Luciano Siqueira: Tem algumas rochas no meio do caminho


Se as forças populares e democráticas vencerem o pleito presidencial vindouro — é possível que aconteça —, o novo governo terá diante de si como tarefa primeira reconstruir muito do que tem sido desconstruído pelo governo atual.
Na essência e na forma.
Políticas públicas essenciais, desde as socialmente compensatórias ao fomento da cultura, vêm sendo sistematicamente destroçadas como subproduto do desmonte do Estado nacional.
O falecido ex-ministro da Justiça do governo da Nova República, Fernando Lyra, narrava que o esforço preliminar do seu Ministério foi expurgar o que então se chamava entulho autoritário, herança da ditadura militar. Sem o que não se restabeleceria, de fato, a democracia.
O dirigente comunista Ronald Freitas tem salientado, em debates públicos, a mutilação do Estado brasileiro, na atualidade, tanto através de emendas à Constituição como de um verdadeiro cipoal de legislação infraconstitucional, que precisam ser superados.
E, no que há de mais essencial, temos hoje um Estado disfuncional e inapto para promover o desenvolvimento econômico social e ambientalmente sustentável e apoiado em salvaguardas da soberania do país.
No último fim de semana, a Direção Nacional do PCdoB aprovou, como contribuição à futura federação a ser constituída pelo PT, PSB, PCdoB e PV, um conjunto de proposições — Plataforma de Reconstrução Nacional (veja aqui https://bit.ly/3sRk9Ml) — destinada a nortear a frente ampla em construção e o futuro governo.
Na prática, desde agora no período pré-eleitoral e na campanha e, sobretudo, no governo, a unidade em torno de proposições dessa natureza terá conteúdo dimensionado em boa parte pela amplitude da futura frente governista.
Trabalharemos a um só tempo com os pés fincados na dura realidade concreta e nas aspirações e necessidades do povo e da nação e com o olhar atento ao horizonte possível, este dimensionado pela real correlação de forças.
Antes da festa há imensas rochas pelo caminho que precisam ser removidas ou contornadas.
Tudo muito complexo, nada fácil.
Mas se fosse fácil não seria com esse amplo e potencialmente poderoso agrupamento de forças que estamos construindo.

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