Unilateralismo, protecionismo e políticas de força dificultam a cooperação internacional, diz ministro da China


O ministro das Relações Exteriores da China e conselheiro de Estado, Wang Yi, falou sobre a atuação diplomática do país em 2020 e fez um balanço geral da situação internacional. Em entrevista à agência de notícias Xinhua e ao China Media Group, o diplomata reforçou o compromisso da China no combate ao coronavírus e na recuperação da economia mundial.

Além do destaque para ação rápida e eficiente na identificação e no combate à doença, Wang Yi afirmou que o avanço científico e parcerias entre as nações devem gerar resultados definitivos à médio prazo. “Estamos confiantes de que, por meio de esforços conjuntos, as pessoas na China e ao redor do mundo irão prevalecer sobre o vírus, encerrar a crise e obter a vitória final.”

No momento mais crítico da pandemia, que ainda deve perdurar, o país voltou-se para um pronunciamento do presidente Xi Jinping, no qual ele estabeleceu “uma resposta baseada na ciência, com esforços conjuntos para melhorar a prevenção e o controle globais, desenvolver vacinas, construir uma forte linha de defesa contra o vírus e se opor à politização e estigmatização.”

Cooperação é a palavra chave para superar os obstáculos que o mundo enfrenta em meio a pandemia. O ministro argumentou que os elos de cooperação foram reforçados com todos os países e regiões, em especial Rússia, União Europeia, África e ASEAN. No caso dos Estados Unidos, Yi ressalta políticas equivocadas por parte do país americano em relação à China e espera “que a próxima administração dos EUA volte a uma abordagem sensata, retome o diálogo com a China, restaure a normalidade das relações bilaterais e reinicie a cooperação.”

Wang Yi comenta o desempenho do país e os esforços globais no combate à pandemia, as relações comerciais e as expectativas para o ano de 2021. Confira a entrevista traduzida na íntegra:

Pergunta: A Covid-19 atingiu o mundo de forma sem precedentes. Qual é a avaliação da situação internacional e da diplomacia da China em 2020?

Wang Li: Foi um ano excepcional para China e para o mundo. O surgimento repentino da Covid-19 acelerou a transformação em que o mundo já se encontrava. O vírus devastador, a recessão econômica e as dificuldades de gestão são desafios claros que a humanidade enfrenta. Por outro lado, o unilateralismo, o protecionismo e os poderes políticos são entraves para a cooperação internacional. Mesmo assim, a visão de comunidade com um futuro em comum encontra mais apoio. Mais e mais membros da comunidade internacional optam por solidariedade no lugar de divisão, preferem abertura ao isolamento, cooperação ao confronto.

Na China, o Comitê Central do Partido Comunista Chinês (PCC), com o camarada Xi Jinping em seu núcleo, reuniu a nação em um propósito comum e assegurou uma estratégia central no combate à Covid-19. Nós também alcançamos resultados expressivos contra a pobreza, poluição e riscos potenciais. O país inteiro está no caminho para a constituição de uma sociedade moderadamente próspera. A recente 5ª Sessão Plenária do 19ª Comitê Central do PCC estabeleceu um plano para o desenvolvimento da China para os próximos anos e traçou o caminho para o rejuvenescimento nacional. A unidade e perseverança do povo chinês impressionou o mundo. A resiliência e dinamismo do desenvolvimento da China conquistou reconhecimento global.

Em 2020, na área de relações exteriores, nós avançamos e enfrentamos os desafios de frente. Com a forte liderança do Comitê Central do PCC com o camarada Xi Jinping e seguindo o Pensamento de Xi Jinping sobre Diplomacia, avançamos nas relações exteriores da China considerando tanto as necessidades internas quanto o contexto internacional. Guiados pela liderança e engajamento pessoal do Presidente Xi e com foco em forjar uma resposta conjunta à Covid-19, trabalhamos incansavelmente para servir o país e contribuir para o mundo. Combatendo o coronavírus e o “vírus político” ao mesmo tempo, fizemos o possível para salvaguardar os interesses nacionais e a estabilidade global.

Construímos um sistema de defesa forte contra o coronavírus nas fronteiras. Fizemos todos os esforços para facilitar a resposta à Covid-19 com a reabertura segura da economia doméstica, assistência consular e proteção aos cidadãos chineses no exterior. Nós estabelecemos “vias rápidas” e “vias verdes” para acelerar o fluxo de pessoal e bens essenciais e auxiliamos as cadeias industriais e de abastecimento para que permanecessem abertos e estáveis, contribuindo para o pleno estabelecimento de uma sociedade moderadamente próspera na China.

Ajudamos a erguer um baluarte internacional contra o coronavírus. A China se engajou ativamente em uma reposta internacional à Covid-19 e lançou uma campanha humanitária global de emergência em uma escala nunca vista desde a fundação da República Popular em 1949. O país ajudou a construir um consenso acerca de uma resposta global à Covid-19, contribuindo para a construção de uma comunidade global de saúde para todos.

Nós fizemos mais amigos ao redor do mundo. A China aprofundou os elos de cooperação com todos os países, fazendo esforços ativos para desenvolver relações com maior poder de ação, alcançando progresso na construção de uma comunidade com um futuro compartilhado entre vizinhos, protegendo e avançando os interesses em comum do mundo em desenvolvimento, e trabalhando para um novo tipo de relações internacionais.

