‘Erramos ao defender o Fora FHC’, diz ministro do PC do B


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Ministro da Ciência e Tecnologia, o ex-deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) integra o seleto conselho político criado pela presidente Dilma Rousseff para melhorar o diálogo com a base no Congresso e a sociedade. Ex-presidente da UNE, na década de 1980, e da Câmara entre 2005 e 2007, além de ex-ministro das Relações Institucionais no governo de Luiz Inácio Lula da Silva, Rebelo minimiza o movimento pelo impeachment e reconhece que errou ao defender o “Fora FHC”.

Avalia que há risco de avançar na Câmara o impeachment ou existe margem de segurança?

Não creio que esse tipo de tese vai avançar na Câmara. Nem os dirigentes mais lúcidos do PSDB trabalham com essa hipótese.

Em 1999, o PC do B foi às ruas pedir o impeachment de Fernando Henrique. Por quê valia naquela época e hoje não vale mais?

Por uma simples razão: o pedido de impeachment de Fernando Henrique Cardoso estava errado. Ponto.

Então o PC do B estava errado?

Claro. E não só ele. Todos pedidos contra o presidente estavam errados.

Na época o sr. foi voto vencido no partido?

A posição do partido é sempre a posição de todos os seus integrantes. Não cultivamos essa tese de um ficar para um lado e outro para outro.

Os panelaços preocupam o governo ou o sr avalia que é um evento isolado?

Não é isolado porque acontece nas grandes cidades. É um movimento de setores da classe média que não atraiu a presença do povo. Mas no Brasil essas manifestações sempre foram de setores médios.

Partidos de oposição queriam ensaiar um pedido de impeachment e recuaram. O movimento perdeu força?

Nos momentos tumultuados da vida nacional, as teses não precisam de muita sustentação para circular. Não há sustentação jurídica nem política para a oposição cogitar o impedimento. Faz isso porque é jogo de cena. O País vive um momento estranho.

Estranho como?

Vivemos um momento em que empresas brasileiras que foram responsáveis pela construção da infraestrutura do País recebem um tratamento que nem as empresas que sustentaram o esforço de guerra do nazismo receberam. Nem elas foram tratadas como a Petrobrás e as empresas de construção civil estão sendo.

Que tratamento é esse?

Existem dois movimentos em curso no Brasil. Um é legítimo e necessário: a investigação e o combate sem tréguas à corrupção. O outro movimento é aproveitar o pretexto do combate à corrupção para destruir, desacreditar e desmoralizar empresas como a Petrobrás e as que construíram nossa infraestrutura perante o mundo.

Quais empresas?  

Empresas que hoje trabalham na área de construção, defesa, estradas… Marcas importantes da nossa engenharia estão sendo destruídas. Isso é inaceitável. A Alemanha enforcou os carrascos nazistas, mas as empresas que participaram do esforço de guerra foram preservadas. Não se pode atingir empresas que são patrimônio do País.

De que modo elas estão sendo atingidas? Qual a motivação?

A forma varia muito. Há um esforço de fazê-las inidôneas para participar de contratos com o poder público do País, o que é uma de forma de destruí-las. No Brasil, as obras de infraestrutura são quase todas financiadas com dinheiro público. Se você impede uma empresa nacional de participar, vai oferecer para quem? Para construtoras estrangeiras? Quando criam dificuldade para a Petrobrás contratar e executar obras, naturalmente as concorrentes são favorecidas. Isso já está prejudicando o andamento de obras no País. Quando um deputado comete um crime, você caça ele, não fecha a Câmara.

Quem está querendo destruir as empresas?

Os agentes estão nos jornais. Basta procurar.

