Lançado em SP livro com as ideias do presidente da China, Xi Jinping


A possibilidade do público brasileiro ter acesso ao pensamento que tem dado continuidade à trajetória segura e vitoriosa de um país que em 40 anos de planejamento ousado e persistente saltou de uma situação de subdesenvolvimento para o topo dos países mais desenvolvidos do mundo, concretizou-se nesta semana (29) em São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Segundo Haroldo Lima, convidado a palestrar no evento ao lado de outros intelectuais e representantes diplomáticos chineses, esse acontecimento “foi fruto de longas conversas que mantivemos com os Ministros-conselheiros da Embaixada chinesa em Brasília, senhores Song Yang e Hu Menglong. Ao longo de minha vida militante em defesa da democracia, da liberdade e do socialismo, como deputado federal em várias legislaturas e como ex-presidente da Agencia Nacional do Petróleo (ANP), soube respeitar e acompanhar a evolução deste pensamento dos chineses, especialmente com o início da política de Reforma e Abertura inaugurada por Deng Xiaoping em 1978. Eu e o jornalista Pedro de Oliveira propusemos naquelas reuniões que se editasse no Brasil a obra de Xi Jinping a partir de uma versão em português da Editora de Línguas Estrangeiras de Beijing, ideia que contou também com uma sugestão do intelectual brasileiro Duarte Pacheco Pereira”. Naquela ocasião Haroldo pronunciou o seguinte discurso:

