PCdoB celebra 97 anos com defesa da unidade contra os retrocessos


O Teatro Beberibe, em Olinda (PE), ficou pequeno para abrigar todos os militantes e amigos do PCdoB que foram ao local para comemorar os 97 anos do partido. Lideranças nacionais e locais, representantes de partidos aliados e dos movimentos sociais, intelectuais e artistas se uniram, nesta segunda-feira (25), para saudar a trajetória dos comunistas de compromisso com o país e seu povo. Nos discursos, a defesa da unidade para barrar o retrocesso imposto pelo governo Bolsonaro.

Foto: Diego Galba

 

“Um, dois, três, quatro, cinco mil, e viva o partido comunista do Brasil”. O tradicional grito de guerra invadiu o teatro, para anunciar que estava começando o ato. Um vídeo fez um passeio pelos principais acontecimentos do país, que se misturam à atuação dos comunistas. No palco, dirigentes, gestores e parlamentares do PCdoB e de partidos como PT, PSB, PDT, Rede e Psol, além de presidentes de movimentos estudantis, de trabalhadores, negros e mulheres.

Antes de precisar se ausentar do evento, por causa de uma viagem a Brasília, o governador do Estado, Paulo Câmara (PSB), fez uma saudação à militância. Ele destacou que os 97 anos do PCdoB são uma data “histórica”, que precisa ser celebrada, em especial em momentos como o que vivemos.

“O PCdoB tem história e representa a resistência a esses momentos difíceis que o país passa. Momento de ameaças, em que nós não sabemos o que vai acontecer. Aqui em Pernambuco, o que tenho dito é que nosso trabalho é de consolidação da liberdade, da democracia, do combate às desigualdades”, declarou.

Como vice-presidente nacional do PSB, ele se colocou à disposição do PCdoB para contribuir com a defesa dessas bandeiras e reafirmou: “Queremos estar juntos na trincheira contra as ações que vão no sentido da retirar direitos daqueles que mais precisam”, afirmou, citando especialmente aspectos da reforma da Previdência. “Não vamos aceitar que conquistas históricas e a defesa do povo mais pobre sejam colocadas de lado em favor de outros interesses”.

“Vai avançar, vai avançar. A unidade popular”. Assim a presidenta nacional do PCdoB e vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos, iniciou sua fala, ao saudar as representações das siglas aliadas. “Esse é um partido que se entrelaça com as lutas de nosso povo”, destacou, para, em seguida, citar diversos momentos de atuação em prol da democracia, da soberania e da igualdade, tão ameaçadas atualmente.

“O PCdoB está onde sempre esteve. Na linha de frente da defesa desses pilares e dos direitos da classe trabalhadora. Fazemos 97 anos na linha de frente da oposição ao governo de Bolsonaro e de sua agenda de feição autoritária, um governo retrógrado nos costumes e ultraliberal na economia”, afirmou.

Luciana lembrou de comunistas que ajudaram a modelar o Brasil contemporâneo, a partir de sua atuação não só na política, como nas artes, nas ciências e em outras áreas relacionadas à construção da identidade nacional.

“O Brasil vive hoje uma ameaça para sua existência como um Estado democrático, soberano e independente”, discursou. Para ela, o país vive hoje uma de suas mais graves crises. “Ares de autoritarismo pairam no ambiente político”, completou, defendendo que tal autoritarismo assume uma roupagem de “nova política”.

De acordo com presidenta do PCdoB, a batalha atual se dá na defesa da aposentadoria. “Nosso desafio é ampliar a mobilização do povo, pressionar parlamentares e dar a conhecer os impactos que a reforma terá na vida do povo”.

Luciana também destacou a união entre o PCdoB e o PPL, que se incorporou à sigla comunista há poucos dias. “Temos a convicção de que , com esta união, se fortalece a luta dos que almejam construir uma sociedade mais justa, desenvolvida e soberana, se fortalece a luta dos que defendem a construção do socialismo no Brasil”.

Ela reiterou que a radicalidade para os comunistas está na capacidade de reunir um leque amplo e diversificado de forças, de explorar as tensões e contradições do governo e de sua base e impor derrotas a esse campo.

