Comunistas japoneses comemoram resultados eleitorais


Em uma declaração do Comitê Executivo Permanente do Comitê Central do Partido Comunista Japonês do dia 15 de dezembro último, os comunistas japoneses divulgaram a avaliação sobre o resultado eleitoral das eleições gerais realizadas no país no dia anterior:
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No dia 14 de dezembro se realizaram eleições gerais para a Câmara de Representantes, na qual o Partido Comunista Japonês aumentou em mais do dobro suas cadeiras de 8 para 21 deputados. Dos 21 candidatos eleitos, 20 foram eleitos por representação proporcional, obtendo 6,06 milhões de votos (11,37% do total de votos) e o companheiro Seiken Akamine obteve um triunfo impecável na circunscrição (distrito) No.1 da prefeitura de Okinawa. Esta é a primeira grande vitória do PCJ em eleições gerais desde 1996. E assim o PCJ recuperou o direito de apresentar projetos de lei na Câmara de Representantes (NT: que corresponde à Câmara dos Deputados no Brasil) depois da recuperação do mesmo direito na Câmara de Senadores (2013).
O partido conquistou as metas eleitorais propostas nas Resoluções do 26º. Congresso de PCJ entre as quais se afirmava: obter mais de 6,5 milhões de votos ou 10% do total de votos e obter vitórias em todos os distritos regionais de representação proporcional e nas circunscrições de apenas uma vaga (distritos uninominais). Lamentavelmente no distrito regional de Shikoku nenhum dos candidatos foi eleito, mas ali o PCJ obteve o percentual de 10,12% do total de votos dedicados à representação proporcional.
Como resultado dos esforços realizados pelos candidatos do PCJ e de seus partidários, o PCJ obteve um total de 7,04 milhões de votos (13,30%) nos distritos majoritários (uninominais), que muito contribuíram para o avanço do PCJ nos distritos regionais de representação proporcional, além de que também abriram uma perspectiva de futuras vitórias.
Em suma, o PCJ conquistou um avanço que faz historia na última eleição geral no país.
Gostaríamos de expressar nosso sincero agradecimento aos votantes por seu apoio e a nossos voluntários de campanha e aos membros locais do PCJ por seus esforços.
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Durante a campanha o PCJ concentrou sua plataforma eleitoral em cinco temas importantes: 1) NÃO a outro aumento de impostos sobre o consumo; 2) Combate ao “Abenomics” (NT: referência à política econômica do atual primeiro ministro Shinzo Abe); 3) Paz; 4) NÃO à energia nuclear; e 5) Por uma Okinawa livre de bases militares estadunidenses. Também conclamamos (NT: os japoneses) firmemente pela abolição do sistema de financiamento público dos partidos políticos.
Enfrentamo-nos diretamente com o regime (NT: de Shinzo) Abe, apresentando propostas em cada tema que representa os interesses da cidadania em geral. Ao longo da campanha, o partido também deu grande importância à “Confrontação” com o governo, às “Contrapropostas” e à “Cooperação” com a cidadania para lutar juntos para mudar a política (NT: oficial).
Muitas pessoas agora sentem que as propostas que Abe apresentou poderiam ser um caminho perigoso para seguir. Na campanha eleitoral desenvolvida em atmosfera, o PCJ mostrou claramente sua posição de confrontação diante das desastradas políticas de Abe, e isto foi levado em conta por muitos eleitores.
O PCJ propôs uma alternativa progressista para aumentar a arrecadação fiscal em lugar do aumento de impostos sobre o consumo. O partido também propôs estabelecer um marco de paz e de cooperação com o nordeste da Ásia. As propostas do PCJ sobre temas nacionais e diplomáticos ajudaram os eleitores a encontrar e escolher alternativas diferentes das que o primeiro-ministro Abe chama “o único caminho”.
O PCJ promoveu ativamente em diversas áreas lutas conjuntas com a população em geral, baseadas em temas previamente discutidos. Através destes movimentos, os cidadãos passaram a ver o PCJ como um partido que sempre se coloca ao lado do cidadão comum e que é um partido que representa sua voz, portanto o ajudaram a conquistar este avanço eleitoral.
