Eleições em São Paulo


Por Nivaldo Santana.

As eleições municipais de 2016 são aguardadas com grande expectativa. Elas ocorrerão em meio às turbulências políticas e econômicas que o Brasil vive e com novas regras eleitorais. Os resultados desenharão uma nova correlação de forças e indicarão as grandes tendências para as eleições gerais de 2018.

Os holofotes principais, no entanto, estarão direcionados para São Paulo, pelo seu grande peso político e econômico. A capital paulista conta com doze milhões de habitantes, nove milhões de eleitores e é responsável por 11,5% do PIB nacional. A grandeza desses números se refletirá também na disputa política.

As eleições do ano que vem sofrerão o impacto, de dimensões imprevisíveis, do bombardeio midiático contra o PT, a esquerda e que, de quebra, atinge todo o mundo político. Exemplo: pesquisa Datafolha divulgada no início de novembro aponta que 71% dos paulistanos não têm preferência por nenhum partido político.

Mesmo com todos os factoides políticos e a blindagem da mídia, o PSDB, principal partido da oposição conservadora, não consegue crescer de forma substantiva no eleitorado de São Paulo. Os sucessivos problemas do governo do Estado parecem funcionar como uma âncora para segurar a decolagem tucana na cidade.

Nesse quadro complexo e despolitizado, pode se abrir uma brecha para candidaturas aventureiras, com a máscara do discurso antipolítica e descolado dos partidos. O clima de intolerância e avanço da pregação conservadora pode jogar água nesse moinho.

Na outra ponta, o prefeito Fernando Haddad deverá ser candidato à reeleição e enfrentará uma campanha muito difícil. Além da baixa popularidade do seu governo, disputará o voto popular das grandes periferias de São Paulo, tradicional reduto petista, com a neopeemedebista Marta Suplicy.

O PSDB, por outro lado, está dividido e até agora não definiu seu candidato. A liderança tucana, no entanto, tem uma eterna carta na manga, que é a sempre negada candidatura do atual senador José Serra, único com densidade política e eleitoral para dar competitividade ao partido.

Na linha dos livres-atiradores aparecem dois nomes: o deputado federal Celso Russomano, do PRB, e o apresentador de televisão José Luiz Datena, do PP. Russomano, que foi candidato na eleição passada e ainda está presente na memória do eleitor, aparece em primeiro lugar no Datafolha, na frente de Datena, Marta Suplicy e Fernando Haddad, os três empatados tecnicamente e embolados na segunda colocação.

A um ano da eleição, muita água vai correr embaixo da ponte. No plano nacional, não se pode antever como estará a situação do governo Dilma e da economia, duas variáveis importantes para as sempre nacionalizadas eleições paulistanas.

De qualquer forma, a tendência principal é de grande equilíbrio e disputa acirrada, sem favoritismos antecipados. Nesse quadro, uma diferença importante para a disputa eleitoral será a capacidade de resgatar a esperança do povo na boa política e conquistar o coração e a mente dos nove milhões eleitores de São Paulo em torno de um programa que aponte para uma cidade mais democrática, mais humana e mais harmoniosa.

NIVALDO SANTANA é Secretário Sindical Nacional do PCdoB, vice-presidente da CTB e é membro do Comitê Central.

3 comentários

  1. se o prefeito de São Paulo até maio do próximo ano conseguir aprovação de 25%…a cosa pega !!! avaliação regular dele atualmente é Boa ! é bom fazer uma melhor avaliação ?!

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