Manuela defende responsabilidade com a periferia e trabalhadores


A candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, Manuela d’Ávila, concedeu entrevista à CNN nesta terça-feira (13), em que falou sobre sua visão a respeito dos problemas da cidade e o contexto político local.

Questionada sobre uma alternativa à esquerda para a cidade, que votou majoritariamente em Bolsonaro, Manuela colocou: “acredito que a população vive a vida real da cidade, uma vida marcada pelo abandono da atual gestão e das anteriores. E nós perdemos muito na última década. Por isso, eu acredito que Porto Alegre escolherá outro caminho”. A candidata completou dizendo que tem andado pela cidade, conversado com as pessoas e tem ouvido que elas se cansaram da falta de diálogo e de não serem escutadas. “Elas acreditam que é preciso colocar na prefeitura quem tem responsabilidade com as periferias, com os mais pobres, com as mulheres e homens trabalhadores”, disse.

Com relação a um possível impacto das fake news neste pleito, Manuela acredita que as eleições de 2018 foram marcadas por “uma chuva de inverdades” e que a população sabe que isso não é ideologia. Agora, em 2020, avalia, “a população apura, procura saber a verdade e busca respostas concretas para os problemas da sua vida, respostas que não têm sido dadas no último período”.

Manuela também falou sobre a relação entre prefeito, governador e presidente da República num contexto de divergência político-ideológica. “Fui vereadora, deputada e aprendi, no parlamento, que há necessidade do gestor público ser ativo. As pessoas têm a ideia de que prefeitos ou governadores “amigos” do presidente serão mais beneficiados. Eu acho que é quem sabe lutar pelo seu povo. Eu vou manter o diálogo respeitoso, fazendo com que os direitos das mulheres e homens de nossa cidade sejam garantidos”. A candidata colocou, também, que  “os repasses da União não são um favor” e que “prefeito ou governador que espera repasse com pires na mão, não está cumprindo seu papel; eu vou lutar por cada real”.

No que diz respeito ao funcionalismo público municipal, Manuela explicou: “O atual governo fez malabarismo contábil para apostar na crise e no déficit. Acreditamos que, com isso, o déficit real que sobrou para a população foi o déficit social, o abandono da cidade. Eu tenho claro que quem vive aqui precisa de políticas públicas, postos de saúde, creche, escola de educação infantil, assistência social…E sei que os servidores são parceiros para executar essas políticas”.  Manuela lembrou ainda que “tem político que diz que valoriza a educação, mas não valoriza o professor, a professora, a merendeira. Em primeiro lugar, tem que honrar o salário de quem mantém a cidade funcionando”. E acrescentou: “Porto Alegre é uma cidade com 128 mil servidores, contando os do estado e da União também. Essas pessoas, quando recebem salário em dia, consomem e isso significa que a prefeitura pode arrecadar mais. Ou seja, além de ser direito dos trabalhadores, é bom para economia da cidade”.

Perguntada sobre medidas de isolamento relacionadas à pandemia, Manuela declarou: “Estou pronta para enfrentar qualquer problema que a população da minha cidade enfrente. Eu defendo as medidas como foram adotadas, mas jamais sem a testagem da população, porque isso significa instabilidade na tomada de decisão. Os países que tiveram mais êxitos foram os que testaram. Porto Alegre sequer testou seus profissionais de saúde. Para começar um jogo, os clubes testaram. A saúde só é testada quando tem sintoma. Isso gera risco e cria instabilidade”. A candidata apontou ainda que “medidas de isolamento são necessárias, mas devem ser acompanhadas de outras, como a testagem e como a construção de brigadas de saúde, a partir dos agentes comunitários de saúde para que se possa impedir a ampliação do contágio”.

Com relação à volta às aulas, Manuela colocou que a atual gestão municipal não ouviu a comunidade escolar para tratar da questão. “Eu acredito na gestão democrática. Queremos, a partir da escuta ativa da comunidade, recuperar o ano de duas maneiras. A gente sabe que o próximo ano talvez seja híbrido. Então, a ideia é ter turno extra para recuperar as aulas e, não menos importante, dar acesso à internet às crianças, com wifi em determinados espaços”.

Sobre o fato de Porto Alegre ter três candidaturas de esquerda entre as principais, todas elas de mulheres, Manuela colocou que foi feito um “grande esforço” para uni-las e que tem certeza de que “as três candidatas mostram aos dez candidatos do outro campo que é possível ter uma relação respeitosa na diferença”. E enfatizou: “Do outro lado tem o prefeito, o vice-prefeito, o ex-prefeito, o ex-vice-prefeito e o secretário deles. Ou seja, quem está dividido é lado de lá”.

Por fim, disse: “nós, as mulheres candidatas, temos mostrado que é possível fazer política, com candidaturas diferentes, lamentavelmente, mas de forma respeitosa debatendo os problemas da nossa cidade. Tenho certeza de que qualquer uma de nós que chegar ao segundo turno contará, na primeira hora, com o apoio das outras duas. Porque sabemos que Porto Alegre precisa ser governada por aqueles que têm compromisso com a participação e com a inversão de prioridades, colocando as periferias, os mais pobres, as mulheres e homens trabalhadores em primeiro lugar”.

Por Priscila Lobregatte

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