Haroldo Lima: Frente Ampla, a lição dos Democratas americanos


A tática geral traçada pelo Partido Democrata dos Estados Unidos para enfrentar o Trump foi a de uma frente ampla.  

O partido teve consciência de que o risco de uma derrota frente ao Trump era muito grande para ser assumido por uma força política séria. Compreendeu que Trump representa hoje para os Estados Unidos e para o mundo uma ameaça obscurantista e fascista inaceitável.

Percebeu que na eleição passada, ao se dividir, com a esquerda socialista afastando-se da disputa central, facilitou a vitória do Trump.

Agora as coisas estavam diferentes. Em primeiro lugar, porque o mandato já exercido nos últimos quatro anos pelo Trump mostrou quem é o Trump, uma ameaça para o jogo político americano e um risco para o mundo. Trump não é um republicano conservador na presidência dos Estados Unidos, é a extrema direita em posto decisivo para todos. É um perigo.

Os Democratas perceberam que, nessa situação, a frente necessária a ser constituída não era apenas a da união das tendências internas do Partido Democrata, aí incluindo a esquerda socialista liderada por Bernie Sanders. Tratava-se de ampliar a frente e nela colocar os próprios membros do Partido Republicano de Trump descontentes com ele.  

Assim, na abertura da convenção do Partido Democrata, no dia 17 passado, o que se viu foi a conformação de uma frente ampla que ia da esquerda socialista americana de Sanders até setores da direita do Partido Republicano. A união era contra Trump e a palavra de ordem era “basta ser contra Trump”.

A cena mais representativa desse novo espírito dos Democratas americanos apresentou-se com as falas finais de Bernie Sanders, pela esquerda dos Democratas, e do republicano John Masich, pelos republicanos anti-Trump, ou seja, da esquerda à direita, para enfrentar a ultra-direita.

A chapa formada por Joe Biden, que representa o centro do Partido Democrata, e por Kamala Harris, que representa a mulher, a negritude, o antiracismo e o antifascismo americanos, armou-se assim para enfrentar o proto-fascista Trump.

Que esta lição de frente ampla para derrotar a ultradireita seja entendida em diversos lugares do mundo, especialmente no Brasil. Aqui trata-se de formar uma frente anti-Bolsonaro. E vamos em frente.

Haroldo Lima é membro da Comissão Política Nacional do Comitê Central do Partido Comunista do Brasil

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