Compartilhamos os benefícios gerados pela abertura da China ao mundo. A China assinou a Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP – Parceria Regional Econômica Abrangente, em português) e concluiu as negociações sobre o acordo de investimento China-UE. Avançamos vigorosamente na cooperação de Cinturão e Rota de alta qualidade e destacamos a saúde pública, o desenvolvimento verde e a transformação digital no avanço da Belt and Road Iniciative (BRI, Iniciativa Cinturão e Rota em português). Todos os esforços injetaram um ímpeto necessário para a recuperação global.

Nós temos sido firmes na proteção dos interesses nacionais. Respondemos com argumentos racionais os movimentos injustificados dos Estados Unidos. Estamos lidando com questões relacionadas a Taiwan, Hong Kong, Xinjiang e Tibete com contramedidas justificadas, fortes e proporcionais e vencemos uma batalha feroz após a outra em organizações internacionais, salvaguardando vigorosamente a soberania, dignidade e interesses de desenvolvimento da China.

Nós estivemos na liderança da cooperação multilateral. Inabalável na defesa do multilateralismo, a China apoia a cooperação internacional em mudanças climáticas. Anunciamos a nossa ambiciosa meta em relação à emissão de dióxido de carbono e alcançar a neutralidade de carbono nas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) atualizadas. Nós propomos uma Iniciativa Global sobre Segurança de Dados para promover a reforma do sistema de governança global.

Em tempos desafiadores como este, a coragem é colocada à prova. Estamos confiantes de que, por meio de esforços conjuntos, as pessoas na China e ao redor do mundo irão prevalecer sobre o vírus, encerrar a crise e obter a vitória final. A China, rumo ao rejuvenescimento nacional, está gerando oportunidades globais e incentiva a abertura e a cooperação. Faremos maiores contribuições para a paz e o desenvolvimento mundial.

Pergunta: A pandemia tornou a “diplomacia da nuvem” uma das principais formas de interação entre os países. Por meio dessa plataforma virtual, o presidente Xi Jinping se comunicou com muitos líderes estrangeiros e chefes de organizações internacionais e participou de várias conferências internacionais importantes. Que papel a “diplomacia da nuvem” desempenhou nas relações exteriores da China em 2020?

Wang Yi: A Covid-19, que pegou todos de surpresa, apertou o botão de “pausa” nas interações cara a cara entre os países. Mas a diplomacia da China não parou diante das dificuldades. Não nos esquivamos de nenhum desafio, nem nos calamos sobre questões importantes.

O maior destaque nas relações exteriores da China tem sido a “diplomacia da nuvem” conduzida no nível de chefes de estado. A diplomacia de Cúpula, que é a forma mais elevada de diplomacia, tem sido a bússola que orienta as relações externas da China. Em 2020, o presidente Xi Jinping pessoalmente planejou, supervisionou e se envolveu na “diplomacia da nuvem”, tendo 87 reuniões e telefonemas com líderes estrangeiros e chefes de organizações internacionais e participando de 22 importantes eventos bilaterais ou multilaterais.

Por meio da “diplomacia em nuvem”, o presidente Xi Jinping defendeu a solidariedade na luta mundial contra a Covid-19. No auge dessa batalha global, o presidente Xi enviou esta mensagem clara: o vírus não respeita fronteiras e a doença não faz distinção entre raças; a humanidade é uma comunidade com um futuro compartilhado; solidariedade e cooperação é a arma mais poderosa para derrotar o vírus. Defendendo uma resposta baseada na ciência, ele pediu esforços conjuntos para melhorar a prevenção e o controle globais, desenvolver vacinas, construir uma forte linha de defesa contra o vírus e se opor à politização e estigmatização. Isso ajudou a galvanizar a cooperação internacional no combate à Covid-19.

Por meio da “diplomacia da nuvem”, o presidente Xi Jinping aumentou a confiança na recuperação econômica mundial. À medida que a economia mundial entrava em recessão, o presidente Xi ofereceu uma série de propostas na coordenação da resposta à pandemia à luz da experiência da China e do desenvolvimento econômico e social, incluindo a manutenção do bom funcionamento da economia mundial, alavancando a economia digital, tornando o desenvolvimento mais inclusivo e benéfico para todos e construindo uma economia mundial aberta. Isso trouxe esperança para a economia mundial sair da estagnação.

Por meio da “diplomacia da nuvem”, o presidente Xi Jinping apontou o caminho para reformar o sistema de governança global. Como a governança global foi severamente afetada, o presidente Xi, com sua compreensão apurada da tendência dos tempos, expôs a visão da China para a governança global com ampla consulta, contribuição conjunta e benefícios compartilhados, e articulou o compromisso inequívoco da China com o multilateralismo e com uma governança mais justa e equânime.

Em suma, com a “diplomacia da nuvem”, a China demonstrou seu senso de responsabilidade, compartilhou saberes e expandiu as formas de conduzir as relações exteriores.

Pergunta: Como a China contribuiu e apoiou a resposta global do COVID-19?

Wang Yi: O coronavírus é um inimigo comum da humanidade. Derrotá-lo é responsabilidade compartilhada da comunidade internacional. Diante desta crise de saúde global, a China incentivou a cooperação global desde o início e trabalhou com outros países para combater a pandemia, dando sentido à visão de uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade.

