Nos dias imediatos à confirmação, pelo Senado, da admissibilidade do processo do impeachment contra a presidenta Dilma e seu consequente afastamento do cargo, dois sentimentos devem ser evitados entre os milhares de líderes e ativistas da luta democrática.
Um é o sentimento de desânimo.
– Tanta luta e não deu em nada!, escreve-me pelo WhatsApp uma jovem militante.
– Nada disso, repondo. – Para os da minha geração, este é apenas um episódio de uma luta de longo curso, ainda que dramático e capaz de determinar os rumos imediatos da nação.
– Para a sua geração – prossigo -, talvez uma das primeiras experiências marcantes de combate por uma causa justa. A luta segue e estaremos todos em nossas trincheiras daqui por diante, na resistência à agenda neoliberal de Temer e em defesa dos direitos do povo e da nação. De fronte erguida e bandeiras alevantadas.
O outro sentimento, igualmente perigoso, é o do voluntarismo sectário.
– Agora o pau vai comer e vamos botar pra quebrar nos coxinhas e em todos os traidores que votaram pelo impeachment!, leio num dos grupos de debate no WhatsApp.
– Isso, companheiro! – reforça outro integrante do grupo. Fora PCdoB, PT e PSOL não sobrou ninguém, diz ele.
Aí vai uma carga imensa de simplificação, mecanicismo e sectarismo que a nada leva além do autoisolamento da esquerda.
Para não irmos longe, cá em terras pernambucanas, não se conhece nenhuma conquista histórica relevante – da Insurreição Pernambucana, que expulsou os holandeses, às eleições de Arraes para o governo estadual -, sem o concurso de frentes amplas e diversificadas.
E assim é na história humana, aqui e alhures.
Então, cabe renovar nova disposição de luta e ao mesmo tempo atiçar nossa sensibilidade tática para explorar toda e qualquer possibilidade de atrair grupos e frações das hostes das legendas que embarcaram na aventura do impeachment – quem sabe os votos de que necessitamos para evitar os dois terços finais no Senado e manter o mandato da presidenta Dilma.
Numa situação adversa como a em que nos encontramos agora, perder o descortino e quedar conformados ao isolamento é fazer o jogo das forças golpistas, em especial do seu núcleo duro, a oligarquia financeira e o complexo partidário-policial-midiático que urdiu e comandou o golpe.
A luta há que seguir – com firmeza e coragem e, ao mesmo tempo, amplitude e habilidade tática. Para que possamos adiante, reconstruídas nossas forças, ir à contraofensiva.
Luciano Siqueira

quero ele renuncia pois lugar de judas na forca
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Relata fatos do momento que vivemos num cenário obscuro quanto a determinação de AÇOES a serem realizadas nestes dias para a defesa dos direitos adquiridos da população. Não se trata de mãos atadas daqueles que defendem DILMA.Trata-se ,antes , solucionar o problema do endividamento interno e externo do nosso BRASIL.Até o momento nenhum desses políticos que se apresentaram ,mostrou um plano de ação que possa de imediato (6 meses ) equilibrar os interesses de todos ,fazendo rodar as empresas que se encolheram , desempregando milhões. Os que foram escolhidos pelo TEMER , infelismente são oriundos do governo DILMA ,não somarão nada em confiança ,pois seguem como processados,culpados,indiciados e até condenados. Esses não vão ajudar na retomada do processo de desenvolvimento do país. Atrapalharão sim e portanto fica difícil para o TEMER dizer não a essas “figuras” uma vêz que sabem atrapalhar o governo do MICHEL ,pois o conhecem de longa data e sabem que ele poderá ser forçado a sair também , sendo isso, principalmente da vontade de PSDB COM A SUA CULTURA POLÍTICA ALIENADA A UM SISTEMA QUE NÃO DEU CERTO , pois a sua pauta é da direita extrema, defensores do CAPITALISMO SELVAGEM. Um sistema que terá que ser mudado e vai mudar , senão esses mesmos , os que estão NO TOPO DA PIRAMIDE serão os primeiros a sentirem no bolso a revolta do povo e a retração dos seus investimentos.
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Republicou isso em A Estrada Vai Além Do Que Se Vê.
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Luciano; Bastante lúcida a dica. Não é fácil o olhar mais amplo para quem está na frente de luta mas necessário para quem almeja a vitória. Penso que seria útil a criação de uma agenda consensual, do Brasil enquanto nação coesa para enfrentar os próximos anos da crise mundial: Democracia e o Estado de direito como pontos de partida.
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