Portugal: socialistas triunfam, ultradireita cresce e PCP sofre perdas


A antecipação das eleições legislativas de Portugal, realizadas neste domingo (30), provocou uma reviravolta da correlação de forças do parlamento português. Na disputa pelas 230 cadeiras da Assembleia, o grande vencedor foi o Partido Socialista (PS), legenda de centro-esquerda do primeiro-ministro Antonio Costa. A sigla passou de 108 deputados para 117, alcançando maioria absoluta pela primeira vez desde que, em 2015, Costa assumiu o poder.

“Uma maioria absoluta não é o poder absoluto”, declarou o primeiro-ministro, após a primeira projeção do triunfo dos socialistas. “Essa maioria só foi possível porque se juntaram ao PS milhares de cidadãos de vários pensamentos políticos que entenderam que era o nosso partido quem poderia garantir as melhores condições de estabilidade.”

Na oposição, o direitista PSD (Partido Social-Democrata) ficou menor. De 79 cadeiras conquistadas em 2019, a legenda passou, agora, para 71, embora pesquisas de intenção de votos apontassem para um empate técnico entre PS e PSD. Em compensação, a ultradireita cresceu. O Chega – que invariavelmente faz apologia do neonazismo – avançou, surpreendentemente, de um para 12 parlamentares. A quarta força também provém da direita: a Iniciativa Liberal elegeu oito deputados.

Já a esquerda – que compunha a “geringonça”, bloco político no parlamento com o PS que garantia a governabilidade do premiê Antonio Costa – teve um duro revés. Os partidos desse campo foram reduzidos de 33 para apenas 11 assentos no parlamento. Serão seis deputados do PCP (Partido Comunista de Portugal) e cinco do Bloco de Esquerda. O PEV (Partido Ecologista “Os Verdes”), que formava com o PCP a Coligação Democrática Unitária (DCU), não elegeu um parlamentar sequer.

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, admitiu tratar-se de uma “derrota” eleitoral, mas criticou a tática dos socialistas para forçar novas eleições. “A estratégia do PS de criar uma crise artificial foi bem-sucedida”, afirmou. Segundo ela, o PS forçou uma campanha polarizada impôs uma “enorme pressão de voto útil que penalizou os partidos à esquerda”. O crescimento da extrema-direita também preocupa o Bloco. “Cada deputado racista eleito no parlamento português é um deputado racista a mais. Cá estaremos para combate-lo”, afirmou.

Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, também lamentou o mau resultado da esquerda. Os comunistas criticaram o pragmatismo do PS, que limitou a discussão programática. “O PS, ambicionando uma maioria absoluta, em convergência com o presidente da República, precipitou a realização de eleições. A questão que está colocada, sem subterfúgios e adiamentos, é a de se saber quais as opções que se colocam ao país”, afirmou.

Na opinião de Jerónimo, “o PS tem na mão a opção de fazer entendimentos com o PSD ou convergir à esquerda, com a CDU para a resposta aos problemas do País”. O dirigente comunista projeta duas possibilidades para a gestão Antonio Costa: “Ou se abrem perspectivas de uma política capaz de enfrentar os problemas e de lhes dar solução no interesse dos trabalhadores e do povo; ou, pelo contrário, prevalecem as intenções de manter adiada essa resposta em benefício dos interesses do grande capital agravando desigualdades e injustiças.”

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