As contribuições e o apoio da China para a resposta global são melhores ilustrados nos seis aspectos a seguir:

Corremos contra o tempo e fomos o primeiro país a relatar casos ao mundo. Mais e mais pesquisas sugerem que a pandemia provavelmente foi causada por surtos separados em vários lugares do mundo. Ao ser atingida por um coronavírus desconhecido, a China tomou medidas imediatas para realizar investigações epidemiológicas, identificar o patógeno e divulgar informações importantes, incluindo o sequenciamento do genoma do vírus. Tudo isso soou alarmes em todo o mundo.

Adotamos as medidas de controle mais rigorosas para combater o vírus. Colocando as pessoas e a vida em primeiro lugar, controlamos efetivamente o vírus no menor tempo possível e retomamos de forma constante as atividades econômicas e sociais em nosso país. Fizemos uma contribuição inicial para a construção de uma forte linha global de defesa contra o vírus.

Conduzimos os intercâmbios online de maior escala sobre resposta a epidemias com o apoio da ciência e tecnologia. Organizamos mais de 100 videoconferências com especialistas de outros países, abrimos um centro de conhecimento online para compartilhar as experiências da China com todos os países e publicamos oito versões atualizadas de soluções diagnósticas e terapêuticas e sete versões atualizadas de protocolos de prevenção e controle. Compartilhamos nossa experiência com outros países sem qualquer reserva.

Fornecemos assistência urgentemente necessária ao lançar a maior campanha humanitária de emergência global desde a fundação da Nova China. Prestamos assistência a mais de 150 países e 10 organizações internacionais, enviamos 36 equipes médicas para 34 países necessitados e fornecemos financiamento à OMS e outras agências relevantes da ONU. Estivemos com outros países e povos para ajudá-los a vencer o vírus.

Fizemos o nosso melhor como o maior fabricante de suprimentos médicos. Fornecemos mais de 220 bilhões de máscaras, 2,25 bilhões de roupas de proteção e mais de 1 bilhão de kits de teste a países em todo o mundo. Os produtos “Made in China” tornaram-se uma fonte importante de abastecimento para a luta global contra a pandemia.

Fomos os primeiros a nos comprometer a tornar as vacinas um bem público global, tendo em mente o bem maior da humanidade. Para ajudar outros países em desenvolvimento a ter acesso a vacinas a preços acessíveis, nos engajamos em uma colaboração ativa em P&D de medicamentos e vacinas, o que traz esperança para os países em desenvolvimento mais afetados.

Como a pandemia está longe de terminar, nunca devemos relaxar na resposta conjunta. China continuará a promover a cooperação global em resposta a epidemias, a fortalecer a prevenção e o controle conjuntos e a ajudar os países e regiões necessitados. Jamais diminuiremos esses esforços até que a humanidade assegure uma vitória final contra a Covid-19.

Pergunta: Qual foi o papel do Ministério das Relações Exteriores durante a batalha da nação contra o COVID-19 e como o Ministério colocou em ação sua filosofia centrada nas pessoas?

Wang Yi: O princípio de para povo e pelo povo tem sido uma fonte de força para o Partido Comunista da China. É também a característica definidora da diplomacia chinesa. Esse toque humano da diplomacia da China foi ainda mais demonstrado durante o teste da Covid-19. Ao longo do ano 2020, reunimos todos os recursos disponíveis e não esperamos para oferecer diplomacia centrada nas pessoas. Desafiamos os riscos e perigos para estabelecer uma linha de defesa firme para nossos compatriotas chineses em todos os cantos do mundo.

Estivemos na vanguarda na prevenção de casos importados, fazendo tudo o que podíamos para garantir os avanços duramente conquistados no controle do coronavírus em casa. Estivemos na vanguarda para o desenvolvimento interno, dando apoio diplomático ao esforço nacional de terminar a construção de uma sociedade moderadamente próspera em todos os aspectos e garantir a vitória contra a pobreza extrema. Estamos na vanguarda da defesa da cooperação internacional contra a Covid-19, contribuindo para uma sinergia global nessa batalha. Estamos na linha de frente no combate à desinformação, refutando tentativas de politização e estigmatização. Estamos determinados a garantir que a narrativa objetiva e a memória coletiva da batalha contra a pandemia não sejam distorcidas por mentiras.

A Covid-19 pode ter suspendido voos, mas não impediu a solicitude da pátria pelo bem-estar de seus filhos e filhas no exterior. Covid-19 trouxe desafios ao nosso trabalho consular, mas a segurança dos chineses no exterior continua sendo nossa prioridade, não importa o que aconteça. Os serviços consulares continuaram ininterruptos, assim como nosso trabalho consular em geral.

No estágio inicial da pandemia, mobilizamos todos os recursos possíveis para atender às necessidades urgentes de Wuhan e de todo o país, obtendo, comprando e recebendo todos os tipos de suprimentos médicos de todo o mundo para atender à demanda urgente em casa.

