Ana Prestes: Notas Internacionais


Vai acontecer essa semana, nos dias 22 e 23, a Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo governo Joe Biden, dos EUA. Foram convidados 40 líderes internacionais. O encontro será uma espécie de pré-Cop 26, que ocorrerá na Escócia em novembro. O objetivo é debater as metas para alcançar a neutralidade de carbono. O Secretário John Kerry, designado para cuidar da agenda ambiental e climática do novo governo norte-americano foi pessoalmente a vários países convidados para a cúpula, inclusive à China. No sábado (17) foi publicada uma nota sobre o encontro entre Kerry e Xie Zhenhua, sua contraparte chinesa. No documento os dois países se comprometem a “cooperar bilateralmente e com outros países para enfrentar a crise do clima”. Antes da chegada de Kerry, a chancelaria chinesa havia sido bem dura ao se referir à saída dos EUA do Acordo de Paris (assinado em 2015) com Trump (2016-2020) e ao dizer que os americanos não podem voltar quatro anos depois dando as cartas sobre o tema. “É como a volta de um estudante que faltava às aulas” disse o porta-voz da chancelaria chinesa. A cooperação ou não entre EUA, Europa e China é também um dos pontos de interrogação do encontro, assim como da posição de países em desenvolvimento como Brasil, Índia e África do Sul.

O Brasil já foi uma liderança internacional no tema ambiental, tendo organizado a ECO 92 e desde lá sempre crescendo em influência, mas hoje, presidido por Bolsonaro, as posições brasileiras são encaradas com desconfiança e rechaço pela comunidade internacional. Afinal, Bolsonaro e seu ministro do meio ambiente têm sido negligentes e colecionam recordes em desmatamento, queimadas e contenção do papel dos órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio. Nos dias que antecedem a cúpula, foram publicados dados de que o desmatamento da Amazônia no mês de março de 2021 foi o maior em 10 anos. Os dados são do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e apontam que 810 km² no mês, um aumento de 216% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O presidente Bolsonaro não escondeu o contentamento com a vitória e disse que pretende ir à posse do presidente eleito do Equador, Guillermo Lasso, em 24 de maio. Em uma mensagem no twitter, Bolsonaro disse que a vitória de Lasso reforça “nossa luta em defesa da democracia e da liberdade na região”. Na mesma mensagem ele diz que pretende ir à posse. O presidente brasileiro participou da posse de Lacalle Pou, no Uruguai, mas não compareceu à posse de Alberto Fernández, na Argentina, e tampouco de Luis Arce, na Bolívia. Ele não vai à posse de presidentes eleitos com projetos de esquerda. Enquanto isso, a primeira viagem de Lasso como presidente eleito foi ontem pela noite para a Colômbia onde se reunirá com o presidente Ivan Duque, fazendo a felicidade dos EUA.

A Rússia já anunciou as retaliações às sanções impostas pelos EUA na semana passada, dia 15. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que “a obsessão com sanções de nossos contrapartes americanos segue inaceitável”. O porta-voz da chancelaria chinesa, Zhao Lijian, também se pronunciou sobre as retaliações americanas ao dizer que elas “constituem política de força bruta e ‘bullying hegemônico’”. Serão banidos de entrar na Rússia oito pessoas que ocupam ou já ocuparam altos cargos na administração americana. Serão expulsos dez diplomatas. Há outras sanções americanas no plano econômico, como impeditivos de transações com títulos do tesouro russo e negociações entre empresas russas e americanas. As sanções e retaliações ocorrem em um momento de tensão entre os dois países em torno da questão ucraniana. Cerca de 80 mil soldados russos estão posicionados na fronteira com a Ucrânia e parte do Mar Negro foi fechado para navios de guerra estrangeiros, depois das ameaças feitas pelo governo de Kiev. Segundo o Ministério da Defesa russo, a passagem de navios estrangeiros militares ou estatais fica suspensa até 31 de outubro. Para o governo da Ucrânia, a medida viola leis internacionais sobre o trânsito marítimo.

