Walter Sorrentino: “Direitos Já” em ação consequente contra a pandemia


Nesta segunda-feira (31) foi realizado um poderoso webinário, com várias dezenas de palestrantes, todos muito representativos e autoridades em suas áreas, tratando dos desafios do enfrentamento da pandemia, pelas vidas dos brasileiros e brasileiras e pela democracia. Foi promovida por Direitos Já, ampla articulação nacional que reúne muitas lideranças civis, políticas, sociais e científicas. A organização divulgará largamente o registro dos debates, abarcando todos os aspectos abordados, riquíssimos.

O estágio atual da pandemia, sua perspectiva e a da vacinação, características do isolamento social necessário, medidas econômicas e institucionais, até psicológicas, junto aos diferenciados setores da sociedade, foram abordados. Governadores, prefeitos, autoridades científicas, líderes da sociedade civil, senadores e deputados, partidos políticos e centrais sindicais, partilharam esse espaço, que contou também com a presença do ex-Ministro Nelson Jobim.

Alguns desses temas predominaram e me motivaram a registrar três reflexões que dialogam com alguns dos temas do rico painel propiciado pelo webinário.
Antes, porém, o registro da importância de Direitos Já nessa promoção. Esse movimento se supera a cada passo pela capacidade de unir e por sua diligência, o que lhe confere seu crescente protagonismo. É um coletivo, que homenageio na pessoa de Fernando Guimarães, seu principal coordenador.

Um primeiro ponto. É explícito que estamos progressivamente derrotando a narrativa de Bolsonaro, narrativa trágica da morte, da falta de compaixão. Na estratégia das forças bolsonaristas é uma grande derrota perder a narrativa e, com ela, relativamente, a capacidade de pautar a agenda pública e hegemonizá-la.

Mas nosso campo democrático também não está vencendo a disputa da narrativa. Esse é um ponto nevrálgico.

Precisávamos envolver as comunidades nessa nossa batalha, conectarmo-nos e saber comunicar-nos com elas. Mais que nunca, nossa narrativa é a ciência, o distanciamento social, a vacinação e os auxílios econômicos emergenciais para trabalhadores e empresas. Mais que nunca, precisamos de medidas como a suspensão temporária de pagamento de serviços públicos, moratória das dívidas populares, medidas contra a carestia da cesta básica, aliadas ao auxílio em renda direta para manter esses contingentes em casa quando for o caso. Como se sabe, a fome e pobreza se elevam e o auxílio atual do governo federal não compra nem meia cesta básica familiar.

Os trabalhadores precisam ter confiança para poder ficar em casa nos momentos que exigem medidas de distanciamento de diversos níveis, escalonados  e intermitentes, os setores mais carentes ou os mais discriminados precisam ter a segurança de um olhar diferenciado contra a pandemia.

Precisamos representar essa conexão, ganhar a confiança da sociedade que as coisas podem ser diferentes, há caminhos alternativos. Estas bandeiras falam do cotidiano do povo e abrem o caminho da consciência sobre o papel nefasto de Bolsonaro.

Um segundo ponto, é que é preciso a coordenação de nossas instituições democráticas e federativas, das agências científicas, da sociedade civil, da consciência cidadã. É possível pensar em instituir uma modalidade de comitê cívico-científico, junto com as autoridades públicas, naturalmente envolvendo esferas institucionais, apontando medidas e caminhos que serão alvo de pressão sobre o governo. Seria uma espécie nova de shadow cabinet. A sociedade vai tomar sua posição diante das disjuntivas – nenhum governo pode desconsiderar esse tipo de pressão. E esse movimento pode forcejar todos os recantos da legislação para reunir condições de os entes federados enfrentarem a situação dramática.

É preciso uma base institucional ao desgoverno no enfrentamento da pandemia. Nesse contexto é que esperamos muito da CPI da Covid-19, não só penalizando os crimes cometidos contra a saúde pública e contra a humanidade, como também apontando para algumas medidas como essa. A Câmara dos Deputados também poderia ser um dos protagonistas disso.

Um terceiro ponto é que isto não é mera luta partidária, é uma luta pela vida, pelo povo, pelo Brasil, que nos solicita, ao mesmo tempo, combater, isolar, enfraquecer e encurralar o governo Bolsonaro, esconjurar sua omissão e ação criminosa. Isso só se faz com amplo espectro político, institucional e civil. É uma luta política, sim, que está crescendo e nos convoca a todos e todas. Direitos Já é orgulhoso participante disso.

Mas não é a luta eleitoral de 2022! A hora é de fazer a travessia de 2021, todos juntos. É preciso que as grandes lideranças políticas e morais do país se unam e nos liderem nesse caminho, acima de quaisquer diferenças que possamos ter, como expressão do sentimento democrático majoritário que existe na sociedade.

O Brasil sempre e somente mudou quando fomos capazes de impulsionar grandes consensos e promover grandes ações por parte destas nossas forças. Uma vez mais será assim, tenho certeza disso.

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