Emoção na despedida de Sérgio Rubens


“Eu sei o quanto ele é amado e vocês podem ter certeza que eu passei a admirá-lo e amá-lo com tudo que a gente tem construído juntos”, disse Luciana. “Sérgio sempre foi um homem de partido”, acrescentou Carlos.

Na tarde desta segunda-feira (6), muitos companheiros, amigos e familiares do dirigente revolucionário Sérgio Rubens de Araújo Torres, vice-presidente do PCdoB, fizeram uma ato em sua despedida no cemitério da Vila Alpina, em São Paulo. Ele que nos deixou na noite de domingo, vitima de um aneurisma.

Sérgio Rubens discursa no Congresso do PCdoB e PPL (Foto: PCdoB)

Carlos Lopes, diretor de redação da Hora do Povo, iniciou a despedida, apontando as caraterísticas que fizeram de Sérgio Rubens “um grande homem”. “Durante 20 ou 30 anos, eu discuti diariamente com ele. Sérgio era, e até agora foi, a alma do Hora do Povo”. “Ele era um homem extremamente inteligente, extremamente comprometido e rigoroso”, disse Carlos.

Assista aos dois pronunciamentoshttps://www.youtube.com/embed/dc_D7lkC7bg?feature=oembed

CARLOS: “SÉRGIO NÃO TEVE UM INIMIGO PESSOAL DURANTE TODA A SUA VIDA”

“Eu sabia perfeitamente que quando as coisas publicadas no jornal não estavam rigorosamente exatas, eu ia receber um telefonema que não ia ser agradável, E, no entanto, meus amigos, era o que ele devia fazer mesmo e isso foi extremamente bom para todos nós”, prosseguiu o chefe de redação do HP.

Carlos Lopes

“Que qualidades o Sérgio tinha que tornavam ele tão especial, além da inteligência, e de outras qualidades que ele tinha? É fundamentalmente a identificação dele com tudo que é humano”, destacou Carlos Lopes, citando um verso latino que Marx reproduziu, “nada do que é humano me é estranho”. “É exatamente o que o Sérgio achava”, acrescentou.

“Vocês podem dizer, mas ele achava que tudo que os seres humanos fazem é bom? Não, ele não achava isso. Mas o que os seres humanos fazem de errado e ruim é exatamente aquilo que não é humano. Exatamente aquilo que os desumanizam e que desumanizam os outros. E era isso que ele não suportava”, apontou o jornalista.

“Desde cedo, desde secundarista, na ligação dele com a cultura, na ligação com a luta do povo brasileiro, ele foi um homem de partido. Brecht, poeta que ele gostava muito, escreveu uma coisa muito importante: ‘um homem sem partido é um homem medíocre’. E isso, Sérgio compreendia muito bem. Ele sempre foi um homem de partido”, destacou o dirigente do PCdoB.

“E isso não tem nenhuma contradição com o amor que ele dedicava à sua família, o amor que ele dedicava aos seus filhos”, prosseguiu. “Eu como amigo pessoal dele, várias vezes conversamos sobre os netos. E em tudo era aquele sentimento de humanidade e de humor. Era um homem severo, mas ao mesmo tempo um homem de uma compreensão imensa”, assinalou.

“Eu o conheci pessoalmente em 1978, durante as conferências regionais para o II Congresso do MR8. Na conferência, realizada na cidade baiana de Lagoinhas, eu estava bastante mal e disse algumas besteiras. No intervalo ele me chamou e começou a fazer perguntas. A capacidade do Sérgio de fazer perguntas que ninguém tinha pensado ainda para descobrir a verdade, para fazer com que a gente estudasse era impressionante”, contou.

“Porque era isso que estava na cabeça dele. Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para ele”, completou.

“Se a classe operária, se os trabalhadores, se os setores progressistas não estudarem, não tiverem conhecimento, eles nunca vão chegar ao poder. E isso era uma questão ultra presente para Sérgio”

Carlos Lopes enfatizou que “nós perdemos um grande homem”. “Engels, no enterro de Marx, disse que uma das qualidades impressionantes de Marx é que ele nunca teve um inimigo pessoal. E a mesma coisa nós podemos dizer do Sérgio. Era preciso ser um canalha para ser inimigo pessoal do Sérgio. Ele não teve um inimigo pessoal durante a sua vida”, concluiu o jornalista.

LUCIANA : SÉRGIO ERA UM IDEÓLOGO, UM FORMADOR DE GERAÇÕES

Luciana Santos

“Falar de Sérgio Rubens, um homem como este, não é simples. De um brasileiro, um revolucionário que eu tive a honra de conhecer há três anos atrás, lá no escritório da Hora do Povo. Sabe aquela primeira impressão? A primeira impressão que eu tive foi de apaixonamento”, revelou Luciana.