 

14 comentários

  1. Lamentavel a postura do Aldo. Em que Congresso o PCdoB avaliou que errou ao reforçar a campanha pelo Fora FHC? Que legitimidade tem ele para ir à imprensa dizer que o partido fez auto-crítica? Estamos vivendo a era do centralismo-democrático seletivo, em que uns poucos podem, impunemente, desconsiderar a opinião do coletivo.
    Igualmente lamentável é a imprensa partidária reproduzir essa violência que o nosso grande contingente militante sofre. Confesso que fiquei constrangido.

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  2. Não tinha pensado nisto, não lembro qual a motivação juridica para para consumar o pedido de impeachment de FHC. Como estamos numa democracia de Estado de Direito, temos que observar as regras democraticas. A mobilização popular com fundamento é certeza que atinge seus objetivos, caso contrario cai no vazio. Mas que este famigerado FHC, foi e é um “estrago” para o Brasil, isto lá é, enfim é o que a “esquerda (reacionária?),ou será direita?” tem de proposta, vender o Brasil, tirar os direitos do trabalhador em geral, e por ai a fora.
    Em tempo, o fato de o partido ter tomado uma decisão nos foruns do partido, e não ter sido correto, serve para uma autocritica e lição, para corrigir os erros, o que não pode é perder os princípios marxista-leninista e a unidade no centralismo democrático. Roberto Gieseke

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  3. É uma pena que algumas posições que o Partido vem adotando no parlamento e no executivo, ataque o que tão fundamental na história e vida de um Partido Comunista: a sua unidade e o centralismo DEMOCRÁTICO. Aldo poderia pelo menos defender esta posição na próxima Conferência e se aprovada sua posição, poderia sim anunciar uma PRETENSA AUTOCRITICA DO PCdoB.

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  4. Gritei a todos pulmões: Fora FHC!-
    Não me recordo de auto crítica orgânica partidária em nenhuma de suas instâncias. Se tivéssemos tido sucesso em tempo, talvez a Vale não houvesse sido doada.

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  5. Excelente as respostas do Ministro Aldo Rebelo. Esse é um tema grandioso e fundamental para o Brasil hoje. Portanto, deve ser tratado e interpretado com profundidade. Analisar os fatos e as posições que tomamos diante deles é inerente aos marxistas. É desta forma que enxergamos o mundo: através da ciência histórica.
    Se nós erramos ao defender o “Fora FHC” naquele momento, sinceramente, ainda não havia refletido sobre essa posição, ao analisar o atual quadro político de constante ataque ao nosso governo. Contudo, a reflexão é mais que pertinente, pois, “O pau que bate no Chico, também bate no Francisco”.

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  6. HORRIVEL !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    “A ameaça se concretizaria mais tarde, durante os dois mandatos de FHC (1995 – 2002), um dos governos mais nefastos de toda a história republicana brasileira, marcado por corrupção, autoritarismo, desídia administrativa e entreguismo. Para conter a fúria neoliberal e conservadora, novamente ergueu-se no Brasil um forte movimento unitário político e de massas, com caráter democrático e patriótico, conduzido por líderes da estatura de Leonel Brizola, Miguel Arraes, Lula e João Amazonas. A essência do movimento era a defesa do Brasil, da democracia e dos direitos sociais do povo brasileiro, submetido a penosa degradação em suas condições de vida. Esta era a substância da campanha “Fora, FHC”, sem a qual não teria ocorrido a histórica vitória de Lula na eleição presidencial de 2002. Mais uma vez triunfou a ampla frente política e social.”
    http://www.zereinaldo.blog.br/index.php/604-em-todas-as-lutas-e-campanhas,-unidade-%C3%A9-a-bandeira-da-esperan%C3%A7a#.VVqDgOjraSg.facebook

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  7. Só avança quem tem coragem de mudar. A China é o que é hoje porque Deng Xiao Ping ousou alterar o rumo da revolução chinesa. Foi ruim? Penso que não, pois tirou 300 milhões de pessoas da pobreza. Aldo está certo, pois esta é uma maneira de calar a boca daqueles que gritam Fora Dilma.

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