Quando a epidemia atingiu outras partes do mundo, a segurança e o bem-estar dos cidadãos chineses no exterior estiveram muito presentes em nossas mentes. Pedimos mais atenção dos governos dos países anfitriões às dificuldades dos cidadãos chineses e oferecemos suporte imediato aos infectados, incluindo serviços de telemedicina direcionados. Superamos várias dificuldades para entregar mais de 1,2 milhão de kits de saúde para estudantes chineses no exterior, enviamos suprimentos médicos de emergência para chineses em mais de 100 países e organizamos mais de 350 voos especiais para trazer cidadãos chineses de volta ao país. Nossa linha direta de proteção consular 12308 opera 24 horas por dia, 7 dias por semana, para fornecer serviços dedicados e assistência a cidadãos estrangeiros, levando o cuidado e a solicitude do Partido e do país a cada um deles. Nossos diplomatas no exterior disseram isso a seus compatriotas nos países afetados: “A embaixada sempre estará aqui com vocês. Vamos superar isso juntos”.

Com a Covid-19 ainda devastando o mundo, o risco de importação de casos continua a aumentar e a proteção consular permanece uma tarefa formidável. Nós, do serviço diplomático, implementaremos firmemente as decisões do Comitê Central CPC e faremos esforços sólidos para prevenir casos importados e proteger e ajudar os cidadãos chineses no exterior. Vamos enfrentar todas as dificuldades para viver à altura da confiança e cumprir a missão que nos foi colocada.

Pergunta: China e Rússia têm se apoiado e ajudado mutuamente desde o surto do COVID-19. Como você descreveria as atuais relações China-Rússia?

Wang Yi: Em 2020, as relações China-Rússia resistiram ao teste de uma pandemia que ocorre uma vez por século e de mudanças globais sem precedentes, atingindo um recorde histórico em todos os aspectos.

Interações intensivas entre os dois chefes de estado. O presidente Xi Jinping e o presidente Vladimir Putin conversaram por telefone cinco vezes e trocaram correspondência em várias ocasiões, fornecendo a orientação estratégica mais importante para o crescimento constante das relações bilaterais.

Apoio mútuo entre os dois povos. A Rússia foi o primeiro país a enviar suprimentos médicos e outros para a China, e a China foi um dos maiores apoiadores nos esforços de resposta da Covid-19 por parte da Rússia. Os dois países também trabalharam estreitamente na resposta conjunta a epidemias e no desenvolvimento de vacinas e medicamentos.

Cooperação prática crescente apesar dos desafios. Os dois países têm facilitado vigorosamente a reabertura econômica, salvaguardado o funcionamento das cadeias industriais e de abastecimento e feito progresso constante em vários projetos importantes. Foi lançado o Ano da Inovação Científica e Tecnológica e a cooperação bilateral em economia digital, comércio eletrônico e outras formas e modelos de negócios avançou em ritmo acelerado.

Coordenação mais estreita em assuntos internacionais. O ano de 2020 marca o 75º aniversário da vitória da Segunda Guerra Mundial e da fundação da ONU. China e Rússia trabalharam em conjunto para defender os resultados vitoriosos da Segunda Guerra Mundial e defender a igualdade e a justiça internacionais. Os dois países ofereceram apoio mútuo em questões relativas aos interesses centrais um do outro e ficaram lado a lado contra a política de poder, o que ressalta ainda mais a importância global das relações China-Rússia.

O ano de 2021 é um ano de especial importância para as relações China-Rússia, uma vez que os dois países entrarão em uma nova fase de desenvolvimento. Na cooperação estratégica China-Rússia, não vemos limites, zonas proibidas e limites para o alcance dessa cooperação. Concentrando-se na tarefa central de implementar os entendimentos comuns dos dois Presidentes, os dois países aproveitarão o 20º aniversário da assinatura do Tratado de Boa Vizinhança e Cooperação Amigável para renovar o compromisso com a paz duradoura e cooperação benéfica. Sendo âncora estratégica um do outro, prioridade diplomática, oportunidade de desenvolvimento e parceiro global, os dois países irão expandir e aprofundar a cooperação a partir de um ponto de partida mais elevado. Juntos, China e Rússia continuarão a ser o exemplo de relações amigáveis ??e de boa vizinhança entre os principais países, darão impulso à recuperação global e apoiarão a estabilidade estratégica global.

Pergunta: As relações China-Estados Unidos estão passando por um período de dificuldades raramente visto desde o estabelecimento das relações diplomáticas. Como você vê o futuro dessa relação bilateral?

Wang Yi: Nos últimos anos, as relações China-EUA enfrentaram dificuldades sem precedentes. Fundamentalmente, tudo se resume aos sérios equívocos dos formuladores de políticas dos EUA sobre a China. Alguns veem a China como uma grande ameaça e, com base nessa percepção equivocada, sua política para a China está simplesmente errada. O que aconteceu prova que a tentativa dos EUA de suprimir a China e iniciar uma nova Guerra Fria não apenas prejudicou seriamente os interesses dos dois povos, mas também causou graves perturbações no mundo. Tal política não encontrará apoio e está fadada ao fracasso.

As relações China-EUA chegaram a uma nova encruzilhada e uma nova janela de esperança está se abrindo. Esperamos que a próxima administração dos EUA volte a uma abordagem sensata, retome o diálogo com a China, restaure a normalidade das relações bilaterais e reinicie a cooperação.

