China ultrapassa EUA e é líder mundial em produção científica


A China assumiu a liderança mundial em produção científica, ultrapassando de maneira inédita os Estados Unidos. Conforme levantamento do jornal Folha de S.Paulo, cientistas ligados a universidades, institutos e hospitais da China publicaram um total de 788 mil artigos científicos no ano de 2020 em todas as áreas do conhecimento. Isso significa 90 resultados científicos novos por hora, em média, publicados em trabalhos acadêmicos com a participação de chineses.

A marca levou o país a superar o então líder Estados Unidos, que contabilizou 767 mil artigos científicos publicados no ano passado. Enquanto a produção científica norte-americana caiu 2,4% maior em relação 2019, a produção chinesa cresceu 10% no mesmo período.

Para chegar a esses números, a Folha se baseou em dados da plataforma Scimago, que inclui métricas de mais de 20 mil periódicos científicos de uma base chamada Scopus. Entram na conta os trabalhos acadêmicos publicados nesses periódicos após análise e aprovação dos cientistas (o que é chamado de “revisão dos pares”). São, portanto, publicações acadêmicas “oficiais”.

Em 2020, a China liderou não apenas em áreas do conhecimento como biologia molecular e farmacologia (ligadas mais diretamente a pesquisas de enfrentamento da Covid-19). O país, governado pelo Partido Comunista, alcançou o primeiro lugar no mundo em temas como astronomia, agricultura, ciências da computação e engenharias, além da vice-liderança nos estudos em economia. Na área de artes e humanidades, os chineses estão na sexta posição mundial.

Há duas décadas, a produção científica chinesa era quase seis vezes menor do que a norte-americana. Em 2001, os EUA tinham publicado 373,5 mil artigos científicos, contra 65,6 mil na China. Na época, ganhava força no país asiático a intensa política de incentivo ao ensino superior, que começou na década anterior e que mostra resultados agora.

“A China tem investido muito em pesquisa e desenvolvimento”, diz a socióloga Adriana Abdenur, especialista em políticas públicas e relações internacionais, com atuação em universidades chinesas. Segundo ela, o governo chinês oferece várias políticas de promoção e avaliação da carreira de pesquisa, muitas vezes de aumento de salário atreladas à produção científica. “De certa forma, é uma adoção do modelo ocidental de avaliação de performance dos acadêmicos”, diz Adriana.

A China também passou a investir pesadamente em um grupo de universidades de excelência em pesquisa. Hoje, duas dessas universidades estão entre as melhores do mundo: Pequim e Tsinghua estão empatadas em 16º lugar na última edição do ranking universitário global THE (Times Higher Education). Há uma década, as universidades Pequim e Tsinghua estavam, respectivamente, em 46º lugar e 52º lugar no mundo na mesma listagem.

A internacionalização do ensino superior também é um componente forte da política de Estado chinesa. “Há um envio de estudantes para o exterior com uma orientação muito bem delineada no sentido de aprender métodos e dinâmicas dos grandes centros globais”, diz Abdenur. Esses estudantes – explica a especialista – voltam depois para a China fluentes em inglês, a língua franca da ciência, o que contribui para o aumento da produção científica.

Conforme o último relatório do Instituto de Educação Internacional dos EUA (IIE, na sigla em inglês), 35% dos quase 1 milhão de estudantes estrangeiros matriculados nas universidades norte-americanas tinham vindo da China no ano letivo de 2020/2021. Na sequência está a Índia, com 18%.

Em termos de visibilidade, a produção acadêmica chinesa e a dos Estados Unidos estão praticamente empatadas. Uma das métricas para medir isso é a quantidade de vezes que um artigo científico é mencionado por outros trabalhos acadêmicos. Os trabalhos chineses e norte-americanos publicados em 2020 foram citados 1,2 vez cada um naquele mesmo ano.

Com informações da Folha de S.Paulo

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