Ato do Direitos Já! pede o fim do “ciclo autoritário” de Bolsonaro


Ao som do Hino Nacional, o movimento Direitos Já! Fórum pela Democracia retomou, na noite desta quarta-feira (15), sua programação de atos contra o governo Jair Bolsonaro e pelo Estado Democrático de Direito. Com representações de 16 partidos, a atividade ocorreu no Palácio do Trabalhador, sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, e marcou a celebração do 15 de Setembro – Dia Internacional da Democracia.

“Para nós, brasileiros, a data não é motivo de comemoração – mas de luta e de chamamento por essa vigília internacional pela democracia brasileira”, afirmou o coordenador do Direitos Já!, Fernando Guimarães. Segundo ele, o movimento busca fortalecer a “frente ampla”, com “lideranças de todos os espectros políticos, da esquerda à direita, juntos em defesa da democracia brasileira, frente a um governo genocida, de caráter autoritário”.

A vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, presidenta nacional do PCdoB, afirmou que os “grandes saltos civilizacionais” no Brasil dependeram tanto de luta quanto da união de diversas forças. A dirigente diz que, com esse espírito de unidade, os brasileiros podem superar o governo atual – que, nas palavras de Luciana, é “ultraliberal na economia, retrógrado nos costumes e autoritário na política”.

“Palanque de eleição é só em 2022. A luta hoje é pela democracia”, enfatizou Luciana, recitando um trecho da Cancion por la Unidad de Latino América, de Milton Nascimento: “A História é um carro alegre / Cheio de um povo contente / Que atropela indiferente / Todo aquele que a negue”.

Em manifesto, o Direitos Já! apontou que “a democracia está sob ataque e risco” com Bolsonaro no poder. Conforme o texto, “não há saída possível que não a interrupção definitiva desse ciclo autoritário”. Daí a convocação de “uma aliança mundial com os democratas brasileiros para observar e garantir eleições livres” em 2022.

O ato contou com exibição de vídeos de saudação. Dom Mauro Morelli, bispo emérito da diocese de Duque de Caxias (RJ), disse que a democracia é um “processo difícil” – mas se fundamenta “num pacto social” para viabilizar a paz e a justiça. “As diferenças são uma bênção, e não uma maldição. Trabalhar pela democracia é fundamental.”

Também em vídeo, o governador Santo, Renato Casagrande (PSB-ES) alertou que as “ameaças” do governo Bolsonaro às instituições “deixam um ambiente instável”, sem apontar para soluções. Para o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM), é preciso “repudiar sempre atos que atentem contra a ‘Constituição Cidadã’” de 1988.

“A democracia é uma condição da política. Não há política sem democracia”, discursou, no palco, a ex-vereadora Soninha Francine, do Cidadania. “Me deixa satisfeito ver que os democratas brasileiros estão unidos mais uma vez. Nojo e ódio à ditadura”, emendou Du Altimari (MDB), ex-prefeito de Rio Claro (SP).

“A luta por democracia sempre existiu nesta terra garantida por homens e mulheres que lutam. E a luta em defesa da Constituição nos une a todos”, reforçou o presidente municipal do PT de São Paulo, Laércio Ribeiro. Antonio Neto (PDT), que comanda o PDT São Paulo e também a CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), lembrou os atos golpistas realizados por Bolsonaro no 7 de Setembro: “Não podemos agora, com olhares eleitoreiros, não nos unir para impedir (o golpe bolsonarista)”.

Para José Luiz Penna, presidente do PV, o Brasil é um “grande projeto de nação”, e não qualquer país. “Não vai ser esse aprendiz de feiticeiro nazista que vai conseguir tirar o Brasil do rumo”, declarou. A ex-senadora Heloísa Helena (Rede-AL), porta-voz da Rede Sustentabilidade, evocou versos Dom Pedro Casaldáliga (1928–2020): “É preciso saber esperar / sabendo ao mesmo tempo forçar / as horas de extrema urgência / que não nos permite esperar”.

Em nota, o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), 1º vice-presidente da Câmara, disse “pregar o diálogo, a serenidade e a moderação”, por emprego, vacina, comida e democracia. E agregou: “Opiniões sobre economia, costumes e meio ambiente podem nos dividir. Mas a democracia e a liberdade sempre haverão de nos unir”.

A deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL-RS) acusou Bolsonaro de querer “manter e aprofundar uma agenda econômica antipovo e restringir as liberdades do povo brasileiro”. O senador José Anibal (PSDB-SP), em mensagem de texto, também repudiou “a ação autoritária e regressiva deste governo”.

Para o deputado Fábio Trad (PSD-MS), “democracia não é o regime da liberdade absoluta”, mas, sim, “o regime da liberdade com responsabilidade”. O também deputado Júnior Bozzella (PSL-SP) reiterou que “não há nenhuma outra pauta mais importante neste momento do que a defesa da democracia”. Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da Oposição na Câmara Federal, arrematou que democracia “é o direito de lutar pelos nossos direitos”.

No final de semana, o Direitos Já! Fórum pela Democracia promove, de modo virtual, o 2º Ato Internacional do Direitos Já!, que terá mais de 15 horas de duração entre sábado (18) e domingo (19). Conforme o movimento, a programação incluirá “artistas, jornalistas, personalidades estrangeiras, políticos, religiosos, representantes de entidades LGBTI, de negros e indígenas, entre outros”.

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