A política da China em relação aos Estados Unidos é consistente e estável. Estamos prontos para desenvolver com os Estados Unidos uma relação de coordenação, cooperação e estabilidade. A China nunca intervém em assuntos internos dos Estados Unidos e valoriza a coexistência pacífica e a cooperação mutuamente benéfica com os Estados Unidos. Da mesma forma, os Estados Unidos também precisam respeitar o sistema social e o caminho de desenvolvimento escolhido pelo povo chinês e respeitar seus direitos legítimos de buscar uma vida melhor.

Sabemos que algumas pessoas nos Estados Unidos estão preocupadas com o rápido desenvolvimento da China. No entanto, a melhor maneira de manter a liderança é por meio do auto-aperfeiçoamento constante, não bloqueando o desenvolvimento dos outros. Não precisamos de um mundo onde a China se torne outro Estados Unidos. Isso não é racional nem viável. Em vez disso, os Estados Unidos deveriam buscar uma versão cada vez melhor de país, e a China certamente evoluirá com base em suas qualidades para se tornar melhor. Acreditamos que, enquanto os Estados Unidos conseguirem extrair lições do passado e trabalharem com a China na mesma direção, os dois países serão capazes de resolver as diferenças por meio do diálogo e da expansão de interesses convergentes por meio da cooperação. Isso permitirá que os dois grandes países estabeleçam um modelo de convivência que beneficie ambos e o mundo, abrindo novas perspectivas de desenvolvimento em linha com a tendência da história.

Pergunta: China e UE marcaram o 45º aniversário de suas relações diplomáticas em 2020. Na Europa, há um debate sobre como manter a autonomia estratégica versus buscar laços mais estreitos com os Estados Unidos. Que experiência adquiriram a China e a UE com o desenvolvimento das suas relações? Como você caracterizaria o papel da UE no processo em direção a um mundo multipolar e o futuro dos laços China-UE?

Wang Yi: Como você mencionou, o ano de 2020 marcou o 45º aniversário das relações diplomáticas entre a China e a UE. Ao longo dos anos, a nossa relação com a UE resistiu às profundas mudanças no mundo. De um modo geral, centrou-se no diálogo, na cooperação e no benefício mútuo e demonstrou uma forte vitalidade ao progredir com o tempo. Para os dois lados:

A experiência mais importante é permanecer comprometido com a coexistência pacífica, cooperação aberta, multilateralismo, diálogo e consulta. A conclusão mais importante é que nossa cooperação e entendimentos comuns superam em muito a competição e as diferenças. A China e a UE são parceiros estratégicos abrangentes, não rivais sistêmicos. A missão mais importante é enfrentar conjuntamente os desafios globais, promover um mundo multipolar, globalização econômica e maior equidade nas relações internacionais, e injetar mais estabilidade e certeza em um mundo turbulento e em mudança.

Em 2020, a China e a UE fizeram novos progressos nas suas relações, apesar da Covid-19. A China tornou-se o maior parceiro comercial da UE pela primeira vez. Os dois lados assinaram o acordo sobre indicações geográficas e estabeleceram dois novos mecanismos de diálogo de alto nível sobre meio ambiente e clima e cooperação digital, construindo parcerias para cooperação verde e digital.

O presidente Xi Jinping e os líderes europeus anunciaram em conjunto a conclusão das negociações sobre um tratado de investimento China-UE, acrescentando um novo e forte impulso à cooperação China-UE. Também é uma ótima notícia para a economia global em dificuldades. Este é um exemplo claro de como, trabalhando juntos no espírito de compreensão compartilhada, acomodação mútua e consulta igualitária, as duas partes podem abrir amplas perspectivas para a cooperação China-UE.

Neste mundo volátil e em mudança, a China continuará a ser um apoiante da integração europeia, de uma maior autonomia estratégica da UE e de um papel mais importante da UE nos assuntos internacionais. O multilateralismo que os dois lados defendem deve ser dedicado à unidade e à cooperação, e não à política de grupo. Precisa transcender a diferença sistêmica, em vez de traçar linhas ideológicas. A China está preparada para melhorar a coordenação com a UE para manter as nossas relações no caminho certo.

Pergunta: O ano de 2021 marca o 30º aniversário das relações de diálogo China-ASEAN. Que esperanças você tem para o desenvolvimento futuro das relações China-ASEAN?

Wang Yi: Os estados membros da ASEAN são amigos e vizinhos próximos da China. Estamos conectados por montanhas, rios e mares e compartilhamos uma grande afinidade. Desde o seu lançamento, a cooperação China-ASEAN sempre foi orientada para resultados positivos, pioneira e sensível às tendências dos tempos. Tornou-se o exemplo mais vibrante e bem-sucedido de cooperação regional. Ao longo dos anos, as relações China-ASEAN criaram muitos “primeiros”. A China foi o primeiro grande país a aderir ao Tratado de Amizade e Cooperação no Sudeste Asiático e a estabelecer uma parceria estratégica com a ASEAN, e a primeira grande economia a formar uma área de livre comércio com a ASEAN. Os dois lados se tornaram os maiores parceiros comerciais um do outro pela primeira vez em 2020. Defendemos conjuntamente a assinatura do RCEP, que deu origem à área de livre comércio mais promissora do mundo, com a maior população e o maior agregado econômico. Este é um avanço histórico na cooperação China-ASEAN.

