Luciana Santos: Celebrar o 7 de setembro


Hoje, Sete de Setembro de 2022, bicentenário de nossa independência, é uma data a ser celebrada por todos os que lutam por um país soberano, desenvolvido, democrático e socialmente justo.  O grande homenageado nesta data é o povo brasileiro, construtor de nossa nacionalidade e o artificie das lutas para forjar um Brasil independente.

Como afirma o PCdoB em documento alusivo a data, a Proclamação da Independência do Brasil é fruto de um prolongado, complexo, contraditório e singular processo histórico que resultou na conquista do direito à autodeterminação do povo brasileiro e na sua auto-organização política em um território de proporções continentais com identidade nacional única.

A nossa nacionalidade está moldada na luta contra o jugo colonialista. São lutas que possuem suas origens na Confederação dos Tamoios, na Batalha de Guaxentuba, na Batalha de Guararapes, na jornada emancipacionista da Inconfidência Mineira de Tiradentes, passando pela Revolução dos Alfaiates, pela Conspiração dos Suassunas e na batalha do Jenipapo, e no Dois de Julho na Bahia, para finalmente chegarmos ao Grito do Ipiranga em Sete de Setembro de 1822.

A conquista da independência é fruto de lutas épicas, envolvendo distintas camadas do nosso povo, com participação especial das mulheres em demonstrações de coragem e patriotismo. Cabe um lugar especial a figura de José Bonifácio de Andrada e Silva, Patrono da independência, e formulador de um projeto nacional para o Brasil Independente, fundado na unidade territorial, na substituição do trabalho servil pela mão-de-obra livre, na participação política da mulher e em uma política externa autônoma e de cooperação com os países da América do Sul.

Ao olharmos o passado para projetarmos o futuro afirmamos que a obra do Brasil independente é inacabada e possui desafios a serem superados com vistas e assegurar o efetivo desenvolvimento soberano do Brasil no terceiro século da sua existência como país independente.

O Brasil, Nação jovem, atravessou dois ciclos civilizacionais. O primeiro: a formação e os primórdios da Nação. A Independência. A Abolição. A República. O segundo: com a Revolução de 1930, o Brasil se modernizou, industrializou-se. Nosso país é rico e desigual. O desafio de completarmos nossa independência exige superar os obstáculos, as deformações e desigualdades acumuladas ao longo da história, para viabilizar um terceiro ciclo civilizacional no país. Este é o desafio de nossa geração.

Os comunistas estão presentes de forma organizada ao longo do transcurso de 100 anos dos 200 de nossa independência. Surgem como expressão da consciência política e organizada dos trabalhadores buscando contribuir com a produção teórica e cultural do país, disseminando a consciência patriótica e democrática.

Na atualidade, o Brasil vive uma grave e profunda crise, que ameaça seu futuro de Nação livre, próspera, soberana e democrática. Sob o governo de extrema direita, o país vive uma desorientação de rumos e o desmonte do Estado e das bases econômicas, sociais, civis, políticas, culturais e ambientais.

As eleições presidenciais de outubro colocam o país em uma encruzilhada entre dois projetos antagônicos. Como afirmava Barbosa Lima Sobrinho, a luta entre dois partidos no Brasil, o de Joaquim Silvério dos Reis, e o de Tiradentes; um portador de um projeto reacionário e autoritário, que fez nosso país voltar ao mapa da fome, que é subserviente aos interesses estrangeiros, que retira direitos do povo e que é inimigo das mulheres; e outro que busca fortalecer nossa soberania, que tem compromisso com a democracia, com a retoma do desenvolvimento, do emprego e da renda.

Os falsos patriotas buscam ainda sequestrar o 7 de setembro, deturpar seu sentido libertador para produzir arruaças e ameaças a democracia. Não permitiremos que os símbolos, cores e as datas de todos os brasileiros sejam maculadas.

Tal como foi a luta pela independência, será a união dos contrários que irá derrotar os antagônicos. A candidatura de Luís Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin, apoiada por dez partidos e amplos segmentos sociais é a expressão disto. Uma aliança em torno de um pacto pela democracia e reconstrução nacional, tendo como eixo estruturante a promoção do desenvolvimento soberano, com o protagonismo do Estado nacional e a recuperação dos direitos sociais conquistados e consolidados na Constituição de 1988.

Ao ingressarmos no terceiro século da existência do Brasil como nação independente, é preciso abrir veredas, construir caminhos para superarmos a grave crise que o Brasil atravessa. Devemos aproveitar as mudanças geopolíticas ocorridas no cenário internacional, caracterizado por uma crescente multipolaridade, que torna mais favorável aos Estados que estruturam projetos nacionais de desenvolvimento ampliarem sua margem de autonomia no contexto internacional.

O desafio de completarmos nossa independência requer recompor a capacidade do Estado de estruturar o desenvolvimento do país. Cabe ao poder público atuar como planejador, coordenador e impulsionador estratégico do processo de desenvolvimento e usar o investimento público como alavanca para elevar a taxa de investimento produtivo na economia nacional como um todo. É necessário alinhar a política macroeconômica nacional a esse objetivo, superando a lógica de manutenção das elevadas taxas de juros.

É a realização de investimentos públicos, a valorização do trabalho, emprego e renda dos brasileiros, a reindustrialização e elevação da produtividade econômica com base em tecnologia avançada, a criando cadeias regionais de valor, e a prioridade ao mercado interno, bem como a superação das desigualdades regionais.

Também são parte deste projeto a prioridade com a saúde de nossa gente, com o fortalecimento da educação pública e da cultura brasileira, e uma política ambiental que coíba a exploração predatória da natureza e impulsione o desenvolvimento sustentável e estratégico da Amazonia.

Não nos resta dúvidas que caberá às forças populares e democráticas completar a nossa independência, pois são elas que sustentam e viabilizam a agenda da emancipação social nas condições históricas concretas, nacionais e internacionais, do século XXI. É preciso derrotarmos o projeto autoritário e excludente de Bolsonaro e elegermos Lula presidente.

É uma hora decisiva para o destino do Brasil. Neste confronto decisivo aos destinos da Nação o PCdoB está onde sempre esteve em seus 100 anos de existência, ao lado dos que lutam pela nossa soberania, pelo fortalecimento de nossa independência, pelo desenvolvimento e a democracia, para com isso fazendo florescer a esperança em nossa gente.

Por Luciana Santos, presidente nacional do PCdoB

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