FERNANDO MORAIS: FOLHA FEZ VIAGEM DE VOLTA A 1964


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O escritor Fernando Morais critica o editorial deste domingo (3) da Folha de S. Paulo, no qual o jornal pede que a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer renunciem. Para ele, com o texto, a publicação “arranca dramaticamente a máscara de jornal plural e desnuda a si própria”.

“A presidente Dilma Rousseff (PT) perdeu as condições de governar o país. É com pesar que este jornal chega a essa conclusão. Nunca é desejável interromper, ainda que por meios legais, um mandato presidencial obtido em eleição democrática. Depois de seu partido protagonizar os maiores escândalos de corrupção de que se tem notícia; depois de se reeleger à custa de clamoroso estelionato eleitoral; depois de seu governo provocar a pior recessão da história, Dilma colhe o que merece”, diz o jornal.

Morais contesta:

Folha de S. Paulo, de volta para o passado.

A folha deste domingo arranca dramaticamente a máscara de “jornal plural” e desnuda a si própria ao pedir a renúncia de Dilma Rousseff e do vice Michel Temer. o argumento central do jornalão é que “formou-se imensa maioria favorável a seu impeachment”. formou-se onde, cara-pálida, além da redação da barão de limeira e das pesquisas do datafolha? a imensa maioria que vale são os 54 milhões de eleitores que a escolheram como presidente da república.

Com o editorial, a folha engata uma marcha-a-ré e volta a 1964, quando apoiou o golpe militar que infectou o Brasil, matou, torturou, perseguiu e exilou milhares e milhares de brasileiros. No caminho, faz um pit-stop nos anos de chumbo, quando o jornal emprestava seus veículos para os tonton macoute do general Médici caçarem comunistas.

Mesmo reconhecendo que inexistem “motivos irrefutáveis” para o impedimento da presidente da república, o jornal afirma que “seria uma bênção que o poder retornasse logo ao povo” e sugere que, após a renúncia de Dilma e Temer, sejam convocadas eleições em 90 dias. se seguisse seu próprio manual de redação, o jornal teria que publicar na segunda-feira um “erramos” vazado nestes termos: “onde se lê ‘povo’, leia-se ‘os derrotados nas eleições de 2014’”.

Sugiro, finalmente, que o jornal demita por justa causa o autor da peça literária. O Cláudio Marques que perpetrou o artigalhão se esqueceu de propor que, antes da convocação de novas eleições, o ex-presidente lula seja inabilitado para disputá-las. porque até os vendedores de carros usados da Barão de Limeira sabem que, se não tirarem Lula do campo, a força, ele ganha as eleições.

Fonte Brasil 247

4 comentários

  1. Parece que alguém não aprendeu matemática ou português.
    54 a 51 não é difernça imensa.
    E imensa maioria, cara pálida, só é aplicável quando o pleito é vencido em primeiro turno, caso em que a Justiça considera a maioria conseguida pelo vencedor como imbatível.
    Lembra quem foram os últimos a perderem assim, duas vezes em seguida?(e olha que eu não gosto nem de ouvir falar do inseticida fhc).
    Se não fosse este idiota, o impeachment teria acontecido logo no Mensalão. Só não lembra quem não quer ou é mal intencionado.

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    • José Manoel, você carece de uma importante matéria: interpretação de texto. Ou então, se a tem, carece de boa-fé. Fernando Moraes não se refere à DIFERENÇA (54 – 51) quando fala sobre a grande maioria que elegeu Dilma. Ele diz que a maioria elegeu Dilma, o que é do regime democrático, e que essa maioria é imensa. A diferença entre os votos não é relevante para quem respeita a democracia. Poderia ser de apenas um voto e, mesmo assim, a eleição é válida e deve ser respeitada por aqueles que não votaram em quem ganhou as eleições. A esse sistema damos o nome de DEMOCRACIA, mas parece que você vive ainda no anos de chumbo e não entende muito dessas coisas.

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  2. Matéria ótima! Fernando Moraes descortina uma das facetas da mídia golpista: apostar no caos para se beneficiar. Tática fascista da Folha. Mas, os tempos são outros.

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