Frear Lava Jato é uma das causas do golpe; cortar direitos é a central


Para o economista e ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, a tentativa de barrar as investigações da Operação Lava Jato – explicitada no áudio do ex-ministro do Planejamento Romero Jucá – é uma das causas por trás do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. A principal, contudo, seria reduzir direitos sociais e dos trabalhadores, avaliou.

 

 

 

“Diante do afastamento do Senador Romero Jucá, que caiu em uma armadilha preparada pelo senhor Sérgio Machado (é difícil encontrar alguém pior neste Brasil), o PT passou a afirmar que paralisar a Operação Lava Jato foi a “verdadeira” causa do impeachment. Não, não foi. Foi uma das causas; é claro que o PMDB e os demais partidos querem paralisá-la, e não se conformavam com a “inação” do PT, mas a principal causa está hoje nos jornais”, escreveu o economista nesta terça, em seu Facebook.

De acordo com ele, a meta fundamental dos apoiadores do impeachment, o corte de direitos, ocorrerá a partir de quatro reformas constitucionais anunciadas pelo governo: “desvinculação das despesas com educação e saúde da receita e teto para elas; autorização para que os acordos sindicais prevaleçam sobre a legislação trabalhista; desvinculação de benefícios sociais do salário mínimo; e definição da idade mínima para a previdência”, enumerou.

“O objetivo é beneficiar os capitalistas rentistas e financistas – os grandes vitoriosos do momento – para que paguem menos impostos. É reduzir os salários diretos e indiretos”, disse Bresser. De acordo com ele, a justificativa do governo Temer para isso é uma “crise fiscal estrutural”.

“É a tese que a Constituição de 1988 não cabe no PIB. Ora, isto é falso. Entre 1999 e 2012 as metas fiscais foram atingidas. Agora estamos em uma crise fiscal que, de fato, exige ajuste. Mas exige medidas pontuais”, opinou. Para ele, quanto às reformas constitucionais, é realmente necessário fazer alguma coisa, mas não da forma violenta que está sendo proposto.

Embora acredite que há um problema fiscal na Previdência e que seria necessário estabelecer uma idade mínima de aposentadoria de 65 anos – mas com um amplo prazo de carência -, Bresser defendeu que fazer “prevalecer acordos sobre a legislação trabalhista é péssimo para a grande maioria dos trabalhadores, que não têm sindicatos fortes a defendê-los”, por exemplo.

De acordo com ele, a economia brasileira está semiestagnada desde 1990 – ano da abertura comercial -, “porque a partir de então a doença holandesa deixou de ser neutralizada e as empresas brasileiras passaram a ter uma desvantagem competitiva muito grande”.

Isso teria ocorrido porque a taxa de juros “é muito alta desde a abertura financeira de 1992. Porque essa taxa de juros muito alta implica um custo fiscal de juros para o Estado absurdo – em torno de 6% do PIB, no último ano, 8,7% do PIB. E porque a poupança pública é muito pequena, insuficiente para financiar os necessários investimentos públicos”, encerrou.

3 comentários

  1. Extremamente coerente, todos já sabíamos que os ventos de mudanças com arrochos salarial, depreciação dos direitos trabalhistas, aposentadoria cada vez mais distantes, são algumas das intenções do “sistema”. A burguesia financeira não quer pagar as contas dos avanços sociais empreendidos nas últimas gestões do PT. Fica um lembrete: Não se fala neste país em divisão de renda, com as taxações de grandes fortunas. Devemos por tais argumentos em pauta.

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  2. Exatamente isso que estar ocorrendo no sistema corrupto que estamos assistindo e ainda dizem que não é golpe, esta corja estão achando que as massas são burras ou cegas né?

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