A voz do povo


RENATO RABELO

A voz do povo deve ser atentamente escutada e respondida. As manifestações juvenis e populares que se ampliam e se estendem por todo país têm um motivo – uma causa social.

Para o PCdoB a questão democrática se entrelaça com a questão social. Por isso, para o avanço democrático é precioso e auspicioso conhecer através de largas manifestações – por serem mais autênticas — o que clama e atormenta parcelas significativas do nosso povo.  Muitas vezes são razões maiores que se acumulam, vindo à tona através de reivindicação aparentemente simples. A luta contra os preços das tarifas dos transportes urbanos e o descontentamento contra os elevados investimentos na construção dos estádios de futebol são manifestações agudas e de um grande estresse vivido pela maior parcela da população dos grandes centros urbanos no Brasil.

As cidades em nosso país cresceram rapidamente, sem conseguir contar em tempo com estruturas adequadas para responder a essa galopante transformação, provocando assim uma concentração de graves problemas sociais — tornando-as inóspitas para seus habitantes — sobretudo para os que vivem nas suas periferias. O estalar desses acontecimentos que se espraia pelo país afora tem o sentido de uma alerta, de um extravasamento das reais condições da vida nas cidades, sendo um dos grandes problemas, na sequencia de muitos, que ocupam agora a ordem do dia e devem ter prioridade e serem enfrentados.

Defendemos que os governos realmente democráticos e comprometidos em garantir o avanço social — os governos em que estamos à frente, ou dele participamos — têm o dever de buscar saídas para começar a resolver os graves problemas urbanos. Uma solução de fundo que se impõe, defendida pelo Programa do PCdoB, é a concretização de uma Reforma Urbana, que possa estabelecer um plano integrado para o desenvolvimento, renovação e humanização das cidades. É uma exigência que se avoluma.

De imediato, medidas para enfrentar o urgente problema habitacional — que tem forte impacto nos centros urbanos — já foram deflagrados pela presidenta Dilma Rousseff por meio do programa de grande dimensão, Minha Casa Minha Vida, que vem cumprindo significativo papel no financiamento de moradias populares. Também através do PAC 2 são muitos os projetos em andamento para solucionar impasses estruturais de mobilidade urbana em grandes centros nas capitais.

Mas vai se impondo como uma questão candente a resposta para a edificação de um sistema e o financiamento dos transportes de massa, de qualidade nos centros urbanos, que permita a locomoção dos seus habitantes sem necessitar do uso constante do automóvel.

O PCdoB se empenhará — por meio da sua influencia no movimento social e da sua participação e relação com os governos democráticos — na busca emergencial de medidas que encontrem já soluções para reduzir os preços das tarifas dos transportes urbanos e para maior eficácia das redes de transporte coletivo. Neste momento é necessário um esforço conjugado que reúna os governos Federal, estadual e municipal no caminho de encontrar uma saída de como responder a esses sentidos anseios.

2 comentários

  1. Bem circunscrita e precisa,Ranato,sem muita delongas. Plano integrado e copartilhamento entre as três esferas e a inicativa privada. Auscutar as vozses das ruas. O grito contido de milhares de políticas e planejamento que ao longo ao de décadas ou foram alijados das políticas urbanas e de transporte e jogados em amontoados para longe dos centros dotados de infraestrutura mínimas. Donnnde têm que percorrer por longos trajetos e tempo,acotovelados dentro de ônibus precários.

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  2. INOCENTES ÚTEIS?
    O Movimento Passe Livre (MPL) é um movimento social brasileiro que defende a adoção da tarifa zero para transporte coletivo. O Movimento foi fundado em uma plenária no Fórum Social Mundial em 2005, em Porto Alegre (RS), e seus princípios na época eram independência, apartidarismo, horizontalidade e decisões por consenso. A principal bandeira do Movimento é a migração do sistema de transporte privado para um sistema público, fato que, na teoria, garantiria o acesso universal através do passe livre. Para o Movimento isso trará, supostamente, um sistema de transporte sem exclusão social.
    No início de 2011 aumentos nos preços das passagens do transporte coletivo provocaram imensas manifestações em todo o Brasil, principalmente em São Paulo, onde a luta contra o aumento reuniu semanalmente, durante 3 meses, cerca de 2 mil estudantes nas ruas do Centro. Algum dos leitores lembra-se disso?
    Certamente não, pois essas manifestações não tiveram respaldo nos meios de comunicação, que ignoraram os protestos, deixando de noticiar os acontecimentos, fato que deixou o Movimento sem rumo. Ressalte-se que em 2011 a cidade de São Paulo era governada por Gilberto Kassab, na ocasião alinhado com o governo do Estado, há anos comandado pelo PSDB. Agora que a cidade está sendo recém-dirigida por Fernando Haddad, do PT, a cobertura da imprensa está sendo intensa, o que contribui para a superexposição do Movimento. Será mera coincidência pelo fato do atual governante ser integrante de um partido que não é o queridinho dos grandes meios de comunicação?
    A articulação nacional do Movimento é feita através de GTNs (Grupos de Trabalho Nacional), onde o Movimento organiza ações conjuntas, impressos nacionais (como o jornal nacional) e o Encontro Nacional do Movimento Passe Livre (ENMPL). No último ENMPL foi decidido como indicativo a criação de GTs de comunicação, organização e apoio jurídico. Logicamente, tudo isso custa dinheiro, e ainda não está clara a fonte de financiamento do Movimento que, presume-se, venha de partidos políticos, ou pessoas a eles ligadas.
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    Na noite de ontem, às 19h21hs, um grupo pichou as paredes da Prefeitura, quebrou vidraças e rasgou as bandeiras do Estado e da cidade. Boa parte era de Black Blocks, punks com roupas pretas e rostos cobertos por máscaras e lenços. Tentaram também atear fogo na bandeira de São Paulo (fonte: jornal O Estado de São Paulo).
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    Black Block é o nome dado a uma estratégia internacional de manifestação e protesto anarquista, na qual grupos de afinidade mascarados e vestidos de negro se reúnem com objetivo de protestar em manifestações anti-globalização e/ou anti-capitalismo, conferências de representacionistas, entre outras ocasiões, utilizando a propaganda pela ação para questionar o sistema vigente.
    As roupas e máscaras negras que dão nome à estratégia são usadas para dificultar ou mesmo impedir qualquer tipo de identificação pelas autoridades, e também com a finalidade de parecer uma única massa imensa, promovendo solidariedade entre seus participantes e criando uma clara presença revolucionária.
    Os Black Blocks se diferenciam de outros grupos anti-capitalistas por rotineiramente se utilizarem da destruição da propriedade para trazer atenção para sua oposição contra corporações multinacionais. Um exemplo desta atividade foi, no exterior, a destruição das fachadas de lojas e escritórios como McDonald’s, Starbucks, Fidelity Investments, entre outros. Ontem, em São Paulo, além do prédio da prefeitura e de um caminhão-link da TV Record, os alvos foram estabelecimentos na tradicional Rua Direita, onde lojas do Magazine Luiza, da Claro e de todos os demais comércios locais, além de agências bancárias, foram totalmente depredados e saqueados.
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    Pois é… parece que o MPL-Movimento Passe Livre ‘perdeu a mão’ das manifestações, ao menos na cidade de São Paulo, onde deu espaço aos vândalos do Black Bocks. Cabe agora aos seus representantes darem as explicações para esse fato, e reassumirem o comando das passeatas que, enquanto forem pacíficas, serão de extrema utilidade para a nossa democracia. Devem deixar de ser ‘inocentes úteis’ para fins escusos.

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