Manuela d’Ávila: Quais lições aprenderemos no caminho?


Atravessamos um período de muitas inseguranças com relação ao futuro. De certeza carregamos a ideia que o mundo será diferente daquele que vivíamos antes da Covid-19. Mas como ele será? A resposta a essa pergunta que ecoa em nossas cabeças ainda não existe. Depende de quais mudanças coletivas e individuais estamos dispostos a promover e quais rumos os governos vão escolher para enfrentar a crise enquanto caminhamos juntos até lá.

Sim, cada um deve fazer a sua parte. Nós estamos buscando fazer a nossa. Através do instituto que presido, “E se fosse você?” ja doamos mais de 27 toneladas de alimentos para famílias vulneráveis em Porto Alegre. Mas isso não é o suficiente.

Existem alguns consensos internacionais sobre o presente, mesmo que fortemente ignorados pelo Presidente do Brasil. Isolamento, sistemas de saúde e proteção social públicos, papel da indústria, importância da ciência e das universidades e institutos federais no caso brasileiro, relevância da informação de qualidade e do combate às fake news para que tenhamos menos mortes, combate a todo o tipo de violência, com atenção especial à violência de gênero, muito comum em situações de isolamento social, implementação de uma política econômica expansionista, como tem sido um acordo entre economistas das mais distintas matizes mundo afora, políticas fiscais que ponham dinheiro na mão das pessoas, garantindo renda mínima e o emprego, além de uma ampliação do acesso ao crédito de forma ampla, rápida e barata para as pequenas e medias empresas. Para esse presente ser realidade é preciso união e luta de quem quer salvar o Brasil, salvando a vida das mulheres e dos homens brasileiros.

Mas que lições para o futuro podemos aprender no caminho? A primeira é que somos interdependentes e não existirá salvação individual, como afirmou o Papa Francisco. Portanto, valores como solidariedade, proteção da vida e do meio ambiente e atenção com os mais vulneráveis devem estar no topo da hierarquia de nossas vidas e voltar a figurar no centro das escolhas dos governos. Além de nossas ações individuais é evidente a necessidade da construção de uma rede de proteção social forte. Ninguém pode ficar para trás. Todos temos direito à vida. E à vida em abundância.
Diante de um mundo com trabalho precarizado, precisamos de proteção social e não de abandono.

Um novo futuro virá. Para ser melhor exigirá que cada um faça sua parte e que lutemos para que as lições da Covid-19 não se apaguem. A vida após a crise deve ser melhor e mais justa para todos e todas. Depende de nossas escolhas.

Fonte: Portal Vermelho

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