O primeiro ministro japonês, Yoshihide Suga, é o primeiro a fazer uma visita à Casa Branca desde a posse de Joe Biden em janeiro deste ano. O ponto central do encontro foi a China. Em março os americanos já haviam retomado as conversas no âmbito do Quarteto (EUA, Austrália, Japão e Índia), também para tratar da relação com a China na região asiática. Em sua declaração durante o encontro, Biden disse que os EUA e o Japão estão “comprometidos em trabalhar juntos para enfrentar os desafios vindos da China em temas como os mares do Leste da China e do Sul da China, assim como a Coreia do Norte, para garantir um futuro de uma região Indo-Pacífica livre e aberta”. Taiwan, Hong Kong e Xinjiang também estiveram na pauta, como já era esperado. O premiê japonês ainda pediu o apoio de Biden para levar a cabo a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio mesmo em meio à pandemia.

Na Alemanha, seguem os debates sobre a sucessão de Merkel, que está há 16 anos no poder. As eleições serão no dia 26 de setembro deste ano, de modo indireto e dentro do Bundestag (parlamento alemão). Esta semana, a CDU (União Democrata Cristã) reafirmou que apoia o presidente do partido e também governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, para ser o candidato a chanceler federal do país pela chapa CDU-CSU. Ele disputou a preferência com Markus Soder, presidente da CSU (União Social Cristã) e governador da Baviera. A rivalidade foi acirrada pois apesar de Laschet ser o mais próximo à Merkel e presidente do maior dos dois partidos, Soder vinha pontuado bem nas pesquisas de intenções de votos da população. O Partido Verde também já anunciou que sua candidata será Annalena Baerbock. Pesquisas recentes mostram que os verdes contam com 23% das intenções de voto, enquanto o SPD (Partido Social Democrata) conta com 18% e o Die Linke (A Esquerda) conta com 9%. Juntos, Verdes, SPD e Die Linke, podem formar um bloco que ameaça a aliança CDU-CSU. Já o FDP (Partido Liberal Democrático) pontua em 9%. Há um ano a CDU contava com uma aprovação de 40% da população, mas o fracasso na contenção da pandemia tem gerado muitas críticas da população e hoje pontuam entre 25% e 29%. Enquanto isso, o partido da extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha), que conta com 11% das intenções de voto, segue combatendo as medidas do governo Merkel com relação à pandemia e defendendo o DEXIT (o Brexit da Alemanha).

As eleições no Peru seguem chamando atenção de todo o mundo, pela surpresa de um segundo turno formado por candidatos tão antagônicos como Pedro Castillo (Peru Libre) e Keiko Fujimori (Fuerza Popular). No último domingo (18), uma pesquisa da América TV com o Ipsos Peru apontou uma liderança de Castillo nas intenções de voto, pontuando com 42% contra 31% de Keiko. Declaradamente um candidato de esquerda, o professor Castillo vem recebendo fortes ataques da direita, que apelam para os eleitores mais conservadores naquele discurso bem conhecido aqui no Brasil de que o Peru seria transformado em uma Cuba ou uma Venezuela. Enquanto isso, a candidata de direita, Keiko, tenta autorização da justiça para poder viajar pelo país para fazer campanha, uma vez em que ela está sob liberdade condicional devido aos inúmeros processos de investigação sobre corrupção aos quais responde. É bom lembrar que 70% não votou em nenhum dos dois candidatos no 1º turno, o que aponta um segundo turno ainda muito incerto.

Os EUA já passaram a marca dos 50% da população adulta vacinada contra Covid-19. As informações estão na imprensa e são do CDC (Centro de Controle de Doenças) do país. Mais de 30% dessas pessoas já tomaram as duas doses da vacina. Observando a curva de infecções pelo coronavírus na população norte-americana fica evidente o efeito da vacina. Se em 8 de janeiro o país chegou a ter 300 mil novos casos em 24h, ontem, 18 de abril, foram registrados 40 mil novos casos.

Em Cuba, foi concluído o 8º Congresso do Partido Comunista Cubano e Raúl Castro foi substituído por Miguel Díaz-Canel como Primeiro Secretário do coletivo partidário em um claro movimento de mudança geracional de liderança política com continuidade do projeto revolucionário. Simbolicamente, o congresso terminou no mesmo dia (19 de abril) em que se deu a vitória na Batalha de Girón, após tentativa de invasão militar norte-americana na Baía dos Porcos, há exatos 60 anos.

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