Cidadãos chineses e brasileiros aqui presentes.
No âmbito das comemorações dos 70 anos da proclamação da República Popular da China, que agora se completam, dá-se aqui em São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, o lançamento dos dois volumes do livro “A governança da China”, de Xi Jinping, atual Presidente da China. Trata-se de um acontecimento de grande importância no universo cultural brasileiro.
No mundo de hoje, há uma enorme curiosidade para se entender a trajetória da China nesses 70 anos, particularmente de 1978 para cá, e para se saber os planos futuros que animam o grande país asiático.
O livro do Presidente Xi Jinping, que ora lançamos, trata precisamente dessas questões, de forma meticulosa e analítica, com a autoridade de pessoa que participou da maior parte de todo esse processo e que hoje dirige, com firmeza, maestria e dedicação afetuosa a China Popular.
Definitivamente as mudanças ocorridas na China, desde a proclamação da República Popular, em 1949, até hoje, são absolutamente espetaculares.
A China esteve ocupada no início do século XX por tropas de oito potências, que a sujeitaram a atrocidades e humilhações. Um pouco antes fora obrigada a assinar, após guerras de agressão, “tratados desiguais”, que pilharam partes de seu território.
Desde que a República Popular foi proclamada pelo grande líder chinês Mao Zedong, nenhuma potência ousou tocar, nem de leve, o solo chinês. A China liberta, independente e soberana estabeleceu objetivos claros para se transformar em uma grande Nação.
Uma dificuldade que tem os analistas ocidentais para entender a China é que eles desconsideram as análises que os chineses fazem do caminho que percorrem, desprezam seus valores, suas motivações, sua história, seu modo peculiar de organizar-se e suas opiniões. Optam por retratar a China à margem do que os chineses dizem de si próprios.
De forma absolutamente decidida, os dirigentes chineses, há sete décadas, declaram que visam construir uma sociedade socialista em seu país, e vem, de forma persistente, por trajetos tortuosos, com acertos e erros, buscando o caminho chinês de construir essa sociedade. Isto, que é essencial em todos os escritos dos dirigentes e estudiosos chineses, principalmente nas resoluções do Partido Comunista da China, é praticamente desconsiderado pela vasta literatura que no Ocidente se produz sobre a China.
As diretrizes criadoras e sumamente habilidosas seguidas pela China desde 1978, definidas a partir da contribuição de outro grande líder do povo chinês Deng Xiaoping, são vistas aqui como abandono de caminho, arranjos desconectados de objetivos estratégicos.
As diretrizes seguidas pela China nesses últimos 40 anos permitiram ao país trilhar o caminho inovador de um “socialismo com peculiaridades chinesas”, quase que inteiramente desconsiderado pela literatura ocidental sobre a China. E, contudo, foi trilhando esse caminho que a China conseguiu transformações monumentais.
Na configuração do “socialismo com as peculiaridades chinesas”, diferentes formas de propriedade são admitidas, entrelaçadas de formas originais, sob o predomínio da propriedade social, especialmente da propriedade estatal. As leis do mercado são respeitadas e as próprias empresas estatais são orientadas a participarem do mercado, concorrerem no mercado, se afirmarem no mercado, se destacarem no mercado. Já em 1987, o XIII Congresso do Partido Comunista da China afirmava que cabe “ao Estado regular o mercado e, a este, orientar as empresas”.
Na história da humanidade, o mercado surgiu antes do capitalismo e este, ao se desenvolver, criou o mercado capitalista, hegemônico no mundo atual. O que a China vai fazendo, da maneira mais exitosa possível, é construir formas socialistas que passaram a se desenvolver com o mercado e, nessa base, trouxeram à tona o que os comunistas chineses chamam de “economia socialista de mercado”.
Esta mudança de paradigmas na construção de uma sociedade nova, próspera, socialista com peculiaridades chinesas, tem viabilizado feitos extraordinários, na economia, no plano social, na cultura, na tecnologia, no aspecto militar, na geopolítica econômica do mundo.
Dados da BBC News, publicado pelo O Globo, de 20 de dezembro de 2018, mostram que, em 1978, quando este caminho começou a ser trilhado, o Produto Interno Bruto (PIB) da China era de aproximadamente US$ 150 bilhões. Em 2018, 40 anos depois, saltou para US$ 12,2 trilhões, um crescimento vertiginoso, desconhecido no planeta Terra.
País pobre, com massas de chineses vivendo há séculos na penúria, dados do Bureau Nacional de Estatísticas da China, incorporados pela mesma BBC News, e reproduzidos na mesma edição do jornal O Globo, indicam que, nos mesmos 40anos, a China retirou da faixa de pobreza, cerca de 740 milhões de pessoas.
No Índice Global de Inovação, da Organização Mundial da Propriedade Intelectual, publicado pela revista Exame, de 11 de julho de 2018, a China aparece como “líder em patentes, publicações científicas e trabalhadores em ciência e tecnologia”.
O livro do Xi Jinping coloca todos esses êxitos num quadro de conjunto, como resultado do esforço de todo um povo que reafirma e busca objetivos estratégicos a serem realizados por meios novos, em uma civilização milenar e num quadro mundial de tensões e ameaças.
N’A governança da China, Xi Jinping mostra que os êxitos conseguidos até aqui devem-se a esse “socialismo com peculiaridades chinesas” que a China desbravou, com coragem, discernimento e espírito criador antidogmático. Acentua que esse caminho é que garantirá o desenvolvimento harmônico da China.
Como está em Nota da Editora de Beijing, “A Governança da China” foi primeiramente concebida como uma coletânea de importantes discursos de Xi Jinping, cobrindo o período que vai do final do 18º. Congresso do Partido Comunista da China (realizado em setembro de 2012) até junho de 2014. O livro repercutiu muito bem no público chinês e fora da China.
Em seguida, o Presidente Xi Jinping continuou explorando o conceito de governança da China na era atual, formulando ideias e estratégias que inovaram até a base teórica do PCCh, como diz o texto introdutório da Editora de Línguas Estrangeiras de Beijing.
O volume II da obra de Xi Jinping contém discursos e artigos produzidos de agosto de 2014 a setembro de 2017. Nessa parte, o líder chinês procura apresentar respostas para duas grandes questões desta nova era. O que é o socialismo com caraterísticas chinesas? E como alcançá-lo?
E é respondendo a essas questões que Xi Jinping descortina o horizonte do que chama de “Sonho Chinês”, a meta da revitalização nacional, da unificação completa de todo seu território, e da realização das aspirações do povo por uma vida melhor, por uma comunidade de futuro compartilhado com toda a humanidade, para promover a paz e o desenvolvimento mundiais.
A obra que ora lançamos publicada pela Editora de Línguas Estrangeiras de Beijing, terá em seguida outra publicação para o público brasileiro, feita pela editora carioca Contraponto que a colocará nas principais livrarias do país.
Finalmente, em nome dos comunistas do Brasil, quero saudar a todos os membros da delegação chinesa que ora nos visita, bem como a todos os presentes.
Obrigado.
Haroldo Lima

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