Fórum antifascista de Moscou clama: “Luta contra o fascismo é urgente”


“A luta contra o neonazismo é a tarefa de todas as pessoas pensantes, corajosas e decentes do planeta. Ela não pode ser adiada para mais tarde. Ela deve ser travada aqui e agora por todos os meios disponíveis e reunindo todos os aliados possíveis!”

De 22 a 24 de abril, delegações de 92 países reuniram-se em Moscou para o II Fórum Internacional Antifascista, organizado pelo Partido Comunista da Federação Russa. O Fórum homenageou também os 155 anos de nascimento de Lênin e os 80 anos da vitória do Exército Vermelho contra as forças nazistas.

Representando o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), esteve presente a Secretária de Relações Internacionais, Ana Prestes, que desenvolveu intensa atividade de trabalho durante os dias do evento, com dezenas de bilaterais e intervenções especiais. “A esquerda internacional e o movimento comunista acompanham atentamente a atuação da extrema-direita e do imperialismo na América Latina e dão muito peso às formulações do PCdoB”, destacou a dirigente comunista. O Secretário de Relações Internacionais do Partido dos Trabalhadores, Romênio Pereira e os deputados federais Jilmar Tatto (PT/SP) e José Airton Cirilo (PT/CE) também participaram do II Fórum e lembraram que o presidente Lula assistirá, no dia 9 de maio, ao desfile na Praça Vermelha em celebração dos 80 anos da derrota do nazismo na segunda guerra.

O II Fórum aprovou um apelo onde se destaca o chamamento à luta imediata contra o fascismo. Leia, abaixo, a íntegra do texto.

 A Luta Contra Fascismo é a Tarefa Comum e Urgente das Forças Progressivas em Todo o Mundo

Apelo do Segundo Fórum Internacional Antifascista

Moscou

23 Abril, 2025

Gennady Zyuganov, líder do Partido Comunista da Federação Russa e Ana Prestes

Nós, participantes do Segundo Fórum Antifascista em Moscou, reafirmamos e apoiamos o Manifesto para a associação dos povos do mundo “Protejamos a Humanidade Contra o Fascismo” adotado em 22 de abril de 2023 em Minsk pelo Primeiro Fórum Internacional Antifascista.

O curso dos acontecimentos justificou a proposição de que a causa da agressividade imperialista no mundo moderno é o agravamento da crise geral do capitalismo. Em fins do século XX a contra-revolução na URSS e nos países da Europa Oriental temporariamente enfraqueceu o polo socialista do mundo e desamarrou as mãos da reação. Completamente de acordo com teoria do imperialismo leninista, os EUA e outros predadores capitalistas estão fazendo uma tentativa da hegemonia mundial com os métodos mais hediondos, inclusive a promoção dos regimes neo-fascistas.

Durante décadas os globalistas têm manchado suas reputações pelas ações agressivas contra a Iugoslávia, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia e a Síria. O imperialismo guarda o mesmo destino para outros países e povos. As tentativas dos golpes de Estado já ocorreram na Bielorússia, Venezuela e Nicarágua.

Os países do OTAN receberam a tarefa de demonizar a Rússia, derrotando-a militarmente e desintegrando-a da mesma forma como a União Soviética. Para alcançar este objetivo, uma cabeça de ponte agressiva estava sendo criada na Ucrânia. O “banderismo” (1), a forma ucraniana do nazismo, estava sendo cultivado. Até o fevereiro de 2022 a política anti-russa da organização militar do OTAN liderada pelos EUA envolveu quase 50 países satélites. Os recursos econômicos, políticos e militares do capital mundial, inclusive os mercenários de guerra foram utilizados para o ataque contra a Rússia.

Leia também a íntegra do importante discurso de Zyuganov na abertura do Fórum: “Reforçar nossa luta antifascista, solidariedade e unidade de ação!”

Os motivos revanchistas são cada vez mais evidentes na ideologia e na política do bloco Ocidental. Estão sendo instigados pelas mesmas forças que foram derrotadas pela União Soviética e seu Exército Vermelho em 1945. A maioria dos países ocidentais testemunham um crescente anti-sovietismo, anti-comunismo e russofobia. Sanções  foram desencadeadas contra os povos da Rússia, China, Cuba e a República Popular Democrática da Coreia (RPDC). As ameaças militares e o terror são práticas comuns.

A mesma matilha feroz que está injetando dinheiro e armas para os neonazistas ucranianos suporta os sionistas israelenses que promovem a matança na Palestina. Os imperialistas estão aumentando as tensões em várias regiões do mundo, criando a ameaça da nova Guerra Mundial. Ao mesmo tempo as tensões estão aumentando dentro de seu campo. Os EUA procuram resolver seus problemas econômicos pela supressão de quaisquer rivais, inclusive a União Europeia.

A questão do futuro da Ucrânia tem de ser resolvida a partir dos interesses dos trabalhadores do país e das tarefas da paz duradoura na Europa. A tentativa de resolver o problema com a eleição de um novo presidente não está relacionada a esses objetivos. Quaisquer eleições sob o controle das forças neo-fascistas serão uma mera folha de figueira, que confere legitimidade ao poder das forças mais reacionárias. Um novo fortalecimento e um rearmamento do regime neo-nazista em Kiev deve ser prevenido por todos os meios. É necessário tomar uma decisão que exclua a possibilidade de mais derramamento de sangue. Os bandidos de Bandera e seus partidários no Ocidente devem ser condenados e o regime fascista em Kiev deve ser liquidado totalmente.

Da esq. para a dir. Romênio Pereira, José Airton Cirilo, Ana Prestes, Gennady Zyuganov e Jilmar Tatto

Nós ressaltamos que o anti-comunismo é um dos maiores sinais do ressurgimento do fascismo na Ucrânia, nos países bálticos e outros estados. Isso está totalmente em conformidade com a prática dos fascistas de Hitler, que criou o Pacto Anti-Comintern.

É importante que os povos do mundo impeçam qualquer tentativa de vingança nazista. Exigimos a renúncia total a todas as formas de descomunização na ideologia e nas políticas do Estado. Com relação à Ucrânia, insistimos na suspensão da proibição do Partido Comunista, no uso livre do idioma russo, na proibição da glorificação dos partidários de Bandera e na restauração dos monumentos aos heróis antifascistas que foram derrubados.

A luta contra o neonazismo é a tarefa de todas as pessoas pensantes, corajosas e decentes do planeta. Ela não pode ser adiada para mais tarde. Ela deve ser travada aqui e agora por todos os meios disponíveis e reunindo todos os aliados possíveis!

Às vésperas do 80º aniversário da Grande Vitória sobre o nazismo de Hitler e o militarismo japonês na Segunda Guerra Mundial, declaramos: o fim definitivo do fascismo e da ameaça de guerras mundiais só pode ser colocado com o fim do imperialismo. A única força capaz de fazer isso é a classe trabalhadora e o povo trabalhador liderado pelos comunistas. Apoiamos sem reservas a transformação da luta contra o fascismo na luta pela renovação socialista de todos os países do planeta.

A batalha contra o fascismo não pode tolerar pausas e armistícios!

Junte-se às fileiras dos combatentes contra o neofascismo, pelo progresso social e pelo socialismo!

Não permitiremos que o mundo seja destruído!

Eles não passarão!

Viva a frente unida das forças progressistas!

Nota

1 – Referência a Stepan Bandera, nazista ucraniano que durante a segunda guerra mundial serviu nas tropas hitleristas e que depois do golpe da Praça Maidan (2014) foi elevado à condição de  herói nacional.

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