Amplitude e pluralidade marcam o ato político do 15° Congresso do PCdoB


O ato reunião diferentes lideranças política e sociais e foi um dos momentos altos do congresso que se realiza neste final de semana.

por Priscila Lobregatte

A amplitude e a unidade, marcas históricas da forma de fazer política do PCdoB, deram o tom do ato político do 15º Congresso “Haroldo Lima”, realizado neste sábado (16). O evento, feito de maneira virtual, contou com manifestações de importantes lideranças da política, dos movimentos sociais, sindical e da cultura que expuseram sua admiração pela legenda comunista e destacaram a importância da frente ampla para enfrentar os atuais desafios do país.

Apresentado pela deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), vice-líder da Minoria da Câmara, e pela ex-deputada de Santa Catarina, Ângela Albino, o ato foi iniciado pela presidenta nacional do partido e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, configuração que explicitou a força das mulheres no mais longevo partido brasileiro, que em 25 de março de 2022 completa 100 anos de existência e luta pelo país.

Devido à pandemia, a parte presencial do evento contou apenas com alguns  dirigentes do PCdoB, que usaram máscaras e foram testados previamente. A participação militante e as saudações foram realizadas por vídeo. Dentre as personalidades que se manifestaram estão o ex-presidente Lula; o ex-ministro Ciro Gomes; os senadores à frente da CPI da Covid, Omar Aziz (PSD/AM) e Renan Calheiros (MDB-AL) e Guilherme Boulos (Psol).

Pluralismo fortalece a democracia

Ao abrir o ato político, a presidenta do PCdoB, Luciana Santos, salientou que “este momento é um ponto alto do nosso 15º Congresso. Vocês irão acompanhar a demonstração de convívio democrático que estabelecemos  ao longo de décadas com as forças políticas, democráticas e forças vivas do nosso país. O pluralismo fortalece a democracia”.

Luciana destacou que os congressos do PCdoB, que acontecem a cada quatro anos, são “o auge da democracia interna”. Na atual conjuntura, disse, o partido estabeleceu dois focos para os debates: a luta para desmascarar, isolar e derrotar Bolsonaro e as linhas de construção partidária para o fortalecimento do papel do PCdoB no país.

A dirigente apontou a gravidade da situação do país ao tratar do caráter do governo Bolsonaro, ultraliberal na economia, retrógrado nos costumes e autoritário na política. “A resultante desse governo é que ele deixou o Brasil à deriva; 800 mil empresas quebraram; temos quase 15 milhões de desempregados. Voltamos à vergonhosa marca de retornar ao mapa da fome e temos a pior inflação dos últimos 20 anos”.

Para completar, destacou, “esse presidente se comportou como um verdadeiro aliado do vírus, um negacionista que nunca atendeu a nenhuma orientação, seja das autoridades sanitárias, seja da OMS ou das experiências exitosas no mundo. Na verdade, muito pelo contrário: o que ele praticou foi uma atitude criminosa, querendo levar o Brasil a uma experiência de laboratório, com imunidade de rebanho e uso da cloroquina, e perdemos 600 mil brasileiros e brasileiras”.

Diante de tudo isso, ressaltou, “vimos a reação do povo brasileiro e das forças vivas da população. Desde o primeiro momento foram constituídas frentes amplas, diferenciadas, entre elas a de governadores e prefeitos e a reação na Câmara que garantiu o auxílio emergencial e a proteção da economia. Vimos a luta pela vacina, pelos leitos, para que pudéssemos ter os equipamentos para salvar vidas”.

A dirigente concluiu seu discurso enfatizando: “estamos aqui para levar esperança, para virar o jogo. Essa é a nossa disposição: frente ampla pela democracia, para reconstruir a nação. Firme na luta! Vamos à vitória”.

“Juntos seremos muito mais fortes”

Em mensagem de vídeo enviada ao PCdoB, o ex-presidente Lula destacou as dificuldades do cenário nacional: “Vivemos um momento difícil, com pandemia, a prevalência da ignorância sobre a inteligência; com um governo genocida que não respeita os direitos humanos, que não tem sentimento, que não conversa com a ciência, com os especialistas para encontrar saídas para os graves problemas do país”.

Lula salientou que o Brasil “voltou ao mapa da fome depois de termos tirado em 2012” e acrescentou que “este país já foi muito melhor e vocês, companheiros e companheiras do PCdoB, ajudaram na construção do país”. Lula declarou ainda: “Tenho saudades do tempo que governamos com o PCdoB participando ativamente do governo, no esporte, no turismo, na direção da ANP quando descobrimos o pré-sal”.

