Para professora da USP, números da economia desmentem Temer

Em artigo publicado na Folha de S. Paulo, nesta quinta (08), a economista e professora da USP, Laura Carvalho, defende que a euforia do governo Michel Temer com o crescimento de 1% no Produto Interno Bruto (PIB) do priemiro trimestre de 2017 é descabida. Para ela, o discurso de que é o “fim da recessão” não se sustenta e é “mais uma incursão ao país das maravilhas”.

 

No texto, Laura destaca que o resultado do PIB se deve ao crescimento de 13,4% no setor agropecuário, algo que não tem a ver com as medidas tomadas pelo governo. “A não ser que o tal grande acordo nacional também tenha envolvido são Pedro e os grandes mercados mundiais”, ironiza.

A economista ressalta que a situação da demanda interna do país frustrou todas as projeções. Depois de oito trimestres de queda, analistas estimavam uma recuperação do consumo das famílias de 0,4%, mas os dados do IBGE mostraram nova retração, de 0,1%. Os investimentos, por sua vez, caíram 1,6%, enquanto as projeções giravam em torno de uma redução muito menor —de 0,3%.

“Embora o governo tenha seguido à risca o programa econômico desejado pelos analistas do mercado financeiro, a economia real tratou de mostrar que funciona de forma diferente”, escreveu a economista.

Laura chamou de “chocantes” os erros de projeção do governo. Ela recorda que depois do impeachment, a média das expectativas de crescimento do PIB de 2017 reunidas no Boletim Focus subiu de 0,24% em abril de 2016 para 1,34% em setembro.

“Hoje, gira em torno de 0,5%, e muitos analistas já descartam qualquer crescimento para este ano (…) Os números de abril da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE sinalizam que a situação não melhorou após o fim do primeiro trimestre: houve retração de 4,5% em relação a abril de 2016.”, escreve.

De acordo com ela, os efeitos das delações da JBS e a perda da governabilidade do presidente sobre a economia real ainda não são conhecidos. “Mas o fato de o presidente tentar segurar-se nos péssimos números da economia para angariar apoio só desnuda o que já sabíamos: que a tragédia é ainda maior em outros âmbitos”, diz.

Na sua avaliação, as forças que deram sustentação à derrubada de Dilma Rousseff “ainda oscilam entre empurrar o governo com a barriga até 2018 ou substituir Michel Temer por outro Michel Temer”.

Segundo Laura, contudo, “vai ficando cada dia mais difícil convencer” as pessoas de que seriam esses os melhores caminhos para a estabilidade econômica e política.

Do Portal Vermelho

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