“O PCdoB defende a união de forças democráticas, populares e patrióticas como condição para enfrentar a escalada reacionária”, colocou, apontando que é nas adversidades que os comunistas “se agigantam” e que o Carnaval, onde o povo rechaçou nas ruas o governo, deu o sinal: “É hora de colocar o bloco na rua. Dias mulheres virão”, encerrou.

Novo integrante da Direção Nacional do PCdoB, após a incorporação do PPL, Carlos Lopes, do jornal A Hora do Povo, destacou que “um partido fazer 97 anos é um feito. Mas um feito maior que esse é fazer 97 anos sem degenerar”. De acordo com ele, “há uma pressão enorme numa sociedade como a nossa para que se abandone aquilo que a gente acredita, a ligação com o povo. O PCdoB não degenerou, não traiu”, elogiou.

Mariana Dias, presidenta da União Nacional dos Estudantes, contou como começou sua relação com o partido. “Entrei numa comunidade do Orkut, chamada ‘revolucionários de sofá’. Achava que não existiam mais jovens organizados que falavam de revolução, rebeldia e transformação. Depois, conheci o PCdoB e deixei de ser uma revolucionária de sofá e passei a ser uma revolucionária de verdade. As pessoas que estão no poder querem que a gente ache que esse é um país passivo, que não se mobiliza. O povo não entra numa guerra se achar que não tem possibilidade de ser vencida. Precisamos motivar os jovens a acreditarem na política e que é possível transformar”, pregou.

Presidente da CTB, Adilson Araújo avaliou que a classe trabalhadora começa a enxergar que foi enganada por fake news na eleição passada. “Temos um presidente que idolatra o Mickey e estamos sendo governados por um pateta. Não temos alternativa. Nesse país, nunca se conquistou nada sem luta. Nos seus 97 anos, o PCdoB segue lutando em defesa da soberania, da democracia e da liberdade”.

Representantes dos partidos ressaltaram em suas falas a trajetória do PCdoB e a importância do partido nesse momento difícil do país. Teceram críticas ao governo Bolsonaro e apontaram a ameaça que ele representa aos direitos do povo. “Precisamos reafirmar nossos laços. É preciso uma frente ampla para combater tudo isso”, disse Glaucus Lima, do PT.

José Queiroz, do PDT ressaltou a ligação entre as duas siglas. “A convocação pela unidade representa o sonho de Leonel Brizola, Prestes, Amazonas, e aqueles que pensaram o Brasil sem nunca renunciar a suas convicções. Saúdo a todos que fazem o PCdoB, pelo que representa, pelo compromisso histórico”, afirmou, completando que, se fosse convocado para assinar uma ficha de filiação, teria muita honra.

“Venho aqui prestigiar a história desse partido tão combativo. Passamos por esse momento, em que temos um presidente racista, machista, homofóbico, e nos colocamos à disposição para estarmos na trincheira de combate. Nunca saímos das ruas e é lá que a gente vai ficar até nossos direitos serem respeitados”, disse Juliana Vitorino, do Psol.

Roberto Leandro, da Rede, destacou o papel de aglutinador de forças desempenhado pelo PCdoB. “Nosso povo é de luta e as forças organizadas vão dar resposta à altura a esse governo. Deixo grande abraço a todos que fazem o PCdoB. É fundamental manter acesa a chama por um mundo melhor e por uma sociedade socialista”.

Em vídeo, o prefeito do Recife, Geraldo Júlio (PSB) falou que o PCdoB completa 97 anos de existência e resistência. “Um partido que sempre lutou por democracia e liberdade, oficialmente e na clandestinidade. Vocês são motivo de orgulho. Quero deixar meu abraço. O Brasil passa por momento difícil e o PCdoB está sendo firme nessa luta”.

Ex-senador pelo Ceará, Inácio Arruda explicou porque o partido defende a democracia e a soberania. “Sem isso, não conseguimos escola para nossos filhos, trabalho para nosso povo, casa para morar, nem satisfazer as necessidades mínimas dos brasileiros. Essa hora exige sagacidade do PCdoB para dialogar com nosso campo, trazer muita gente, quebrar as forças do lado de lá. Quem quebra isso é povo na rua, mobilização popular”, colocou.