O PCdoB, disse o ex-presidente, “sempre teve participação histórica e extraordinária nos momentos mais difíceis deste país, mesmo quando viveu na clandestinidade por imposição de regimes autoritários. O PCdoB, que ressurgia como Fênix a cada momento que se sombreava a abertura nesse país, está passando novamente por privações porque, na tentativa de limitar os partidos políticos de existirem livremente, estão obrigando os partidos a pensarem como sobreviver” e acrescentou que “ a duras penas, conseguimos que as federações fossem aprovadas”.

Lula disse ainda que “o PCdoB sempre pode contar com o PT” e que nunca esqueceria de João Amazonas e Haroldo Lima — “companheiro da mais alta qualidade e competência com quem eu tive o prazer de ser deputado constituinte”.

O ex-presidente concluiu sua fala dizendo: “É sempre muito importante a gente ter a certeza de que o Brasil tem um partido como o PCdoB, que poderia ser muito maior se não fossem os obstáculos criados ao longo da história, se não fossem as mortes ocorridas por culpa do regime autoritário dos membros do PCdoB. Mas sempre é tempo de reconstruir e o PCdoB continua vivo como em qualquer outro momento histórico para lutar, para dizer que não desistirá, não vai esmorecer, que  vai sobreviver e sair mais forte desta situação difícil que vivemos no Brasil. E eu espero que a gente esteja junto em muitas lutas porque o Brasil que eu sonho, tenho certeza de que é o Brasil que o PCdoB sonha. Juntos seremos muito mais fortes, podemos muito mais; sozinhos, seremos presas fáceis na mão dos adversários”.

Luta, palavra que sintetiza o PCdoB

O ex-ministro e ex-governador Ciro Gomes, do PDT, também saudou o 15º Congresso, destacando a essência dos comunistas: “Uma palavra curta, de apenas quatro letras, mas cheia de uma energia fabulosa, é a que melhor define a história desse bravo partido: luta. Essa é a palavra que sintetiza e expressa o que tem sido a história desse inquebrantável PCdoB, partido da luta popular, da luta a favor do Brasil, dos mais pobres, dos negros, das mulheres e de todos os oprimidos. É por viver na luta justa que o PCdoB tem uma energia que o faz sempre jovem, forte e vigoroso”.

Ciro salientou que do 15º Congresso “vão sair novas diretrizes para este partido e novas propostas para melhorar o nosso Brasil nesse momento tão difícil da vida nacional, para ampliar a luta que este grande partido vem tocando sob o comando da minha amiga Luciana Santos, a favor do Brasil e contra o governo genocida de Bolsonaro”. Ele agregou que “nós, companheiros do PDT, também estamos nessa luta e nos somamos aos esforços para buscar um projeto nacional de desenvolvimento que devolva ao Brasil a capacidade de avançar e reduzir desigualdades”.

Ao finalizar sua mensagem, o ex-ministro declarou, em homenagem a históricos dirigentes do PCdoB: “Temos claro o tamanho dos desafios que temos pela frente para defender nosso povo. Esse é o grande desafio e compromisso que temos, um compromisso de luta que era também de João Amazonas — presente! —; de Pedro Pomar — presente! —; de Maurício Grabois — presente! —; de Elza Monnerat — presente! —; de Diógenes Arruda — presente! —; de Haroldo Lima — presente! — e de tantos outros guerreiros do povo brasileiro”.

Guilherme Boulos, do Psol, destacou a “linda história do PCdoB ao lado do povo e das lutas sociais em nosso país”. Ele salientou que o partido “constrói, de longa data, um projeto nacional e popular para resolver os graves problemas e contradições da sociedade brasileira. E esteve na linha de frente da luta contra a ditadura militar, por democracia e direitos sociais; na luta da juventude, dos sem-teto, dos sem-terra”.

Boulos acrescentou que “é um tremendo orgulho ter, nos últimos anos, compartilhado as trincheiras com a militância do PCdoB, na luta contra o golpe de 2016, por democracia e direitos sociais e hoje na luta contra Bolsonaro. Ver o PSol e o PCdoB nas mesmas trincheiras é algo que nos anima e espero que possamos estar ainda mais juntos no próximo período. Nosso desafio agora, além de virar a página desse pesadelo do Bolsonaro, é também derrotar tudo que o bolsonarismo representa”.