O PCJ cumprirá sua promessa eleitoral, e utilizará plenamente seu direito a patrocinar projetos de lei no parlamento. Com o objetivo de responder às expectativas dos eleitores que apoiaram o PCJ nesta eleição, o partido utilizará todos seus anos de experiência e o espírito criativo no Parlamento de nova composição.
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Durante a campanha eleitoral, estabelecemos que a questão eleitoral central da polarização entre o Partido Liberal Democrático, de Abe, e o PCJ é o verdadeiro enfrentamento político no Japão e este fato se mostrou evidente pelo resultado de que o PCJ foi o único partido político que atingiu um grande avanço nesta eleição geral, passando de 8 deputados para 21.
Alguns meios de comunicação e outros críticos afirmam que o PLD (NT: de Shinzo Abe) obteve “uma vitória arrasadora”. Esta avaliação contradiz a realidade. O número de deputados eleitos pelo PLD para a Câmara de Representantes diminuiu. E em relação à porcentagem de votos obtidos pelos partidos políticos nas eleições de representação proporcional, o que revela mais claramente as relações de poder entre eles, o PLD conquistou apenas 33%. O sistema eleitoral de distritos majoritários é o que dá uma vantagem significativa aos principais partidos políticos, permitindo que o PLD possa obter a maioria na Câmara. Mesmo sob tal sistema eleitoral tão injusto, o PLD não foi capaz de aumentar suas cadeiras.
Ao mesmo tempo, uma característica importante dos resultados da eleição é que o PCJ, o adversário mais decidido do governo de Abe, conquistou um avanço notável. Ademais, nos quatro distritos majoritários em Okinawa, e são estes candidatos que se opuseram à construção de uma nova base militar estadunidense – é que deram o maior golpe em seus rivais políticos do PLD, que por sua vez traíram suas promessas de campanha anterior e aceitaram o plano de construção das bases militares — ganhando os 4 distritos.
Se o governo de coalizão do PLD-Komei enxerga o resultado eleitoral como um cheque em branco por parte da população, está cometendo um grande erro. A administração deve levar a sério a vontade dos eleitores que se mostrou em Okinawa e o grande avanço eleitoral do PCJ.
As forças que querem conter o crescimento do PCJ têm empregado diversas táticas anticomunistas, durante mais de uma década, como a realização de campanhas para implementar “um sistema bipartidário”, respaldado em terceiros grupos políticos para frear o avanço do PCJ.
O PCJ tem enfrentado estes ataques e agora está abrindo um novo capítulo no enfrentamento em grande escala entre o PLD e o PCJ. Nosso trabalho tenaz tem dado seus frutos nesta eleição geral. É por isso que o Comitê Executivo Permanente do PCJ expressa seu profundo respeito e apreço pelas lutas desenvolvidas por todos os membros do partido.
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O governo de Abe tem a intenção de seguir adiante com o aumento na taxa de imposto sobre o consumo (de 8%) a 10%, as propostas de “Abenomics”, a reativação de centrais nucleares, o exercício do direito à defesa coletiva, e à construção de una nova base militar dos EUA em Okinawa. Todas estas políticas vão contra a vontade da maioria da população em geral. A advertência que fazemos é que uma aplicação forçada das políticas de Abe incorrerá em uma maior oposição e, portanto, a um maior descontentamento social.
Aproveitando ao máximo a nova posição adquirida nas eleições gerais, o PCJ fará todo o possível para desenvolver lutas conjuntas a partir de cada tema, respeitando os acordos como ponto de partida, para impedir as políticas absurdas do governo de Abe, através de forças internas e externas do Parlamento para realizar uma autêntica mudança político no Japão.
A causa subjacente do maior crescimento do partido na eleição são os esforços que todos os militantes fizeram desde o Congresso do Partido na campanha de crescimento partidário, para duplicar a força partidária, promover uma renovação geracional no interior da organização, construir um partido forte tanto em sua quantidade quanto em qualidade.
Baseado em nosso avanço histórico na eleição geral, estamos convencidos de que com segurança realizaremos um trabalho mais importante para construir um partido ainda maior e mais forte.

(Tradução de Pedro de Oliveira)

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