Reitor se despediu do cargo na UFBA com palavras contundentes


por Sueli Scutti

“Sem qualquer rendição”, afirmou o reitor que deixava a gestão, numa dura crítica às tentativas de agressão à autonomia universitária por parte do MEC bolsonarista.

Na posse da nova reitoria da Universidade Federal da Bahia, no dia 5 de setembro, o professor e filósofo João Carlos Salles Pires da Silva leu uma carta com breve balanço de seus oito anos de gestão, iniciada em 2014, e fez duras críticas a acontecimentos dos anos recentes no Brasil, como a operação Lava Jato, a deposição da presidente Dilma Rousseff e a eleição de Bolsonaro.

Utilizando palavras como “pandemônio”, “conduções coercitivas”, “golpe do impeachment”, “ataques diretos à vida universitária e à ciência”, “rudeza e falta de compostura”, ele traçou panorama do ambiente nas instituições de ensino federais e assinalou: “Sofremos ameaças, corremos riscos, tivemos danos, mas nunca paramos.” E foi mais incisivo: “Nosso caminho é o da afirmação de um projeto de longa duração, da defesa deste lugar de ciência, cultura e arte, sem qualquer rendição”, disse o reitor que se despedia.

Dirigindo-se ao reitor que assumiu, Paulo César Miguez de Oliveira, que dividira com ele a reitoria até então, João Carlos Salles registrou que “A universidade pública brasileira, afinal, amarga hoje os efeitos de um ataque sem igual. Porém, em meio a tamanha adversidade, conseguimos preservar e proteger um padrão elevado de qualidade acadêmica, com a garantia de nossas atividades de ensino, pesquisa e extensão.”

E prosseguiu: “Nossa gestão tampouco se furtou ao embate político, à defesa intransigente da universidade pública e de seus valores. E com a mobilização e a unidade de nossa comunidade, procuramos proteger a aura da universidade pública por meio dos valores de uma excelência acadêmica ligada na essência ao compromisso social da instituição.”

Ao se referir à crise da Covid-19, ele realçou que “diante do desafio da grave emergência sanitária em nosso país, soubemos dizer sim à vida, sem hesitação; soubemos afirmar os valores da educação e combater a barbárie; soubemos resistir, em suma, a todas as formas de obscurantismo e autoritarismo.”

Apesar do tom duro, ele expressou alegria pela luta e pela convivência com a comunidade acadêmica. “Cabe-me agora compartilhar com todos a alegria de ser UFBA, apoiar a caminhada segura de nosso reitor e, enfim, expressar confiança plena no seu reitorado, que já caminha com a firmeza e a suavidade dos corpos sutis, aqueles capazes de penetrar o denso.”

E prosseguiu: “Nossa gestão tampouco se furtou ao embate político, à defesa intransigente da universidade pública e de seus valores. E com a mobilização e a unidade de nossa comunidade, procuramos proteger a aura da universidade pública por meio dos valores de uma excelência acadêmica ligada na essência ao compromisso social da instituição.”

Ao se referir à crise da Covid-19, ele realçou que “diante do desafio da grave emergência sanitária em nosso país, soubemos dizer sim à vida, sem hesitação; soubemos afirmar os valores da educação e combater a barbárie; soubemos resistir, em suma, a todas as formas de obscurantismo e autoritarismo.”

Apesar do tom duro, ele expressou alegria pela luta e pela convivência com a comunidade acadêmica. “Cabe-me agora compartilhar com todos a alegria de ser UFBA, apoiar a caminhada segura de nosso reitor e, enfim, expressar confiança plena no seu reitorado, que já caminha com a firmeza e a suavidade dos corpos sutis, aqueles capazes de penetrar o denso.”

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