Essencial para a democracia brasileira

O presidente da CPI da Covid, senador Omar Aziz (PSD-AM), apontou que “a realização do 15º Congresso é de uma importância vital nesse momento que o país vive, com tantas perdas sociais e na democracia. A luta centenária do PCdoB não pode ser esquecida. Seus dirigentes e militantes são um diferencial, como foi lá atrás, pela redemocratização, pelas Diretas. O Brasil é um país muito grande e o PCdoB é um partido grande, tem história”. O senador também declarou seu voto pela federação “para que o partido continue tendo, no Congresso, representantes que tenham ouçam as pessoas mais necessitadas desse país”.

O relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB/AL) destacou que o PCdoB tem quase cem anos “de lutas históricas, de dedicação ao Brasil e ao povo, de defesa da democracia e da soberania”. Ele lembrou que na Constituinte, “nossos votos aprovaram, entre muitos avanços, o artigo 196 da Constituição, que estabelece a saúde como direito de todos e dever do Estado e assim nasceu o SUS, o mais avançado e generoso sistema de saúde pública do mundo. Juntos, criamos instituições sólidas, a proteção ao trabalhador urbano e rural, a garantia dos direitos humanos e da vida, princípios que hoje voltam a correr perigo e têm que ser igualmente defendidos. Por isso o PCdoB, ao longo de seus cem anos, foi e continua sendo essencial para a democracia brasileira”.

No ritmo da poesia de cordel, o líder do PCdoB, Renildo Calheiros, declamou:

Muitas lutas se passaram nessa nossa trajetória
E foi com os punhos cerrados que construímos a históriaSão cem bem vividos
E com nosso povo unido, chegaremos à vitória
Venceu a democracia nessa grande construção
Precisamos juntar gente para defender a nação
Elaborar bom programa, fazer a federação,
Isolar o Bolsonaro e vencer a eleição!
Viva o Partido Comunista do Brasil!

Ao longo de todo o ato, o PCdoB recebeu diversas manifestações que, conforme destacou a deputada federal Jandira Feghali, demonstram na prática a amplitude política do partido. Em comum, as mensagens em vídeo ressaltaram a história de lutas e a capacidade do PCdoB de dialogar com diferentes forças políticas, bem como o destacado papel que tem tido no enfrentamento ao bolsonarismo e na defesa da democracia e dos interesses do povo. Foram neste sentido as manifestações dos governadores Paulo Câmara (Pernambuco); Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte) e Renan Filho (Alagoas) e dos senadores Paulo Rocha (PT-PA) e Jacques Wagner (PT-BA).

Também enviaram saudações em vídeo os deputados Marcelo Ramos (PL-AM), vice-presidente da Câmara; Wolney Queiroz, líder do PDT; Bohn Gass, líder do PT; Joenia Wapichana (Rede-RR); Marcelo Freixo (PSB-RJ), líder da Minoria; Alessandro Molon (PSB/RJ), líder da Oposição; Cacá Leão, líder do Progressistas; Isnaldo Bulhões, líder do MDB; Hugo Mota, líder do Republicanos; Talíria Petrone, líder do PSol; Danilo Cabral, líder do PSB; Alexandre Manente, líder do Cidadania; Rodrigo de Castro, líder do PSDB e Silvio Costa Filho (REP/PE).

O PCdoB recebeu, ainda, mensagens em vídeo dos presidentes do PT, Gleisi Hoffmann; do PSol, Juliano Medeiros; do PSB, Carlos Siqueira e do PL,

Valdemar Costa Neto. Também se manifestaram em vídeo o ex-ministro Tarso Genro, além dos representantes dos movimentos sociais Fernando Guimarães, do Direitos Já e Fórum pela Democracia; Bruna Brelaz, presidenta UNE; Helena Nader, presidenta de honra da SBPC; Kelly Maford, da coordenação nacional do MST e Olivia Carolino, da direção nacional da Consulta Popular, além dos presidentes das centrais sindicais Adilson Araújo (CTB); Ricardo Patah (UGT); Sergio Nobre (CUT) e Miguel Torres (Força Sindical),

No campo da cultura e da comunicação, saudaram o PCdoB a cantora e deputada estadual do PCdoB-SP, Leci Brandão; o cantor e compositor da música “A Bandeira do Meu Partido”, em homenagem ao PCdoB, Jorge Mautner; e o jornalista Leonardo Attuch (Brasil 247).

A mesa do ato foi composta pelos dirigentes do Comitê Central (esquerda para a direita): Márcio Cabreira, Neide Freitas, Davidson Magalhães, Jô Moraes, Walter Sorrentino (vice-presidente); Luciana Santos (presidenta), Vanessa Grazziotin, Nivaldo Santana, Daniel Almeida, João Vicente Goulart, Ricardo Alemão Abreu e Fábio Tokarski.

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