Em defesa da vida, vencer os dois vírus


São 100 mil vidas de brasileiras e brasileiros ceifadas pela Covid-19. É uma verdadeira calamidade humanitária. Não é uma mera cifra estatística. São milhares de famílias que estão chorando a perda de seus entes queridos. As brasileiras e brasileiros hão de se lembrar no futuro deste sábado fatídico.

Não se deve naturalizar essa que é a maior crise humanitária já vivida por nosso povo. Não era inevitável que se chegasse a esse ponto. Existe um responsável. Tem nome, RG e endereço, ainda que às vezes use o nome falso. Chama-se Jair Messias Bolsonaro. Que de Messias não tem nada.

Além de se eximir desde o início de coordenar o combate à pandemia, o contrário do que vem fazendo a maioria dos governantes dos vários países, ainda sabotou cruelmente as medidas recomendadas por seus próprios ministros de saúde, além de manter o cargo desocupado há cerca de três meses. Não foi à toa que, além dele e de sua esposa, metade dos ministros contraiu a doença.

Estimulou as pessoas a romperem com o isolamento social e promoveu aglomerações. E, para completar, tem pressionado pelo relaxamento precoce das medidas adotadas para combater o vírus, as quais já eram insuficientes. E isso num momento em que, há dois meses, vêm perdendo a vida mais de mil pessoas por dia, sem dar mostras de redução.

É mais do que hora de adotar a estratégia adequada, a recomendada pela Frente pela Vida, que, reunida num fórum de 14 entidades nacionais da saúde, apresentou em julho o “Plano Nacional de Enfrentamento à pandemia da Covid-19”. Diz o documento: “A principal estratégia indicada é a vigilância epidemiológica, com busca ativa de casos confirmados ou suspeitos e bloqueio da transmissão, conduzida por equipes qualificadas, na rede de atenção primária do SUS, coordenadas conjuntamente pelas autoridades sanitárias”.

Simultaneamente, devem-se adotar medidas que não apenas garantam a vida da população durante a pandemia, mas evite a quebradeira das micro, pequenas e médias empresas e preparem a economia para retomar o crescimento. Isso significa manter a renda emergencial, o apoio financeiro a essas empresas e aos Estados e municípios enquanto durar a pandemia. Ao mesmo tempo, realizar o investimento público para alavancar a economia. Não vale dizer que não tem dinheiro. Todos os países do mundo estão emitindo moeda para bancar os programas de enfrentamento da Covid-19.

O presidente Bolsonaro tem revelado não ter qualquer compromisso com a vida das pessoas e nem sequer com a economia que ele tanto propala. E muito menos com a Democracia. Além de sabotar as medidas sanitárias, tem retardado a liberação dos recursos para os vários programas emergenciais. Até agora, só liberou metade dos recursos aprovados pelo Congresso. Tudo indica que, para vencer o Coronavírus e salvar a vida dos brasileiros e brasileiras e manter a economia e a Democracia funcionando, se tenha que defenestrar o outro vírus, o que infecta o Palácio do Planalto. Para tanto, avançar na mais ampla unidade em defesa da Vida, da Democracia e do Brasil

São Paulo, 8 de agosto de 2020
Diretoria do Sindicato dos Escritores no Estado de São Paulo

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