Frente às consequências devastadoras da Covid-19, a China e a ASEAN ajudaram-se mutuamente e assumiram a liderança na resposta e cooperação conjunta da Covid-19 para a reabertura da economia. Ajudamos a transformar o Leste Asiático em um exemplo na luta global contra o vírus e na recuperação econômica.

A China e a ASEAN irão celebrar o 30º aniversário de suas relações de diálogo em 2021. Estamos ansiosos para fortalecer os laços China-ASEAN e prontos para trabalhar com a ASEAN para valorizar ainda mais nossa parceria estratégica e inaugurar uma nova era de paz, desenvolvimento e cooperação para a região.

Primeiro, precisamos trabalhar juntos para derrotar a Covid-19. Devemos continuar a intensificar a resposta coletiva e a cooperação em vacinas, melhorar os serviços de saúde pública e, em conjunto, criar uma reserva regional de suprimentos médicos de emergência e um mecanismo para emergências de saúde pública para fortalecer as capacidades de resposta a crises.

Em segundo lugar, precisamos fazer o nosso melhor para impulsionar a recuperação econômica regional. Aqui está o que podemos fazer: expandir o alcance das “faixas rápidas” para viagens e “vias verdes” para o transporte de cargas de uma forma bem pensada; trabalhar para uma rápida entrada em vigor do RCEP para aprofundar a integração econômica regional; e aproveitar as oportunidades para desenvolver novas formas e modelos de negócios e investir em novos setores da economia, como inovação tecnológica, comércio eletrônico e cidades inteligentes.

Terceiro, precisamos permanecer comprometidos com o desenvolvimento sustentável. Outras medidas serão tomadas para implementar a Visão de Parceria Estratégica 2030, com prioridade para a cooperação na redução da pobreza, prevenção e alívio de desastres, mudanças climáticas e proteção ambiental. Também precisamos fazer do Ano China-ASEAN de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável um sucesso, promover intercâmbios entre pessoas e avançar na construção de uma Parceria para a Economia Azul.

O 30º aniversário é um marco para as relações China-ASEAN. Acreditamos que o relacionamento demonstrará maior maturidade e confiança nos próximos anos e, juntos, daremos passos mais sólidos em direção a uma comunidade China-ASEAN com um futuro compartilhado.

Pergunta: O Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) comemorou seu 20º aniversário em 2020. Este ano, haverá reuniões no Senegal. O que você diria para descrever as relações atuais China-África?

Wang Yi: A China é o maior país em desenvolvimento e a África abriga o maior número de países em desenvolvimento. Com nossa identidade compartilhada como parte do mundo em desenvolvimento, a China e a África têm a responsabilidade de defender os interesses dos países em desenvolvimento.

China e África sempre compartilharam bem-estar e infortúnios. Essa amizade emergiu ainda mais forte do desafio da Covid-19 em 2020. O presidente Xi Jinping e os líderes africanos tiveram uma Cúpula Extraordinária China-África de Solidariedade contra a Covid-19 e a excelente tradição de assistência mútua foi ainda mais fortalecida. A China enviou equipes médicas, formou parcerias de hospitais chineses e africanos, forneceu suprimentos médicos e trabalhou com a África em vacinas. A sede do CDC na África como um projeto de assistência da China acaba de realizar sua cerimônia de inauguração. Será uma testemunha histórica da solidariedade China-África na luta contra a pandemia.

A China e a África intensificaram a implementação de acompanhamentos à Cúpula do FOCAC em Pequim, com a iniciativa de saúde como prioridade. A China assinou acordos de suspensão de dívida com 12 países africanos e concedeu isenções de empréstimos vencidos sem juros para 15 países africanos. A China suspendeu mais o serviço da dívida do que qualquer outro membro do G20.

Vinte anos atrás, o FOCAC entrou em uma nova era de confiança mútua política e cooperação integral entre a China e a África. Vinte anos depois, o FOCAC se tornou um novo modelo de amizade, cooperação e desenvolvimento comum entre os países em desenvolvimento. Juntos, elaboramos e implementamos os 10 planos de cooperação e as oito iniciativas principais. Com a ajuda da China, mais de 6 mil km de ferrovias, 6 mil km de estradas, quase 20 portos e mais de 80 grandes usinas de energia foram construídos na África. O comércio bilateral cresceu 20 vezes e o investimento direto da China na África 100 vezes. Expandimos a cooperação com a África em novas formas de negócios, como economia digital, cidade inteligente, energia limpa e 5G, impulsionando o desenvolvimento de alta qualidade da cooperação em faixas e estradas entre as duas partes. O FOCAC tornou-se um propulsor do desenvolvimento acelerado da África, um novo símbolo da cooperação no hemisfério Sul e um exemplo da conduta da diplomacia chinesa de grandes países com características chinesas.

Em 2021, China e África terão reuniões do FOCAC no Senegal. Nesse contexto, a China trabalhará com a África nas três áreas prioritárias de cooperação em vacinas, recuperação econômica e desenvolvimento transformador para construir um novo consenso sobre solidariedade, abrir novos caminhos para a cooperação e oferecer novos benefícios às pessoas. A China e a África continuarão sendo bons irmãos apoiando-se mutuamente, bons parceiros na busca de um desenvolvimento comum e bons camaradas de armas juntos nas dificuldades. Acredito que faremos novos progressos na construção da comunidade China-África com um futuro compartilhado.

