por meio de agentes sindicais, estudantis, identidades populares. E o segundo vetor é insistir na absoluta necessidade de uma ampla, a mais ampla possível convergência de sentimentos e ideias e vontades para que nós tenhamos no transcorrer da pandemia e pós-pandemia uma unidade ampla pela salvação nacional em defesa da democracia e das necessidades essenciais do povo. Além disso, da retomada pelo desenvolvimento econômico para que o panorama social do povo melhore. Não é hora de perguntar “em quem voltou”, mas agora no transcorrer da pandemia e no pós-pandemia é preciso juntar amplamente para tirar o país da crise e reergue-lo porque a situação pós-pandemia será terrível. Essa é a nossa visão.

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