“Um homem tranquilo, sereno, com ideias consistentes, denso. Nós nos encontramos num momento muito adverso. Nada mais nada menos do que a vitória de Jair Bolsonaro em que as nossas duas legendas, PPL e PCdoB, não tinham alcançado a cláusula de barreira”, lembrou.

“E ali”, prosseguiu Luciana, “nós estávamos exercitando o que é que nos unia”, observou a vice-governadora de Pernambuco.

“Ele, um homem de ideias, que conhecia bem a trajetória do PCdoB, e a gente também conhecia o MR8, depois o PPL. Ali a gente fez esse exercício de unidade. E ele dizia assim. Nós, num momento como este, temos que buscar muito as nossas convergências e nós temos muitas coisas em comum. Nós desejamos o mesmo para o Brasil, para os brasileiros e brasileiras. Nós queremos nada mais do que construir o socialismo no Brasil. E nós temos formulações, os caminhos para chegar nisso. Nós somos marxistas, defendemos o socialismo científico. E as nossas diferenças táticas, elas são secundárias neste momento”.

“E assim ele agiu, praticou”.

“E ao longo do tempo eu tive a honra de conviver com ele e admirá-lo cada vez mais. Pela sua consistência, pela sua capacidade de elaboração e, antes de tudo, pelo espírito partidário, o espírito de unidade. Ele, em qualquer que seja a circunstância do momento, ele é honesto intelectualmente. Ele nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar”.

“Sérgio nunca deixou de firmar as suas posições, mas ele sempre procurava o caminho de harmonizar”

“Sei depois o quanto cada um e cada uma de vocês, que conviveram com ele desde esse tempo, têm memória da afetividade, da generosidade dele. Isso parece óbvio, mas, o verdadeiro comunista é aquele que, ao entender que esse mundo tem jeito, ele procura cuidar, formar, dar consistência ideológica, persistir. Ele era um formador de gerações, um educador de gerações”.

APAIXONADO POR CINEMA

“Eu sei o quanto ele primava por isso. Apaixonado pelo cinema. Não tinha uma semana que Sérgio Rubens não me mandasse um filme para eu poder assistir. E agora mais recentemente, cuidadoso que ele é, estava cuidando de criar, ele estava montando com a CTB, um cineclube para passar os filmes que refletissem o debate sobre a luta dos trabalhadores”.

“Então, camaradas, Sérgio Rubens era um homem de perspectivas, e as suas ideias, elas estão entre nós. Elas permanecerão como uma necessidade de um futuro que ele sempre lutou para que nós percorrêssemos e alcançássemos. Então, nessas horas é fato que a gente se sente órfão. A gente se sente órfão porque essas são pessoas que são insubstituíveis”.

Amigos, familiares e companheiros se despediram de Sérgio Rubens nesta segunda-feira

“Mas que essa convicção que sempre moveu ele, desse mundo que a gente tanto persegue, então, numa hora como essa, ele recai sobre nós com mais responsabilidade ainda. Quando a gente perde um guerreiro, a gente não enterra ele, a gente planta ele. A gente planta para que floresçam mais e mais guerreiros dessa luta, que é a luta por justiça, a luta pela humanidade”.

“Ainda mais ele que era um desses quadros políticos. Porque muitos de nós temos qualidades, defeitos, mas é impressionante como Sérgio era um quadro acima da média. Ele conseguia reunir muitas qualidades, qualidades difíceis de serem desenvolvidas por uma pessoa só. Além de grande capacidade de elaboração teórica, ele tinha opinião própria, ele era ideólogo e de uma densa cultura. Por isso, falava com fundamento, com consistência. Não tinha nada que ele falasse que não fosse fruto de alguma reflexão daquela circunstância, daquele determinado momento”.

Muita emoção na despedida

“Então, eu sei o quanto ele é amado e vocês podem ter certeza que eu passei a admirá-lo e amá-lo com tudo isso que a gente tem construído juntos”.

“Porque ele fez um gesto de grandeza num momento que não é fácil encontrar. Porque, afinal, ele foi sucessor de Cláudio Campos, ele é sucessor de um grande legado, de uma grande história. Não é uma história recente do povo brasileiro, é de feitos extraordinários, de grande momentos de virada da conjuntura brasileira. Ele podia simplesmente não engrossar essa fileira e ele fez um gesto político de grandeza, do tamanho das ideias dele, do tamanho da estatura que ele é”.

“E vocês podem ter certeza, camaradas, esse legado que Sérgio deixou para a gente, nós vamos fazer jus a ele. Vamos cada vez mais jogar luz, dar o peso e o tamanho que ele tem. E servir de referência pra gente, pra nossa perspectiva. Sérgio Rubens, camarada, presente!”

Por Sérgio Cruz

Fonte: HP

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