Pergunta: A segurança em lugares como o Oriente Médio e o Afeganistão ainda é motivo de preocupação para a comunidade internacional. O futuro do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) permanece incerto. Você poderia entrar em detalhes sobre o papel que a China tem desempenhado na resolução de conflitos internacionais e os esforços que a China tem feito para promover a paz e a estabilidade em regiões relevantes?

Wang Yi: A paz é uma aspiração eterna da humanidade. Como membro permanente do Conselho de Segurança e um grande país responsável, a China tem explorado uma forma chinesa distinta de resolver questões de hotspots. Seguimos uma visão de segurança comum, abrangente, cooperativa e sustentável para o mundo. Sustentamos que as disputas regionais devem ser tratadas por meio de diálogo e consulta. Defendemos a não interferência nos assuntos internos, que é uma norma básica que rege as relações internacionais. Falamos por justiça de uma perspectiva objetiva e sensata. Buscamos soluções que se adaptem à realidade regional e atendam aos interesses de todas as partes. Temos feito o que podemos para promover a paz e a tranquilidade no mundo.

Durante o ano passado, enquanto defendíamos firmemente o JCPOA, nos juntamos à comunidade internacional na oposição a medidas inconsistentes com as resoluções do Conselho de Segurança. Apresentamos uma proposta para o desenvolvimento de uma nova plataforma de diálogo multilateral para a região do Golfo. Demonstramos apoio irrestrito à justa causa da Palestina e argumentamos firmemente em favor da “solução de dois Estados”. Continuamos a apoiar a abordagem em fases e sincronizada para atingir os dois objetivos de desnuclearização da Península Coreana e de estabelecimento de um mecanismo de paz. Facilitamos a construção de consenso sobre a reconciliação nacional do Afeganistão entre os atores regionais, e apoiamos as conversações intra-afegãs. Fizemos a mediação entre Bangladesh e Mianmar no tratamento de suas divergências e ajudamos a manter a estabilidade geral no norte de Mianmar.

Pergunta: Diplomatas chineses lutaram contra tentativas de difamação, uso de bode expiatório e interferência em ocasiões internacionais, e travaram várias batalhas difíceis em fóruns multilaterais. A diplomacia da China é, portanto, rotulada por alguns e vista como mais assertiva. Qual é a sua opinião?

Wang Yi: A diplomacia chinesa assume as responsabilidades importantes de salvaguardar os interesses nacionais, defender a dignidade nacional, facilitar a cooperação internacional e promover a paz mundial. Sob a forte liderança do Comitê Central do PCC e com o total apoio do povo chinês, trabalhamos para cumprir essas responsabilidades de maneira aberta e completa.

A diplomacia da China está enraizada na civilização chinesa de 5.000 anos e segue a orgulhosa tradição de independência e auto-aperfeiçoamento fomentada desde a fundação da República Popular. Seguimos o caminho do desenvolvimento pacífico e de uma política externa de paz independente. Defendemos o direito internacional e as normas básicas de relações internacionais na condução das trocas entre os Estados. Prezamos pela equidade, justiça e outros valores compartilhados pela humanidade no tratamento dos assuntos internacionais. A diplomacia chinesa incorporou características, estilo e visão particulares da China.

Oferecemos hospitalidade aos amigos e cooperação aos parceiros. Mas também temos que manter nossa posição ao lidar com aqueles que não são tão amigáveis. Ficamos felizes em receber críticas bem-intencionadas e apresentar sugestões úteis. Mas temos que responder a difamações e ataques. E, mais importante, somos obrigados a defender a justiça quando confrontados com políticas de poder e intimidação. Essa é a responsabilidade da diplomacia chinesa e do caráter nacional do povo chinês.

Pergunta: Como a Covid-19 afetou a cooperação entre Cinturão e Rota? O que a China fará para reiniciar a cooperação e levá-la adiante?

Wang Yi: Covid-19 desferiu um duro golpe na economia mundial e trouxe desafios para a cooperação em Cinturão e Rota. Dito isso, em vez de parar completamente, a cooperação sob a Belt and Road Initiative (BRI) contrariou a tendência de fazer novos progressos. Ela demonstrou uma forte resiliência.

Em sua importante mensagem para a videoconferência de alto nível sobre a cooperação internacional de Cinturão e Rota realizada em junho do ano passado, o presidente Xi Jinping propôs desenvolver um modelo de cooperação, saúde, recuperação e crescimento. Isso reflete a aspiração compartilhada da comunidade internacional e traça o caminho para a cooperação de alta qualidade em Cinturão e Rota.

O ano de 2020 testemunhou os parceiros do BRI apoiando-se mutuamente e forjando um “vínculo de solidariedade” para controlar o coronavírus e buscar o desenvolvimento comum. A China-Europa Railway Express completou mais de 10.000 serviços, transportando mais carga nos primeiros 10 meses de 2020 do que em todo o ano de 2019. Aclamada como uma “frota de camelos de aço”, ela ajudou os países na resposta contra Covid-19. O Silk Road in the Air possibilitou embarques de mais de 1.700 toneladas de suprimentos médicos da China, abrindo uma tábua de salvação no ar. Nos primeiros três trimestres de 2020, o investimento direto não financeiro da China em países participantes do Cinturão e Rota atingiu 13 bilhões de dólares, um aumento de quase 30% ano a ano. A maioria dos projetos BRI continuou ininterrupta e sem demissões, e uma série de novos projetos foram lançados conforme a agenda. Isso trouxe o calor necessário a este inverno rigoroso na economia mundial e contribuiu para os esforços dos países parceiros na luta contra o coronavírus, estabilizando a economia e protegendo os meios de subsistência.

