Luciano Siqueira: O tamanho da fatura e o buraco à vista


Ninguém quer o pior, pois quando a economia chega ao fundo do poço é o povo que sofre.

Uma das leis objetivas do capitalismo é justamente aumentar a concentração da produção, da renda e da riqueza a cada crise. Excluindo crescentes camadas da população.

Vale para a crise de todo o sistema – como ocorre desde 2008; vale para economias específicas de um país.

O Brasil perde fôlego em águas internacionais revoltas e corre o risco da inanição em território próprio.

E é gerido por um grupo despreparado para a empreitada, seja pela nítida incompetência do presidente da República, seja pela corrosão do prestígio e da credibilidade do ex-superministro Paulo Guedes, da Economia, que perde auxiliares e também a paciência (se é que algum dia teve).

Entretanto, na última pesquisa Data Folha o governo respira, o presidente alcança expressiva (nas atuais circunstâncias) recuperação.

Temporária, asseveram alguns.

Depende do desempenho da economia, dizem outros.

E os que se mostram minimamente otimistas depositam suas expectativas na continuidade do auxilio emergencial – que tanto socorre a população mais necessitada, como faz o consumo no varejo se aquecer.

Em torno de 72% dos 66,2 milhões de brasileiros que recebem o auxílio sobreviviam, antes da pandemia, com a miserável renda de até R$ 89 per capita mensalmente, o que equivale a R$ 3 reais/dia.

Portanto, é na esfera do consumo que reside a esperança dos mais “otimistas”, em uma economia cujo PIB depende em 70% do setor dos serviços.

Analistas do mercado financeiro avaliam que se o benefício emergencial for suspenso em agosto, o PIB cairia 6,1%. Se permanecer até dezembro, reduzido a R$ 200 mensais, a queda do PIB diminuiria para 5,3%. Torcem por uma retração da economia em 4%, se permanecerem os R$ 600 até dezembro – naturalmente impondo a Guedes e ao que resta de sua equipe de fiscalistas irredutíveis o risco de um infarto.

Não se cogita do prolongamento do benefício emergencial ad infinitum. Não está na cabeça de Bolsonaro, nem de sua equipe econômica.

Em médio prazo, tendencialmente caminhamos para o agravamento da crise social, com sérias consequências políticas. A ver.

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