Antenor Roberto, vice-governador do Rio Grande do Norte, avaliou que o partido é o mais antigo e o mais jovem do país. “Esse partido tem grande autoridade política e vive o grande desafio de transformar essa autoridade em influência concreta no movimento social, na superestrutura do Estado. Traduzir isso em ação concreta, o que exige entrar em muitos corações e mentes”, indicou.

O presidente da UBES, Pedro Gorki também analisou que o PCdoB continua jovem. “Não só porque ajuda a dirigir o movimento estudantil e social, não só porque tem em suas fileiras jovens, mas porque temos os mais belos sonhos, defendemos o que há de mais avançado, que é a luta por justiça social e desenvolvimento. Saímos daqui com o sentimento de que estamos no caminho certo. A história do PCdoB sempre foi e sempre será estar ao lado certo da história”.

Deputado estadual pelo PCdoB, o ex-prefeito do Recife João Paulo ressaltou os tempos de retrocessos. “Foi necessário um golpe para implementar a maior derrota da classe trabalhadora, que foi a reforma trabalhista. E foi necessário um golpe para tirar uma presidenta eleita com 54 milhões de votos para colocar através do fake news um presidente sem a menor qualificação para governar o Brasil. Temos um governo que faz a maior entrega da história do Brasil ao capital internacional e que quer impor a maior derrota ao povo brasileiro, que é a retirada de suas conquistas. A estratégia do PCdoB é clara, é momento de união, de acumular forças”.

Última a discursar, a líder da minoria na Câmara, Jandira Feghali sublinhou a pluralidade do partido. “Fiquei com muita atenção à presença das pessoas aqui e pude ver como esse auditório expressa nosso partido. Muitas gerações, mulheres, homens, pessoas brancas, negras, lideranças do movimento sem teto, sem terra, sindicalistas, professores, movimento indígena, artistas, pessoas de todos os lugares: esse é o nosso partido”, disse.

Ela lembrou que o PCdoB foi o primeiro partido a ousar colocar uma mulher na sua Presidência e teceu muitos elogios a Luciana. “Tenho 37 anos de PCdoB, tem gente aqui que assumiu essa batalha recentemente, nesse momento de luta pela liberdade, contra essa democracia violada que prendeu Lula, e colocou no Planalto uma visão apodrecida, atrasada, que faz do que diverge um inimigo a abater, que quer subjugar a cultura, nega a diversidade, o Estado laico, a esquerda, a política”.

Segundo ela, “os punhos vão se erguendo, as ruas vão se enchendo. Eles [do governo] são incultos porque não conhecem o Brasil profundo e a realidade do povo. Digo com firmeza que a tentativa de tirar liberdade e direitos, de tirar a possibilidade de futuro, não cabe no Brasil. Não vamos voltar para trás. As mulheres não voltarão para a cozinha, os LGBTs não voltarão ao armário, o Brasil não vai voltar a ser colônia”.

Na sua avaliação, é hora de unidade. “Está em risco o futuro, o Brasil. Não é hora de protagonismo, vaidade, disputas pequenas. Precisamos unir a esquerda, unir para além de nós, todos os que querem superar essa fase tenebrosa. É o momento da frente ampla. Que se levantem homens e mulheres, a negritude e juventude, os democratas, para que, na fase seguinte, possamos superar o que nos oprime, que é o capitalismo. Enquanto eles gritam morte, nós gritamos vida. Enquanto eles gritam ódio, a gente grita amor. E quando eles gritam morte aos comunistas, a gente grita viva o Partido Comunista do Brasil”, encerrou.

A cerimônia chegou ao fim enquanto os presentes repetiam o chamado de Luciana: “vai avançar, vai avançar a unidade popular”. A plateia deixou o teatro revigorada, após o músico Carlinhos Lua tocar o hino do PCdoB, A bandeira do meu partido, e a Internacional.

Do Vermelho/Pernambuco

Foto: Diego Galba

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