São abundantes os números que corroboram a força do BRI. A pandemia não abalou o compromisso dos países participantes. Em vez disso, ela destacou o papel de cooperação de Cinturão e Rota em impulsionar o desenvolvimento global em uma era pós-Covid.

A China está promovendo um novo modelo de desenvolvimento com a circulação doméstica como o esteio e as circulações doméstica e internacional reforçando-se mutuamente. Esses esforços não apenas irão impulsionar o desenvolvimento de alta qualidade da economia chinesa, mas também irão fornecer um ímpeto mais forte, mais oportunidades e caminhos mais eficazes para a cooperação em faixas e estradas.

A China trabalhará com todas as partes para aprofundar a sinergia entre o BRI e as estratégias de desenvolvimento de outros países, tendo em mente suas necessidades de resposta COVID-19 e recuperação econômica. Acreditamos que reforçando a conectividade e a reabertura econômica e aproveitando o potencial de novos impulsionadores de crescimento, como saúde, economia digital e desenvolvimento verde, seremos capazes de alcançar uma cooperação de alta qualidade em Cinturão e Rota.

Pergunta: O ano de 2021 marcará o centenário do Partido Comunista da China (PCC) e o lançamento do 14º Plano Quinquenal. A China entrará em um novo estágio de desenvolvimento e embarcará em uma nova jornada. Nesse contexto, como o trabalho diplomático da China atenderá melhor à agenda de desenvolvimento nacional? Como você vê a diplomacia da China em 2021?

Wang Yi: O ano de 2021 será de importância histórica para o rejuvenescimento nacional da China. Vamos celebrar o centenário do PCC e embarcar em uma nova jornada de construção plena de um país socialista moderno. O centenário é apenas o primeiro capítulo da grande causa do Partido. Nós, do corpo diplomático, nos uniremos em torno do Comitê Central do PCC com o camarada Xi Jinping em seu núcleo e seguiremos a orientação do Pensamento de Xi Jinping sobre Diplomacia. Vamos avançar em nossa diplomacia em relação aos principais países com características chinesas, salvaguardando a soberania, segurança e interesses de desenvolvimento da China e concentrando nosso trabalho nas seguintes seis áreas:

Faremos nossos melhores esforços para atender às estratégias de desenvolvimento da China. Enquanto asseguramos o controle eficaz da Covid-19, iremos promover uma melhor integração dos mercados doméstico e internacional e maior complementaridade entre os recursos domésticos e globais. Faremos o possível para criar um ambiente externo favorável para promover um novo paradigma de desenvolvimento e implementar o 14º Plano Quinquenal em casa.

Vamos nos dedicar à continuidade de um novo tipo de relações internacionais. Guiados pelo envolvimento pessoal do presidente Xi na diplomacia, iremos trabalhar para um progresso constante nas relações da China com as principais potências, solidificar a solidariedade e a amizade com os vizinhos e outros países em desenvolvimento e aprofundar ainda mais a cooperação internacional e regional.

Iremos ampliar ainda mais a abertura e a cooperação. Avançaremos na cooperação de alta qualidade em Cinturão e Rota, exploraremos a força do enorme mercado da China e seu potencial de demanda doméstica, impulsionaremos a recuperação global com nosso próprio crescimento e compartilharemos com o mundo os “dividendos de desenvolvimento” da China.

Vamos nos engajar proativamente na reforma da governança global. O ano de 2021 marca o 50º aniversário da restauração da cadeira legal da China na ONU e o 20º aniversário de sua adesão à OMC (Organização Mundial do Comércio). Continuaremos a praticar o multilateralismo, sediaremos com sucesso uma Conferência da ONU sobre Biodiversidade, enfrentaremos os desafios globais em parceria com outros e promoveremos um sistema de governança global mais justo e sólido.

Facilitaremos ativamente o entendimento mútuo entre os países. Comunicaremos melhor ao mundo o forte histórico de governança do PCC, a jornada extraordinária de nosso povo em direção ao sonho chinês e o compromisso da China com o desenvolvimento pacífico. Apelamos a todos os países para superar as diferenças, buscar o desenvolvimento comum e abraçar o intercâmbio, a aprendizagem mútua e a harmonia entre as civilizações.

Daremos sequência ao trabalho por uma comunidade com um futuro compartilhado para a humanidade. Nesse contexto, buscaremos realizar uma comunidade global de saúde para todos e uma comunidade com um futuro compartilhado na Ásia-Pacífico. Defenderemos os valores compartilhados da humanidade – paz, desenvolvimento, equidade, justiça, democracia e liberdade, e trabalharemos com todos os países para construir um mundo aberto, inclusivo, limpo e belo de paz duradoura, segurança universal e prosperidade comum.

Fonte: Ministério das Relações Exteriores da China
Tradução: Rodrigo Abdalla

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