Luciano Siqueira: mesmo que seja por nocaute técnico


Talvez o inimigo público número um do povo brasileiro entenda essa linguagem. Afinal, consta que foi aluno da academia militar do Exército. Saiu da corporação quase expulso, mas preservando a patente de capitão.

Um mau soldado, como o caracterizou o general Ernesto Geisel.

Refiro-me ao fato de que na atual luta política trava-se uma verdadeira guerra prolongada contra a nefasta figura do capitão reformado.

Chegou ao poder pelo voto, valendo-se de uma situação política anormal.

Em dois anos e oito meses de governo tem demonstrado, sobejamente, um misto de intenções antidemocráticas e entreguistas e fenomenal despreparo para o exercício da função.

Mas a situação “anormal” persiste em sua essência. Não foi possível ainda inverter plenamente a correlação de forças.

Se é fato que a cada dia se amplia política e socialmente o movimento oposicionista, também é fato que ainda predomina, em nível prejudicial, a dispersão de intenções e gestos.

Entretanto, seja pelo agravamento continuo da multifacetada crise em que o país está mergulhado, sem sinais de superação e com profundas repercussões sobre o estado de sobrevivência e o humor político da maioria da população; seja pelo equívoco tático do capitão reformado, que só enxerga uma única maneira de manter a sua base social ignara e fiel mobilizada — o ataque simultâneo às instituições e a um feixe de inimigos políticos reais ou imaginários — ele se desmascara, se enfraquece e se isola.

Em consequência, por iniciativa das oposições e ao mesmo tempo do alto escalão do judiciário e da parcela mais influente da grande mídia, ocorre uma guerra de guerrilhas permanente que caminha para uma futura manobra de cerco e aniquilamento do inimigo comum, o tresloucado presidente.

Suas barreiras de proteção vão ruindo ou se fragilizando uma a uma.

E agora o TSE instaura processo para apurar suas diatribes contra a legalidade eleitoral, podendo resultar em inelegibilidade.

Ele seria, assim, constrangido a um rendimento precoce, pela via pacífica.

Não é simples que isso aconteça, porém todos esses fatores em conjunto levam a um desgaste tamanho cuja resultante poderá ser um candidato à reeleição sem muitas chances de êxito.

Na linguagem da luta de boxe, não terá beijado o solo mas tecnicamente nocauteado.

Veremos

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*Médico, foi vice-prefeito do Recife e membro do Comitê Central do PCdoB.

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