Bolsonaro usa Polícia Federal para perseguir Ciro Gomes


O ex-ministro Ciro Gomes (PDT), candidato a presidente nas eleições 2018, virou alvo da Polícia Federal (PF) após crítica ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) durante uma entrevista. Em mais uma investida autoritária, o próprio presidente pediu a abertura do inquérito sob alegação de “crime contra a honra”.

O ofício foi assinado pelo presidente por meio da Subchefia de Assuntos Jurídicos da Secretaria-Geral da Presidência e, posteriormente, conduzido por André Mendonça, ministro da Justiça. O absurdo inquérito apura uma entrevista de Ciro à Rádio Tupinambá, de Sobral (CE), em novembro de 2020.

Na ocasião, o pedetista disse que a população, ao não apoiar candidatos bolsonaristas nas eleições municipais, mostrava “repúdio ao bolsonarismo, à sua boçalidade, à sua incapacidade de administrar a economia do País e seu desrespeito à saúde pública”. Bolsonaro também foi chamado de ladrão pelo ex-governador, quando este citou o caso das “rachadinhas” em que seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), está envolvido.

Nesta sexta-feira (19), Ciro disse que foi informado deste inquérito há dez dias. “Estou pouco me ligando”, afirmou. Em outra entrevista, porém, ele disse considerar grave a tentativa bolsonarista de “intimidar” opositores e adversários. O pedetista é alvo do artigo 145 do Código Penal, que trata sobre crime contra a honra, e o caso corre na Justiça Federal do DF.

Políticos de diferentes partidos já manifestaram solidariedade ao ex-ministro. “Toda solidariedade ao amigo e grande brasileiro Ciro Gomes, mais um alvo do Estado policial que Bolsonaro deseja implantar. Como Felipe Neto, Ciro virou alvo da Polícia Federal por criticar o presidente. Não irão nos calar! Vai faltar PF para a ira do povo contra o genocida”, escreveu o deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP).

“E você com medo do Brasil virar uma Venezuela, né? Minha solidariedade ao Ciro Gomes”, escreveu o deputado federal Rodrigo Maia (DEM-RJ), ex-presidente da Câmara, no Twitter. A deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) disse que o presidente “usa a PF como instrumento de perseguição política contra seus adversários ou qualquer um que o critique”. E emendou: Minha solidariedade a Ciro Gomes”.

O também deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) classificou o ato como uma tentativa de intimidação: “Bolsonaro e seu fantoche no MJ [Ministério da Justiça] acionaram a PF para tentar intimidar Ciro Gomes após críticas ao presidente. A escalada autoritária está se acelerando. O Congresso e o Poder Judiciário têm o dever de agir. Esse aspirante a ditador não pode seguir na presidência da República”.

“Um abraço solidário ao Ciro Gomes que torna-se o novo alvo da perseguição”, tuitou Manuela D’Ávila (PCdoB), que concorreu a vice-presidenta na chapa de Fernando Haddad (PT) em 2018. “Solidariedade ao amigo e grande brasileiro Ciro Gomes. Investigação deve ser para quem sabota medidas preventivas de combate à Covid, que tem matado milhares de brasileiros, e não para quem luta pela democracia e pelo Brasil”, escreveu o governador do Ceará, Camilo Santana (PT).

“Perseguir opositores se utilizando do aparato estatal ao invés de comprar vacina e tentar salvar vidas é coisa de quem tem MUITO a esconder e temer. Toda nossa solidariedade ao amigo Ciro Gomes. A ousadia dos covardes não nos intimidará!”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Com informações do Estadão e do UOL

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